Genesis Archives – Paulista FIESP 27 de agosto de 2017

Domingo de Sol na Av. Paulista. Pessoas para todos os lados, de todos os tipos, cores, tamanhos e formas. Bicicletas, skates, animais de estimação (principalmente cachorros). Um verdadeiro paraíso de paz e tranquilidade, muito diferente do caos urbano que se faz presente nos outros dias da semana. Nada de carros, poluição, gente estressada e apressada. Apenas muito lazer e diversão para todos os gostos. Agora é assim, todos os domingos a avenida é fechada para o trânsito e se torna uma imensa área de lazer e cultura.

Ao longo das calçadas e pelas esquinas diversos artistas e músicos expõem seu trabalho a céu aberto. Bandas e músicos independentes de diversos estilos divulgam seu trabalho fazendo a alegria do povo. Tudo isso convive de forma harmoniosa, num impressionante equilíbrio entre todas as tribos, um verdadeiro show de diversidade e principalmente de liberdade.

Quando chegamos, logo nos deparamos com uma banda de apenas três músicos, onde se aglomerava uma pequena multidão. O som dos caras era uma mistura de rock setentista com blues moderno, num swing impressionante, chegando a lembrar os primeiros trabalhos da banda Rush, só que sem vocalista. O cara da guitarra, vestindo sua calça boca de sino, tocava com tal paixão que a guitarra parecia ser parte integrante de seu corpo. Eram os Stringbreakers and the Stuffbreakers (aquele que destrói as cordas e os destruidores de tudo, algo assim). Os caras levavam um som muito competente, profissional e bem feito. Ficamos por ali conferindo o trabalho deles e acabei comprando os dois CDs que estavam à venda. Maravilhosos, por sinal.

Mas havia pressa. O principal motivo pelo qual estávamos lá era para ver o Genesis Archives, banda cover que iria fazer um show aberto na frente do prédio da FIESP, em comemoração aos trinta anos da visita do próprio Genesis ao Brasil. Não poderia haver ambiente melhor para a apresentação de algo assim. Sempre associei o clima da cidade de São Paulo, principalmente da Paulista, com Rock Progressivo (você pode ler mais sobre isso na primeira postagem do blog). Os músicos prepararam um espetáculo excepcional abrangendo toda a carreira da banda.

Por volta da uma da tarde, subiram ao palco bem montado; e o piano de Firth of Fifth se fez presente harmoniosamente. Senti meu coração bater mais forte, que forma de abrir um show: Com uma das viagens mais lindas da fase Gabriel! O público ficou até meio confuso, acho que ninguém esperava muito do show, talvez algumas músicas da fase Collins, mas nada que não fosse muito popular. O que se seguiu foi exatamente o contrário. Uma bela apresentação completa, para os fãs e para os que apenas gostam.

As melodias harmoniosas dessa bela canção e os solos (talvez os mais lindos de toda carreira da banda) sequestraram a todos e arrancaram palmas e gritos da grande maioria do público crescente que se aglomerava por ali. Por pouco mais de uma hora, o Genesis Archives ganhou a confiança de todos com um desfile de viagens de deixar qualquer fã de Progressivo de queixo caído. Foi muito mais do que uma comemoração, mais que um tributo, foi um delírio coletivo de arrancar lágrimas dos mais sensíveis. A competência dos músicos, a sincronia e precisão dos guitarristas e a batalha com os teclados foi impressionante!

O vocalista lembrava Phil Collins, mas se saía muito bem como Peter Gabriel, sem deixar a peteca cair, colocando o público em suas mãos com sua simpatia e carisma. Vieram lendas como In the Cage, A trick of the tail, The lamb lies down on Broadway, Musical Box (esta com direito à máscara do velho e interpretação) e muito mais. Los Endos encerrou o espetáculo numa vibração intensa e maravilhosa. Dava para duvidar se não era a banda original que estava ali.

Tudo feito com coração e alma de quem gosta do que faz e faz muito bem. Claro que não podia deixar de ter gritos e mais gritos pedindo mais um, no entanto infelizmente o bis não veio e a banda se despediu do pessoal com muita simpatia, felizes por ter realizado não apenas um show, mas um grande espetáculo que vai ficar na memória de todos para sempre.

Muito profissionais, o Genesis Archives ainda tem muito a oferecer. Assim como o Genesis Live, outra banda mais antiga, esses também têm o feeling para figurar no vasto cenário progressivo de São Paulo, que vem se firmando e se diversificando, com bandas como Giant Steps, Rick Wakeman Project, Yessongs, Rush Project, Marillion Project e Supertramps. Além de claro o Ummagumma, Atom e Echoes, três projetos incríveis que tocam Pink Floyd. Falta aparecer um Jethro Tull Cover e aí teremos o cenário fechado com todos os ícones de uma era que já se foi, mas que conserva fãs assíduos de todas as idades até os dias de hoje. Vivemos com certeza um momento histórico que tende a crescer e se perpetuar.

PaulistaRocktown

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