Oaklore na Mystic Fair

No último domingo, dia 3 de dezembro, aconteceu o segundo dia da Mystic Fair, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na Rodovia dos Imigrantes. Uma parte do complexo foi literalmente adaptada às necessidades de bruxos, pais de santo, vendedores de pedras, talismãs, itens mágicos e coisas esotéricas de todo o tipo. Também participaram da feira terapeutas espirituais e físicos, lojas de modas alternativas, indianas e voltadas às religiões africanas. Muita gente foi atraída pela magia do evento, que inclusive contou com diversas apresentações musicais e de danças do oriente. O clima medieval imperava por toda parte, nos figurinos das pessoas, nas coisas que podiam ser encontradas e na gastronomia peculiar espalhada por toda a parte. Panelas de ferro, punhais e espadas podiam ser compradas por qualquer um que se propusesse a dispor de algum dinheiro.
Um espaço no limite da festa, ao fundo,  foi dedicado às apresentações artísticas e palestras esotéricas. E foi ali que este que vos fala ficou à espera do Oaklore (Oak quer dizer carvalho e lore é parte de folclore, mais que sugestivo o nome, não acham?). No grupo de música medieval, quatro aventureiros divulgam suas melodias maravilhosas para o deleite de todos os sortudos que puderem assisti los.

No entanto, já se passava das 16 horas e nada da banda chegar… Uma informação errada, provavelmente de uma pessoa errada, envolvida nas trevas, tentando sabotar meu encontro com a banda, me fez ficar ali com minha família esperando em vão… O feitiço do mal durou apenas alguns minutos, pois logo as forças do bem me guiaram para o meio da feira, onde num singelo espaço, devidamente decorado com elmos e armas medievais, em meio ao calor da multidão aglomerada, lá estavam eles, entoando suas melodias míticas!

Não mais que de repente, me vi frente a frete com o Oaklore, em pleno vapor, executando uma canção do século XIV, já envolvendo a todos no encantamento. Ao centro sentava-se num trono de madeira a bela elfa Aline Polisello, trajando um belo vestido azul e branco, ornado por suas tranças douradas. A cantora, flautista, pianista e multitalentosa princesa entoava as mais belas melodias, cercada por seus parceiros, que trajados nos moldes medievais completavam a magia. Alexandre Chamy e seu violão trajava uma túnica preta com detalhes em dourado, portando na cintura uma flauta doce. Do outro lado, Gustavo Mugnatto com seu violão de doze cordas, vinha vestido aos moldes do povo da floresta. Com sua capa verde jogada às costas, entoava melodias que se completavam às notas de seu parceiro do outro lado. Ao fundo, não menos importante, do lado esquerdo da princesa, Aruan AceSiks,  trajando vestes marrom escuro, dono de uma barba extensa e vaidosa, se encarregava com muita competência de toda a percussão necessária para compor a magia da impressionante música do grupo.

Os aventureiros seguiam seu caminho entoando uma canção do século XIII, quando mais e mais pessoas se aglomeraram próximas ao evento. A magia se intensificava a cada nota, a cada olhar, a cada momento perto do Oaklore. A elfa por vezes exibia sua linda voz junto com o mago, que também cantava, e a todos encantava!

Quando The Bard’s Song começou a ser executada, fomos de vez transportados para a idade média. De repente não havia mais século XXI… Estávamos envolvidos pela música (e pelo calor!) a tal ponto que o tempo se tornou sem importância. Tudo o que víamos era o Oaklore e sua música espiritual!

Quando a princesa elfa começou a contar a história de uma bruxa que foi queimada, peça de autoria do grupo, a canção que se seguiu fez aos mais atentos, como eu, verem em suas mentes as cenas do trágico fim…

Seguiram se então canções como The Wolven Storm (Priscilla’s song) retirada do jogo The Witcher 3) e Praetorius do Blackmore’s Night que nos emocionaram e fizeram muito bem às nossas almas. A maestria, o cuidado nos arranjos e a beleza das versões deixavam bem claro que o Oaklore não viajou até os nossos dias para ser apenas mais uma banda. Eles vieram para reviver a chama eterna que está adormecida na alma de cada pessoa de bom gosto, para trazer luz às trevas e para mostrar que a música é mesmo atemporal, quando feita com amor, inteligência e qualidade.

Tocando versões de ótimas canções de outras bandas, houve um momento em que Child in time do Deep Purple foi entoada na versão do Blackmore’s Night e foi aí que outras pessoas se aproximaram e se emocionaram. Sujeitos com camisetas do Iron Maiden, Blind Guardian e Rush (a minha era do Eloy) observavam à distância e em seus sorrisos via-se um claro contentamento. O Rock estava presente ali em plena idade média! E isso me fez pensar que a música medieval também fazia o mesmo efeito. Era para curtir, viajar, se emocionar. Estava ali a “Paz e Amor”…

Houve um momento em que todos foram levados às trevas de suas almas, onde puderam questionar seu lugar no mundo. Herr Mannelig, uma música tradicional da Suécia do século 19, fez todo mundo ficar reflexivo. Não pela sua letra, pois ninguém podia entender aquela língua tão forte, mas por sua melodia sombria e profunda. Alexandre Chamy com um arco de violino retirava de seu violão uma sombra profunda e grave, pano de fundo para a banda entoar o que mais se parecia com um Réquiem… Mas bela, apesar da profundidade.

E não faltava emoção cada vez que aquela princesa élfica exibia sem nenhuma vergonha aparente seus dons místicos com sua linda voz e seus instrumentos mágicos. A flauta transversal, a qual a bela elfa aprendeu a tocar sozinha, se fazia presente, lembrando a todo instante Ian Anderson, o flautista do emblemático Jethro Tull – que aliás caberia como uma luva no evento, mas ainda assim, com todo seu talento e maestria, não conseguiria ofuscar a beleza e o talento da linda elfa!

Quando o tema do Senhor dos Anéis começou a ecoar pela feira, fomos transportados à Vila dos Hobbits e nos encantamos com as belas notas a desfilar pelo ambiente. Mais uma canção do Blind Guardian, The Lord of the Rings, veio à tona numa versão sensível e poderosa ao mesmo tempo, graças ao talento da dupla de cordas e seu percursionista poderoso.

Tan Pinga Ra Tan e Finganforn, da banda Tuatha de Danann, grupo brasileiro que misturava Metal com música medieval, foram tocadas com muita empolgação e agitaram a galera que estava próxima. E quando a apresentação já se aproximava de seu término, ao som de The Black Nag, uma alegre música inglesa do século XVII, todos fomos envolvidos em tamanha alegria que aquilo se tornou uma grande festa em pleno período medieval.

Não sei para qual século fomos transportados, mas ainda havia duas surpresas para nosso deleite. Juntaram-se ao Oaklore as princesas, Karol Souto da Cos Line e Carol Luanin da Ordo Draconis Belli e entoaram lindamente com suas vozes poderosas cheias de magia, mais duas canções: Skyboat, tema da impressionante série Outlander e Warrior da cantora Aurora, fechando com chave de ouro e atraindo ainda mais gente do século XXI para aquela fenda temporal que se abriu em pleno ar!

Todos foram muito aplaudidos e as pessoas voltaram para suas vidas modernas felizes e recompensadas. O show do Oaklore foi uma agradável surpresa principalmente para mim e minha família. Tamanha maestria, compromisso e beleza não são facilmente encontrados por aí. Todos gostamos demais, inclusive minha filha mais velha, Amira, nossa fotógrafa de plantão, registrou tudo, resistindo bravamente ao calor e o cansaço! Não quis sair dali nem por um minuto. A mocinha adorou a banda e sua música tão bem elaborada e sensível.

Depois da apresentação todos nos receberam de braços abertos e corações cheios de alegria, mostrando que Oaklore também é simpatia e amizade. Em breve os estarei entrevistando, onde pretendo desvendar todo mistério que envolve toda aquela magia atemporal.

De volta ao nosso tempo, pude trazer alguns registros do tão belo momento e hoje, já quinta feira, ainda estão fortes em minha mente os efeitos magníficos de ter estado em uma apresentação tão especial. Que o Oaklore cresça ainda mais, que dê frutos eternos e que outros músicos ainda possam se inspirar por eles nos trazendo ainda mais boas surpresas! Mal posso esperar para vê los novamente!

Hail, Oaklore!

Marcos Falcão

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