Retrô-Visor

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9 de dezembro de 2017

Parque das Árvores, Cidade Dutra – Zona Sul

Neste sábado, dia 9 de dezembro, rolou em plena rua no bairro Parque das Árvores, Cidade Dutra, o evento Vem Conosco, promovido pela Rádio Onda FM, com a intenção de divulgar diversos segmentos musicais. E como não poderia deixar de ser, O Rock marcou presença com a banda Retrôvisor, formada na sua maioria por professores da Rede Pública Estadual de Ensino (3), que nas horas vagas se dedicam à música, nos brindando pelos bares da região de Interlagos com o melhor do Rock Nacional dos anos 80 e 90, e alguns covers internacionais de bandas com o U2, Queen, Smiths, etc…

Mas neste sábado foi a hora e a vez do Rock Nacional. A volta no tempo se fez presente com covers de primeiríssima qualidade. E o rock nacional figurou no palco nas ondas sonoras do Retrôvisor, o som de uma era, o grito hoje contido de um pessoal forjado no rock de diversas tendências, filhos do punk, do gótico, uma geração que era brindada pela irreverência e rebeldia de uma gama de bandas únicas que hoje são lendárias. Artistas como Cazuza, Frejat, Lobão, Paulo Ricardo e seu devastador RPM, entre outros. Bandas que davam seu recado e levavam os jovens à toda rebeldia que o rock poderia trazer, juntando-se a outros movimentos que tinham a mesma mensagem. Era assim nos anos oitenta e seguiu por uma boa parte dos noventa. Sim, amigos, o Rock já foi cem porcento jovem. E foi nessa vibe que surgiu o Retrôvisor e sua difícil missão nesses nossos tempos de modernidades e excesso de informação a tal ponto que muita gente já não assimila mais nada, infelizmente.

Em uma apresentação irrepreensível, num palco muito bem montado, Alexandre Queiroz (voz), Gomes Lira (guitarra), Felipe Fatarel (guitarra), Ney Luiz (baixo) e Nil Oliveira (bateria) mostraram ao povo do bairro um pouco do seu trabalho. Um show compacto, pautado em ícones da história como Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho e outros fez a alegria da galera que estava por lá. Muita energia e boa qualidade de som valorizaram o pequeno evento, com Alexandre soltando a voz, saltando pra lá e pra cá, agitando muito. O palco era pequeno para o cara. O resto da banda também não fez feio, guitarristas entrosados, muita pegada, muito feeling oitentista. A cozinha também funcionou muito bem, permeando com perfeição o contexto clássico que se criou ali, que de mais recente tinha apenas uma canção do Charlie Brown Jr. O resto do espetáculo sendo totalmente pautado nos clássicos inesquecíveis de um movimento de protesto, que todos nós de um pouco mais de quarenta anos vivemos, num Brasil onde se questionava, se cobrava e se fazia acontecer. Numa época em que não aceitávamos as coisas de cabeça baixa, onde o Rock era uma das principais manifestações de protesto.

Percebe se na apresentação do Retrôvisor que há um manifesto de rebeldia, assim como era com as bandas originais tão bem representadas por eles. É como se ao invocar esses sons em pleno século XXI, os caras estivessem nos convocando para a luta, coisa que nossas atuais bandas de rock nacional hoje em dia já não fazem mais, salvo poucas exceções.

Percebe-se nos jovens de hoje (exceto em alguns grupos que ainda existem) que não há posicionamento político, bem diferente das gerações que cresceram ouvindo Rock. Então hoje o movimento ressurge e conversa diretamente conosco, os mais velhos. Vendo o Retrôvisor no placo, tão cheio de energia e competência, fica inevitável o desejo de algo autoral, de novas composições nessa linha, coisas que venham agregar e ressuscitar o velho sentimento em todos nós e quem sabe, atingir essa molecada do smartphone e internet. É disso que precisamos, mais Rock, mais pensamento, mais atitude! E o Retrôvisor vem pra isso, nos mostrar que nada acabou, mas que sim é preciso continuar.

Pena que o show durou pouco. Ficamos todos ali com gostinho de quero mais. Cabe aqui uma crítica aos organizadores do evento que deixaram muito a desejar no quesito divulgação. Eu mesmo só soube desse show porque trabalho como o guitarrista da banda, Gomes Lira. Senão, teria passado totalmente despercebido.

Portanto, se o público não compareceu em massa bem maior foi por causa disso, pois quando o Retrôvisor toca em bares a lotação é esgotada e o sucesso garantido, num set bem maior e produzido. Mas não faltará oportunidades para o Rocktown cobrir um evento mais completo e, quando isso acontecer, trazer a vocês uma imagem mais completa e detalhada dessa banda carismática que insiste em manter a chama do Rock Nacional mais viva do que nunca!

Que venham mil revoluções por minuto na Alvorada Voraz do Retrôvisor!

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