Yessongs, Shopping Bourbon – Pompeia

16 de dezembro de 2017

Auditório da Livraria Cultura – Shopping Bourbon – Pompéia

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Um auditório pequeno e muito bem planejado. Espaços assim quase sempre são garantias de qualidade, não só de infraestrutura, mas também das atrações escolhidas para se apresentarem para um público menor, essencialmente formado por conhecedores do conteúdo. Em se tratando dos trabalhos onde o músico Roger Troyo está envolvido é sempre certo que a qualidade beirando a perfeição será uma realidade constante. Também a simpatia e a segurança de quem conhece o que está fazendo se fazem sempre presentes, pois já há muitos anos que os projetos progressivos onde este artista está envolvido vêm reunindo músicos de alto nível e encantando um público exigente e conhecedor do Rock Progressivo.

Lembrando os célebres e inesquecíveis momentos no Teatro Crowne Plaza, onde pudemos ver e ouvir o Marillion Cover e o Genesis Live, em apresentações de nível internacional de qualidade, onde a estrutura favoreceu demais o trabalho dessas bandas, deixando marcas profundas na memória dos sortudos que puderam prestigiar esses eventos. Também o auditório um pouco maior do MIS (Museu da Imagem e do Som) onde o Yessongs também nos deu a honra de se apresentar, fez com que nossos corações se alegrassem e aproveitassem toda a qualidade possível em um show. O Teatro UMC também tem um espaço bem planejado, onde acontecem diversos eventos parecidos, e nos deixou boas impressões com relação ao Yessongs.

Neste auditório singelo e de alto padrão (apesar da goteira atrás do palco que tentou, mas não conseguiu atrapalhar o sonho) sabíamos desde o início que a experiência seria acima das expectativas. Um ambiente aconchegante, bonito, confortável, pequeno; só poderia favorecer e engrandecer o trabalho da banda.

A proposta da noite era a execução na íntegra do magnífico álbum Going For The One de 1979, onde figura além da singela Wonderous Stories, a épica Awaken, uma das obras máximas do Yes, amada pelos fãs de todos os tempos, viagem garantida.

Mas o que se viu foi algo bem além de apenas essa proposta, como não poderia deixar de ser, se tratando do Yessongs e do amor e dedicação que essa banda tem com os fãs e com todo o trabalho esplendoroso do Yes. Instrumentos belíssimos, bem colocados e prontos para serem degustados se apresentavam ao público que ia ocupando os lugares aos poucos, cheio de de expectativas, quase como se fosse a primeira vez. A paixão das pessoas pelos trabalhos onde o Roger se envolve é tal que sempre podemos conferir rostos felizes e esperançosos, como crianças cheias de energia a chegarem no mesmo parque de diversões a cada dia.

Quando a banda adentrou o pequeno e completo palco foram recebidos calorosamente e já de cara Yours is No Disgrace dava o tom de que havia muito a ser explorado além do esperado álbum de 1979. A precisão, a qualidade do som, a visível alegria nos rostos dos músicos nos deixava a vontade para aproveitar cada nota desfilando ali, sem vergonha nenhuma, bem na nossa frente.

O grande Vinicius Nipote, trajando uma túnica colorida em tons de verde e azul, nos transmitia a certeza de sua sabedoria, manejando um belo baixo com maestria de quem conhece muito bem o que faz, lembrando o mestre Chris Squire em sua movimentação e presença de palco, simplesmente magnífico.

It Can Happen deu o ar de sua graça, lembrando uma fase mais atual do Yes, nos anos 80, tocada com maestria impressionou pela qualidade e sonoridade. E foi aí que Going For The One introduziu o que a banda havia prometido, sendo executada lindamente, fez todo mundo sonhar acordado, com nosso Roger cantando como sempre, de forma perfeita! Vitor Giovanitti e suas guitarras mágicas sempre sendo uma parte importante da banda, usando de seu carisma e talento, como sempre vemos em todas as bandas por onde passa.

O outro guitarrista, Phelipe Antunes, também foi uma parte essencial nessa noite. Muita precisão e talento, junto com o Vitor numa parceria que deu certo. Carlos Camasi da bateria impressionando a todos, como esse cara toca! E o maestro Julio Zingg, dono absoluto dos teclados na mais pura perfeição, nos lembrando o mestre Rick Wakeman. Tudo isso no palco singelo deu ao Yessongs um ar de superbanda, maior ainda do que eles costumam ser. Era muita perfeição, carisma e talento junto!

Turn of the Century, Parallels e Woderous Stories encantaram. Esta última tendo que ser reiniciada por causa da goteira no equipamento do baixo, mas que de forma alguma chegou a sequer manchar a apresentação, valendo até um convite de nosso querido Roger para que descêssemos ao andar de baixo e espalhássemos alguns brinquedos, caso demorasse demais para resolver o probleminha…

E veio o grande momento do álbum, que foi Awaken. Ponto alto do sonho da noite, essa canção se mostrou na mais pura beleza. Eu tenho para mim que nem o Yes hoje em dia tocaria essa música com tanto amor, dedicação e sensibilidade quanto esses músicos maravilhosos. De repente não estávamos mais ali, mas sim viajando nas mais altas vibrações como sugere a canção…

Ao final foram ovacionados pelo público excelente. Mas o show não acabou por aí, veio Roundabout coladinha com o final de Gates of Delirium, onde figura a mítica Soon, outra paixão de todo o fã, fazendo a viagem continuar. Roger, com sua tradicional simpatia, agradeceu a todos os presentes, mas não estava a fim de sair do palco, graças a Deus, pois nós queríamos mais. E veio então a já tradicional Owner of a Lonely Heart e por último a interativa I’ve Seen All Good People, fechando o espetáculo como ele começou, com uma canção do Yes Album, para muitos o primeiro trabalho do Yes no formato progressivo.

Para ficar melhor ainda só se tivéssemos Starship Trooper ou uma segunda parte com The Reveling Science of God, ou quem sabe o Topographic Oceans inteiro…. Mesmo assim ainda seria pouco… Pois no que diz respeito a esses músicos maravilhosos, muito é sempre pouco!

Fecharam a noite com chave de ouro, nos deixando mais lembranças inesquecíveis e um convite para o Rush Project, outra banda do camaleão Roger, a se apresentar na próxima quinta, dia 21, no Café Piu Piu. São mais de 17 anos de Yessongs… A primeira apresentação que vi foi em 1998, também no Café Piu Piu. E de lá pra cá sempre vejo essa banda recheada por músicos da mais alta qualidade, realizando nossos sonhos e garantindo nossas viagens, mantendo a força do Rock Progressivo sempre viva.

Que venham mais shows como esse!

I get up… I get down… I get up…

Marcos Falcão

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