Rick Wakeman Project

Não poderia abrir 2018 da melhor forma.

No primeiro show desse ano que tenho a oportunidade de estar (03/02), vivi momentos de pura emoção e alegria. Desde os papos com Roger Troyjo, onde tive a grata notícia de ele estar assumindo as vozes do lendário Terreno Baldio, até uma breve divertida conversa com o estimado Alexandre Chamy, marido da bela Aline Polisello e guitarrista da banda de metal Ceos, que estava lá para prestigiar o trabalho de sua esposa. Também o fotógrafo Marcos Vinicius Troyan Streithorst, onde numa descontraída conversa, iniciamos os arranjos para uma futura entrevista, onde vou contar, entre outras coisas, sobre a saga do cara na Europa, onde foi agraciado com as apresentações do Genesis em sua turnê de 2007. Essa chegada ao Teatro UMC e o contato com essas pessoas maravilhosas já demonstravam que a noite seria impressionante, como de fato foi.

Desde 1990 nunca consegui parar de ouvir Rick Wakeman. Quando conheci eu era muito jovem, tinha 16 anos, graças a meu irmão Esdras Falcão de Figueiredo, que me mostrou a Jornada Ao Centro da Terra. Eu nem sabia nada sobre Yes ainda, para mim aquela obra soou de forma incrível. Foi só uma questão de meses até eu conhecer The Six Wives of Henry VIII e o Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table. Me apaixonei de tal forma por essas obras que passei boa parte da minha vida procurando pelos sebos da cidade os discos de vinil originais. Foram tempos onde graças a isso também conheci os discos do Yes e passei a colecioná-los, à medida em que conseguia encontrar.
Rick Wakeman acabou ficando gravado no meu DNA para passar adiante. Até hoje escuto os trabalhos dele e me sinto maravilhado, assim como acontece com os do Yes. Hoje, com o advento da tecnologia, é possível ter tudo isso de forma muito simples, mas eu ainda ouço os discos de vinil, sem dispensar os outros formatos, claro. Tenho tudo em CD e mp3 também. Mas confesso que ouvir esses trabalhos em vinil, numa boa aparelhagem, ainda é uma experiência única – quem conhece sabe.

Passaram-se muito anos e de repente surge o Rick Wakeman Project, uma banda sem precedentes, onde os músicos têm a mesma paixão pela obra, alcançando uma dedicação impressionante!

 

Renato Moog, o mago dos teclados, com sua capa espetacular; nos presenteia com arranjos fiéis e de alta sonoridade, usando seus atributos tal e qual o mestre Wakeman, com tanto talento que nossos corações se enchem de emoção ao ver as obras ganharem vida em pleno século XXI. Esse cara é o Rick Wakeman brasileiro, pois ele se supera tanto na Viagem ao Centro da Terra quanto nas outras peças executadas pelos músicos, colocando seu coração em cada nota digitada por aqueles dedos mágicos. Durante Anne of Cleves ele viaja. Nessa música os teclados alucinantes nos fazem esquecer que deveria se tratar apenas de um cover. Nesse e em outros momentos, os caras agem como se tudo fosse uma composição autoral, tamanha a intimidade e segurança que eles têm com o trabalho do tecladista original.

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Por outro lado, Cassiano Musicman massacra sua bateria com muita técnica e talento. O cara toca muito, se sobressai em alguns momentos, junto ao baixo maravilhoso de Sandro Premmero, que chega a nos lembrar o saudoso Chris Squire, por seu posicionamento no palco e sua intimidade natural com instrumento. Cozinha melhor não poderia haver, pois os dois se combinam em talento e carisma. Desta vez vimos essa dupla impressionante atuar de forma lendária durante Roundabout do Yes, momento sublime do espetáculo, onde o magnífico Roger Troyjo, maior representante da música progressiva do Brasil, surgiu no palco para fazer uma participação especial ímpar nesse momento, com seus vocais ligados na posição Jon Anderson. Com simpatia, talento e segurança, nos trouxe a melhor versão de Roundabout já feita pela banda.

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Jonathas Queiroz e sua guitarra vermelha também foi essencial durante essa música. O cara encarnou Steve Howie de forma única e nos presenteou com mais um pouco de seu talento, além do repertório de Wakeman.
Curioso destacar como esse cara toca lindamente e canta também, soando ainda melhor que o vocalista original. Sua voz é bem parecida com o outro, embora mais potente e afinada. Pra mim soa melhor, sem menosprezar a obra original.
Uma pequena parte de No Earthly Connection foi feita também e nos encantou com arranjos impressionantes e bem colocados, um pouco melhor do que o que conhecemos do álbum.

As belíssimas cantoras Aline Polisello, Carina Assencio e Regina Magliore se sobressaem de forma brilhante. As fadas cantam maravilhosamente bem junto e separadas.
Carina Assencio emociona a todos ao interpretar Julia do álbum 1984 junto ao piano magistral do mestre Renato. A garota emociona e encanta ao mesmo tempo. Linda e brilhante, a fada ainda possui uma voz sensacional, cativando a plateia, levando à emoção absoluta, sempre ovacionada ao final dessa música que a cada apresentação parece ainda mais bonita.

Aline Polisello é etérea, espiritualmente linda. A garota canta, toca flauta transversal e dá uma força nos teclados, sendo parte vital do espetáculo por diversos momentos. A fada cantando em The Journey enquanto toca os teclados, acompanhada pelas outras vozes consegue por diversas vezes me arrancar lágrimas. Sem exageros, ela também soa melhor que o cantor original, dando um aspecto único ao show. Uma voz forte, afinada, poderosa. Não se trata de um cover bem elaborado, mas sim da alma dos músicos envolvida em executar essas obras de forma mítica. E a Aline Polisello consegue se aproveitar muito bem dessa magia, desde sua apresentação pessoal a seus talentos únicos e mágicos. Essa fada, nossa Sacerdotisa dos cabelos longos e olhos profundos, cheios de mistério, leva nossa imaginação ao centro da terra, passa pela corte do Rei Arthur e nos traz de volta.

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Regina Magliore, outra fada belíssima e cheia de encantos, nos presenteia com seu envolvimento contagiante e também tem seus momentos de brilho único em Echoes e Quaternary Man, duas peças mais recentes, incluídas na regravação da Jornada, momentos que combinam perfeitamente com a obra feita originalmente em 1973.
Durante essas canções Regina nos presenteia com sua beleza, seu talento e sua voz. A garota ganha a plateia e os corações dos presentes. Ela é sensacional e positiva, nos deixando impressões de admiração, carinho e alegria. Empolgada, dança, canta, interpreta. Distribui sua beleza entre sorrisos e notas musicais. Certamente o espetáculo não seria o mesmo sem seu talento e das outras beldades, mostrando a importância do feminino de qualidade numa apresentação musical de alto nível.

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A Jornada ao Centro da Terra fica mais profunda e envolvente a cada apresentação. Isso também graças às narrações do fantástico Harley Nóbrega, que se apropria dos textos com uma interpretação singular, marcada por sua excelente voz e presença de palco. Esse consegue ser ainda mais emocionante que o narrador original, talvez muito se deva ao texto estar em português, com todo mundo entendendo e se aprofundando no contexto das músicas. A escolha desse ator caiu como uma luva, sendo difícil para a gente imaginar outra pessoa que não seja ele naquela posição.
Não posso deixar de destacar aqui a belíssima Arthur que abriu o espetáculo, enchendo nossos corações de desejo de que um dia a banda execute o álbum todo. No final houve um bis desse trabalho, com Lady of the Lake e Guinevere, peças maravilhosas que sempre nos emocionam e desta vez estavam ainda melhores, assim como todo o espetáculo dessa noite.
Show à parte foi a perfeita exposição dos miniteclados feitos pelo artista fantástico Ronaldo Lopes Teixeira Rolt, que abrilhantou o evento com suas miniaturas perfeitamente ricas em detalhes, um trabalho singular, de encher os olhos, que mais uma vez encantou a todos.

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Show à parte também foi o atendimento aos fãs que a banda fez nessa noite, logo após o término do espetáculo. Músicos felizes, seguros de seu trabalho, atenciosos e amistosos, tiraram fotos com os fãs, conversaram conosco, nos abraçaram. Maravilhosos. Não dá para saber quem foi mais simpático. Todos muito gentis e felizes com nosso reconhecimento, prontos a responderem qualquer pergunta com o maior empenho. Profissionais da mais alta qualidade sem máscaras e junto conosco, tão apaixonados pela música quanto nós! Um momento sublime que tenho certeza que cada um que teve a oportunidade de cumprimentá-los jamais esquecerá, como eu, por exemplo.
Renato Mug foi muito solícito em aceitar meu convite para uma entrevista, então em breve aqui no Roadrock teremos a oportunidade de saber mais sobre esses músicos fantásticos que se apresentam nas noites dessa cidade caótica.
Dia 28 de abril tem mais no mesmo Teatro UMC. Quem puder, não perca esse momento valioso de apreciação da música da melhor qualidade interpretada por músicos de talento e carisma inacreditáveis!
Para mim foi mais uma realização do sonho que alimento há quase trinta anos.

Rick Wakeman Project.

Talento, beleza, carisma e magia. Tudo isso aliado à força das almas desses músicos simpáticos e atenciosos, que jamais nos decepcionam, nos fazendo amar mais e mais, não só as obras dos artistas originais, mas sim suas interpretações tão belas e de apreciação única.
Todas as fotos desse post foram feitas pelo Moamay Photos e pelo Marcos Vinicius Troyan Streithorst.

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