Echoes Pink Floyd

Quando saí de casa na quinta à noite tive a impressão de que seria uma ocasião muito especial, mesmo estando sozinho. Minha preocupação era em chegar a tempo de ver o show do início. Tanto que cheguei quase duas horas antes, tendo que ficar pacientemente à espera. Vi as pessoas chegarem, as garçonetes irem se movimentando, enfim. Cada detalhe da espera que nunca chegava ao fim foi por mim vivido intensamente…

Mas enfim chegou o momento tão aguardado. Com as mesas já quase todas tomadas pelos ávidos apreciadores das noites de quinta do Café Piu Piu, tomou o palco pontualmente às 23h do terrível horário de verão, o Echoes Pink Floyd São Paulo. Muito profissionais e com as guitarras bem calibradas num peso muito bem colocado, iniciaram a noite com What Do You Want From Me, do Division Bell, álbum de 1994, último grande registro de estúdio do Floyd. Eder Martins cantando com sua voz muito semelhante ao David Gilmour e também muita competência nos arranjos de guitarra, tudo feito com muito cuidado e dedicação. Aliás combinação quase perfeita deste músico com o outro guitarrista, Hamilton Matos, que também iniciou a noite mandando muito bem.

Auxiliados pelo grande Buba Sucata, baixista que veio no lugar de Rics Carvalho, os guitarristas compunham a linha de frente com muita seriedade, numa harmonia genial. Muito bem acompanhados também pela batera forte de Anderson Vilar e os teclados precisos e completos de Marcelo Loureiro.

A atmosfera do Piu Piu foi logo tomada pela música sagrada do Pink Floyd, muito bem interpretada por uma banda que não tinha medo de ousar. O Echoes veio sem a parte feminina, nossa querida Regina Magliore, que apesar de fazer falta, não prejudicou a performance dos músicos, passando por quase todas as fases do Floyd.

Young Lust foi interpretada com muito peso, valorizando ainda mais a pegada rebelde que essa canção tem, nos remetendo de imediato ao filme The Wall, assim como Another Brick In The Wall, onde os músicos se soltaram ainda mais, nos proporcionando um duelo de solos impecavelmente bem colocados e fazendo jus à banda original, simplesmente incrível. Nessa música é sempre claro o divertimento dos músicos em vários outros projetos com Pink Floyd, e até mesmo pelos músicos originais. Os solos contagiantes e o ritmo alucinante fazem dessa canção ao vivo muito mais do que uma música de trabalho. E o Echoes não fica atrás. Faz muito bem e com categoria, revelando o grande talento da dupla de guitarristas, contagiando o bar inteiro.

Coming Back To Life, outro momento precioso do Division Bell que foi executada com muito sentimento e perfeição, tudo muito bem afinado, proporcionando a todos, momentos de grande emoção e nostalgia.

Um desfile de clássicos muito bem escolhidos fez da nossa noite um deslumbramento coletivo. In the Flesh, Shine On You Crazy Diamond, Summer 68, Breathe e Money fizeram a galera pirar e aplaudir de pé!

Us and Them, Any Colour You Like, Brain Damage e Eclipse foram executadas uma após a outra, sem parada, assim como no álbum original e encantaram a todos, já quase no final da viagem, fechando o segundo tempo a caminho do desfecho. Muita competência, dedicação e simpatia dos músicos.

Bastante receptividade com os fãs e muita disposição em conversar com quem quer que se aproximasse, carisma de quem sabe o que faz e valoriza aqueles que curtem de verdade.

Depois da viagem toda, ainda teríamos Confortably Numb e Run Like Hell, momentos obrigatórios em qualquer apresentação de Floyd. Confesso que fiquei pensando se os solos de Confortably Numb não poderiam facilmente ser candidatos aos melhores solos do mundo. Também aqui o talento dos músicos superou os covers. Quando eu digo isso, quero deixar claro que o que faz a diferença é a personalidade musical de cada um. Tirar um cover é uma questão de estudo e só. Mas tirar um cover com personalidade e sentimento é o diferencial de uma apresentação fascinante. E isso o Echoes tem de sobra. Por isso ver um show desses caras é um privilégio. Ver as canções que amamos por uma vida ganhando forma nas mãos de gente tão competente é algo sem precedentes e sempre fascinante!

Vale destacar aqui o grande talento e sentimento do saxofonista Wilton Carvalho, que nos encheu de emoção em diversos momentos do espetáculo, sendo mais um detalhe importantíssimo na magnífica cena progressiva que a banda nos proporcionou nessa noite. Altamente recomendável, não somente aos fãs do Floyd, mas principalmente aos que buscam o rock de qualidade e seriedade.

O som estava bom, alto e bem equilibrado, cobrindo as conversas empolgadas de muitas das pessoas que não paravam de falar. Especial também foi encontrar e conversar um pouco com o amigo e apreciador das quintas progressivas, Clovis Guimarães, grande incentivador do Roadrock.

Uma noite muito saudosa e emocionante, me fazendo viajar pelo tempo, aos momentos em que o Pink Floyd era a trilha sonora da minha vida. Inesquecível. Qualquer agradecimento a este trabalho espetacular será pouco. Portanto estarei à espera de um outro momento para poder curtir o som desses caras novamente, pois valeu muito a pena e superou minhas expectativas, mesmo sem a encantadora voz da Regina Magliore, da qual sou declaradamente grande fã.

Noite única que ficará registrada para sempre na minha memória e de quem estava por lá.

Simplesmente demais!

 

echoesroadrock

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