Oaklore: Uma jornada nas trevas

Cansados e viajando por longas distâncias, estabelecemos uma pausa em nossa busca. E de repente, em meio a brumas inesperadas, fomos surpreendidos por uma intrigante taberna, que erguia se majestosamente ao longo de um caminho em declive. Resolvemos que ali seria o lugar onde descansaríamos e, se possível, comeríamos algo que recuperasse nossas forças. Diferente de uma última jornada, quando nos vimos em meio a uma feira, onde bruxas e bruxos de todos credos e espécies nos cercavam por toda a parte

e temíamos por nossas vidas, desta vez não parecia haver ameaças. Naquela ocasião fatídica, fomos salvos por um grupo de mágicos, que entoando canções de mistério, geraram uma proteção mística, que nos afastou de todo o mal. Agora, apenas precisávamos de um momento para nos recompor e seguir nosso caminho.

Adentramos o Walfenda, nome do misterioso local, e logo ficamos maravilhados com a calorosa recepção e a qualidade que repentinamente nos cercava. Paredes ricamente ornadas com cruzes de ferro, feitas de tijolos artesanais e madeira trabalhada se espalhavam por toda a parte, combinando com a mobília de mesas e cadeiras muito bem-feitas. Claro que nosso primeiro instinto foi de desconfiança, pois também notamos muito depressa diversos materiais suspeitos, uma parede inteira feita de armários e nichos, contendo frascos de todos os tamanhos e substâncias estranhas, poções desconhecidas, tomos misteriosos, um cenário alquímico que só era encontrado entre meios onde a magia era uma constante. Percebemos a presença de feiticeiros na cozinha e alguns trabalhando em misturas desconhecidas, tudo muito cheio de mistério e tememos sobre quais seriam as intenções de todos…
Estaríamos novamente em perigo?
No entanto, logo fomos tranquilizados…
Primeiro, ao encontrarmos os músicos mágicos do Oaklore, os mesmos que nos haviam salvo outrora. Soubemos de imediato que aquele local era um dos lugares preferidos deles e que ali realizavam suas melhores apresentações periodicamente, o que estaria prestes a acontecer nessa noite.

Segundo, pela recepção calorosa dos garçons e místicos que vieram até nós com alegria, nos explicando onde estávamos e o que acontecia ali de fato. Tratava-se de um restaurante, onde magos brancos trabalhavam em poções para todo tipo de ajuda, além de cozinharem pratos cheios de energia e sabor. Tudo apenas para o bem, o mal não tinha vez naquele recinto. E mais…
Soubemos que ali era uma das casas mais queridas do Oaklore, de onde emanava boa parte da magia presente nos músicos. Participaríamos, juntamente com as pessoas que não paravam de chegar, da exclusiva apresentação que se seguiria ali. Nossos corações se encheram de alegria ao saber que novamente seríamos encantados pela mais pura magia…

No andar de cima do Walfenda, os músicos se preparavam tranquilamente. Fora reservado um canto da sacada, onde a banda tocaria a maior parte do tempo, ponto que dava vista para o andar de baixo e para um dragão adormecido, segurança a mais para a casa, que descasava sobre um imenso lustre de ferro, bem no alto. Tudo muito bem enfeitado com folhas e velas acesas de diversas cores e formas. A melhor combinação possível com os figurinos do grupo. Percebi que por precaução ou por algum mistério a nós desconhecido, dois dos artistas carregavam em seus pescoços o que pareciam ser poções de cura e mana e por um breve momento me lembrei das terríveis terras de Hexen, onde essas coisas são essenciais no auxílio dos viajantes que por lá se aventuram. Meu alívio vinha da segurança que os magos alquímicos nos proporcionavam a cada instante. Ali estávamos seguros e conclui que as poções eram só ornamentos para valorizar seu visual.
A feiticeira Aline Polisello, além de nos brindar com sua voz forte e afinada, trazia consigo uma coleção de flautas, cada uma com efeito e som diferenciados, que pareciam brotar do misterioso manto purpura que a envolvia dos pés a cabeça, revelando sua beleza na medida e no momento certo.

Aline Polisello

Nosso mago e mestre Alexandre Chamy ostentando sua túnica tradicional escura, trabalhada em detalhes dourados, parecia um pouco enrolado com a afinação de seu violão. Mas apenas por um breve momento, pois logo as notas limpas e perfeitas passaram a ecoar por todo o lugar.

Gustavo Mugnatto, trajando sua capa tradicional e ostentando sua cabeleira selvagem, logo também demonstrava seus talentos únicos, entoando notas que se completavam as do outro e por diversos momentos sovam junto, tecendo o manto sonoro de pura magia.

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Alexandre Chamy e Gustavo Mugnatto.

Aruan Acesiks e sua percussão indispensável, desta vez trajado com um manto que lhe conferia um ar mítico das terras de Morya, mesmo sendo grande demais para um anão, ostentava sua já de costume barba misteriosa e completava a magia, tranquilamente posicionado no canto atrás dos outros.

À direita, Aruan Acesiks.

Pessoas se espalhavam pelos dois andares, lotando muito depressa a casa. Mas quem estava no andar de baixo não foi prejudicado, pois a banda se deslocou diversas vezes, entoando seus cânticos e canções também por ali. Fomos inclusive surpreendidos, em meio às refeições deliciosas, pela feiticeira e suas flautas, que encantava a todos, tocando por entre as mesas, tornando tudo ainda mais espacial.
Dentre os diversos encantamentos musicais, o grupo abusou de suas inspirações. Entoando temas da vila dos Hobbits, Game of Thrones e a canção da recente novela Deus Salve o Rei. Tudo de forma única e peculiar, cheio da personalidade fascinante presente no quarteto.

Exemplo de uma noite perfeita, o Oaklore se superou, nos trazendo um espetáculo ainda melhor que o da Feira Mística, recheado de versões no mínimo inesperadas para canções do Blind Guardian, Blackmore’s Night e Uriah Heep, do qual Lady in Black surpreendeu demais. Eu já havia ouvido uma outra versão dessa música com o grupo italiano de vampiros, Abiogenesi, mas confesso que essa versão dos mágicos soou ainda mais brilhante e até mesmo renovada em relação ao original. Claro, sem desmerecer o clássico e lendário Uriah Heep.
Há de se entender que existe o uso de uma magia poderosa e antiga em todo o trabalho do Oaklore, que fica ainda mais forte dependo de onde eles tocam. Cada músico se completa um com o outro, cada um também tendo sua magia pessoal, criando uma coisa rara e única.
Outros momentos de igual deslumbramento ainda figuraram na noite, como a sombria e apaixonante Herr Mannelig e as contagiantes composições do já lendário Tuatha de Danann, um grupo de bardos pioneiros em canções medievais no Brasil, que surgiu em meados dos anos noventa.
Contagiante e renovador são atributos que se tornam insuficientes para fazer jus a um show maravilhoso do quarteto de místicos. Ainda mais em um lugar tão especial. O carinho e a receptividade são sempre marcas registradas da banda, inclusive após o espetáculo, quando não há economias na atenção e na simpatia que eles dedicam a todos que se aproximam.

A música é pura magia se interpretada pelas pessoas certas. No interior das almas ela surge como linguagem universal, sendo entendida e absorvida muito além de palavras, por todos os dispostos. Acredito que a espiritualidade se entenda por música, a qual nós aqui na Terra, presos em nossos corpos, conseguimos sentir, se estivermos em sintonia.
Muito mais que uma banda, o Oaklore consegue atingir às almas e criar magia verdadeira, envolvendo todos os corações em um único sentimento de luz e positividade!

No Walfenda Medieval Firewood Steak pudemos apreciar a luz dos quatro fantásticos em todo seu esplendor. Agradeço a maga Angelita Gonzaga, a dona do estabelecimento, uma simpatia de bondade e atenção, por idealizar algo tão lindo e permitir que aconteçam esses sublimes momentos inesquecíveis.

…E ao final da noite só nos restou deixar o local. Prontos, renovados e de almas limpas, retomamos nossa jornada pelas trevas, de volta a nosso distante reino, no Sul, na Terra Sem Lei, com os corações cheios de bravura e as mentes marcadas por cada momento vivido ali. Preparados estávamos agora para qualquer intempérie que pudesse surgir pelos vindouros caminhos longos e tortuosos. Levávamos para todo sempre, lembranças únicas que jamais seriam esquecidas e que aqueceriam nossos corações, até mesmo nas mais frias noites do inverno que estava por vir. Rogaríamos ainda aos deuses que nos permitissem no futuro uma nova oportunidade de rever o Oaklore e até mesmo, porque não, um retorno ao Walfenda, que envolvido em bruma espessa, desaparecia de nossas vistas à medida em que nos afastávamos pela estrada escura…

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