Phil Collins no Allianz Parque

Destaque dos anos 80 e 90 como cantor e baterista, Phil Collins começou sua carreira no Genesis, onde tocava bateria e posteriormente, com a saída de Peter Gabriel, assumiu os vocais, mudando inclusive radicalmente o estilo da banda. Poucos anos depois lançou sua carreira solo e chegou a vender tanto quanto Michael Jackson. Em 2002 lançou seu último trabalho autoral, Testify, que fechou a carreira do músico. Depois disso se reuniu com seus colegas do Genesis em 2007, quando saiu em uma muito bem produzida turnê europeia, posteriormente lançada em CD e DVD. Em 2010 ainda lançou Going Back, onde interpretava canções de outros artistas antigos, influências de sua juventude e em 2011 anunciou sua aposentadoria. Acontecimento obrigatório, pois devido aos graves problemas com alcoolismo, o cantor quase morreu e acabou ficando debilitado na mente e no corpo, chegando a usar cadeira de rodas para se locomover. Desde sua fatídica parada, a primeira vez que que o músico se apresentou foi quando fez uma surpresa na escola de seus filhos em Miami, cantando duas músicas.

Hoje, aos 67 anos, Phil Collins retorna aos palcos, amparado por uma bengala, ostentando uma ótima recuperação. Not Dead Yet (Ainda Não Estou Morto) é o sugestivo nome da turnê mundial e de sua autobiografia, recentemente lançada. O cantor realmente não se entregou. Ainda é capaz de cantar muito bem e reunir um time de músicos de alto nível para nos trazer um dos maiores espetáculos da música no que se propõe. Mesmo sem a mobilidade que lhe era característica, o baixinho se supera em carisma, bom humor e capacidade.

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Para nossa sorte, apesar dos altos preços, a turnê passou pelo Brasil e em São Paulo fomos agraciados com dois espetáculos, dias 24 e 25 de fevereiro. Este que vos fala esteve presente no dia 25, domingo, que não foi muito diferente do sábado. A noite estava linda, clima perfeito e público de todas as idades, prevalecendo as faixas acima de 30 anos. Acompanhando o músico, veio junto a banda Pretenders, muito popular nos anos 80, que abriu o show com muita competência e habilidades renovadas em ressuscitar seu repertório de hits, mostrando ao público que ainda estão melhores que no século passado, provando que o tempo só veio a acrescentar em talento e capacidade. Fizeram um show correto, honrando um merecido lugar na história do Classic Rock.

No entanto, o foco da noite era mesmo o velho e querido Phil. Acompanhado por músicos espetaculares, experientes e bonitos, alguns que já estão com ele desde sempre, como o baixista emblemático e peculiar Leland Sklar e o guitarrista Daryl Stuermer (este que vem desde o Genesis), o cantor adentrou lentamente o impressionante palco iluminado por um imenso painel de LED. Apoiado discretamente por sua bengala, sentou se numa poltrona devidamente preparada e deu início ao show.

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A introdução do show se deu por imagens nos telões com fotos de todas as idades do músico, demonstrando que o que viria a seguir seria histórico e recheado de muita emoção.

Against All Odds ecoou pelo estádio, bela e cristalina e arrancou palmas e lágrimas imediatas. Celulares acesos nos faziam lembrar dos isqueiros durante os shows de um passado onde smartphones eram ficção científica. Muito bonito ver a emoção do público. Muita gente se chocou com a imagem do músico sentado, alguns acharam que se tratava de velhice, outros comentavam que talvez fosse por causa de um acidente no quarto de hotel, na verdade muita gente desconhecia o histórico de vida do músico, algo muito comum no Brasil, onde as pessoas nem sempre sabem muito sobre os artistas que vem para cá.

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Mas a impressão emocional que este início causou logo se dissipou, pois em seguida Another Day in Paradise, hit eterno difundido até hoje principalmente pela rádio Antena 1, levantou os ânimos de todos e mostrou que o cara, mesmo sentado, ainda era capaz de fazer um grande show. Voz impecável, muita produção e qualidade, foram marcas registradas durante toda noite. Além do painel ao longo do palco, três enormes telões também de LED garantiram a visão de todos com imagem perfeita e nítida, num show de luzes e cores, lembrando produções de outros artistas como U2 e David Gilmour.

Foi um desfile de sucessos que nos levaram de volta aos anos 80 e aos antigos rádios que fizeram parte de nossas vidas, num tempo onde não havia internet e mal se tinha um telefone fixo em casa.

Phil Collins falava com o público com muito bom humor, em nada aparentando qualquer deficiência ou cansaço. Era o bom e velho Phil de sempre, apenas sentado. Apresentou seus músicos e foi ovacionado quando chegou a vez da bateria, onde o filho Nicholas Collins de 16 anos segurava muito bem a onda. Também pudera, além do pai, uma das influências do menino é John Boham, falecido monstro da bateria do lendário Led Zeppelin.

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Um dos momentos mais sensacionais do show foi em Throwing It All Away e Follow You Follow Me, ambas do Genesis, carregadas de emoções e nostalgia, principalmente graças as imagens dos telões que exibiam fotos da antiga banda de todas as épocas e de todos os integrantes, passando uma mensagem aos fãs mais radicais que de repente, quem sabe, ainda poderá surgir uma reunião completa, sonho obrigatório de todos os fanáticos por Genesis…

A obrigatória In The Air Tonight veio envolta a efeitos e luzes em azul profundo e o canto certeiro e impecável do mestre Collins, cheio de emoção, logo acompanhado pela bateria forte de seu filho, que como seu pai fazia, foi correto e preciso. A essa altura da noite o show já se encontrava na reta final e veio Invisible Touch, mais uma pista de que Genesis poderia em breve se tornar realidade. Easy Lover foi o momento onde as cantoras deram um show à parte, inclusive demonstrando muito carinho e afeto com Phil, mostrando ao público o quanto aquele show era feito com sentimento e amor. Luzes coloridas e uma imensa chuva de papel picado levaram a galera ao delírio.

No bis tivemos apenas Take Me Home, interpretada com muita intensidade e beleza. E o sonho se encerrou com uma espetacular queima de fogos, celebração mais que bem-vinda de uma inesquecível noite que ficará para sempre marcada nas memórias das quase 40 mil pessoas que lotavam o Allianz Parque.

Certamente que entre outras canções que ficaram de fora, I’ll be In My Heart fez falta, mas tudo foi impressionante mesmo assim. A abertura para canções do Genesis foi mais que necessária, pois era algo essencial para o tom autobiográfico da turnê. De fato todos saíram do espetáculo muito bem avisados de que realmente ele ainda não está morto…

Agora só nos resta aguardar pelo futuro e ver se essa volta vai acabar levando a outra volta ainda maior.

Turn it on again, Mestre Collins!

 

Todas as fotos utilizadas nesta publicação foram tiradas por Marcos Vinicius Troyan Streithorst.

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