Children of the Beast – Manifesto Bar

Assim como AC/DC, Metallica, Kiss, entre outros, o Iron Maiden é uma banda gigantesca, com muito tempo de estrada e inúmeros fãs por todo o mundo. Mesmo que muitos digam que se trata de algo onde o comércio prevalece, artistas desse porte arrastam muita gente aos shows. É quase como uma religião. E geram muita polêmica em dois sentidos, mudando seu som ou mantendo tudo sempre igual. A inserção de novos elementos nem sempre é bem vista e divide opiniões, o que gera alguma tensão entre os grupos de fãs. Uns deixam de ouvir pois julgam se até mesmo “evoluídos” demais para aceitar sempre mais do mesmo, outros não entendem quando a banda muda ou evolui e por aí vai.

São inúmeros os motivos para a aceitação ou não do trabalho de uma banda desse porte. Na verdade, a galera tem o direito de pensar o que quiser, o que não é muito legal é ficar julgando, criticando e até mesmo se sentindo adulto ou superior por causa de um gosto musical. No caso do Iron é frequente o discurso indignado de muitos sobre esta ou aquela sonoridade, o que incomoda muita gente que gosta sem se preocupar em ter nível acadêmico de Heavy Metal… Então, se você é um desses que já não pode nem ouvir falar na banda, ou não aguenta mais a voz do Bruce Dickinson, aconselho que pare por aqui. Tudo que virá a seguir será sobre Iron Maiden, independentemente de qualquer coisa, sem preconceito. Apenas amor ao trabalho desses caras, que querendo ou não, ainda levantam a bandeira do Heavy Metal pelo mundo a fora.

Nesta sexta feira, 9 de março, o Manifesto Bar foi invadido mais uma vez pela Children of the Beast, um dos melhores covers do Maiden que eu já vi. Com 25 anos na ativa, Sérgio Faga (vocal), Eric Carlos (bateria), Binho Harris (baixo), Pedro Migliacci (guitarra) e Guilherme Spilack (guitarra), levam ao público a energia e paixão do repertório da donzela de todas as épocas para fã nenhum botar defeito. Nessa noite em especial o diferencial foi a execução na íntegra do álbum Piece of Mind de 1983. Pudemos sentir toda a magia e preso de um trabalho no mínimo lendário, dos melhores anos do Iron Maiden.

O palco enfeitado com motivos da antiga turnê foi pouco para suportar o talento de músicos seguros no que fazem e sem nenhum pudor em trazer ao público todo o amor e devoção que possuem ao grande ícone da história do Metal. O vocalista encarna Bruce Dickinson, não apenas na potente voz, mas em toda sua atitude e movimentação no palco, usando até os figurinos de seu ídolo, como em The Trooper, onde o uniforme e a bandeira da Inglaterra nos levam direto ao campo de batalha. Fora as canções mais comuns, interessante foi conferir Quest for Fire, Sun and Steel e To time a Land, na integra e impecáveis, tornando o show ainda mais interessante. Não faltou nem o Eddie no palco.

O entrosamento dos guitarristas foi algo notável, deixando dúvidas sobre quem era melhor. Foi um desfile de clássicos que levou o público à loucura. E após o término de Piece of Mind, em meio ao puro contentamento e alegria, fomos agraciados com o cover de Cross eyed Mary, originalmente do Jethro Tull e presente no single The trooper  do Piece of Mind de 1983 e no Aces High, do Powerlave de 1984.

Para mim foi o momento mais peculiar do show. Tudo correu lindamente e banda interpretou essa canção com toda sua energia e potência vocal, encantando principalmente os fãs mais antigos. Curioso ver como ela ganha vida na versão do Maiden. Não desmerecendo o clássico absoluto Jethro Tull, mas com o Iron essa canção vira outra, muito mais poderosa.

E sem perder o ritmo e o calor da batalha, vieram I’ve got the Fire, 22 Acacia Avenue, The Number of the Beast e The evil that men do, completando o primeiro set de forma épica, fazendo brilhar os olhos do público, que foi ao limite da empolgação.

Pouco mais de meia hora depois a banda voltou ao palco, introduzindo o segundo set com Ides of March coladinha com Wrathchild, deixando claro que a noite ainda continuaria com desfile de clássicos. Two minutes to midnight foi muito bem recebida e naquele momento funcionou como uma pausa nos anos de ouro. Então veio a boa e inesperada Man on the Edge, onde os vocais foram divididos com uma fã, que não fez feio, cantando de forma bem aceitável, sem prejudicar a apresentação. Legal ver uma banda velha de estrada agindo sem máscaras, recebendo o carinho dos fãs, inclusive oferecendo seus serviços para festas e casamentos.

The Wicker Man chegou quebrando tudo e o show voltou aos tempos mais áureos com Wasted Years e uma breve e incidental introdução de Massacre, presente no single Infinite Dreams, do Seventh Son of a Seventh Son, de 1988. Nesse momento muita gente não reconheceu essa breve lembrança. Natural, pois nem todo mundo tinha acesso aos singles no passado. E apesar dos tempos modernos, hoje alguns não prestam atenção, devido a quantidade de informação disponível.

Vieram então Can I play with madness e a obrigatória Fear of the Dark, onde a galera pirou de vez. Até as garçonetes caíram nas rodas onde o povo agitava sem parar. Voltamos todos aos anos 80 e a banda curtiu junto executando Hallowed be thy name, Iron Maiden e Run to the Hills, incentivando os diversos moshs que aconteciam, fechando a noite com a mesma maestria e qualidade que ela começou.

Mais um espetáculo bem-sucedido, cheio de amor e dedicação. Uma banda que leva a sério seu trabalho e que sempre nos traz no mínimo o melhor. Foi um momento inesquecível. A Children of the Beast se destaca pela perfeição e por tocar os lados B. Algumas canções que o Iron Maiden nunca tocou e outras que os caras já não tocam mais. Isso faz com que um show desses se torne uma experiência única e realize os sonhos de todos os fãs. Os caras são experts no que fazem e não têm vergonha nenhuma de deixar isso bem claro e ainda envolver a todos, como numa grande família de Iron Maiden, que dura através dos tempos, cada vez mais forte.

Up the Irons!

Forever Children of the Beast!

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