Entre estrelas: Rick Wakeman Project

Na última quinta-feira, dia 5 de abril aconteceu no Café Piu Piu mais uma apresentação do Rick Wakeman Project, desta vez com o diferencial do ambiente, visto que os três últimos shows rolaram no Teatro UMC. Então podemos dizer que o incrível projeto fez sua estreia no circuito das noites paulistanas de Rock Progressivo, fora do Teatro, num dos lugares mais apropriados a eventos de música de toda a espécie.

A casa tem uma tradição de 34 anos de existência, oferecendo qualidade e boa infraestrutura para qualquer tipo de evento, como ficou provado na apresentação desta quinta e em muitas outras de bandas diferentes, até mesmo de grupos de Heavy Metal, como o Children of the Beast, entre outros. Desse tempo todo, ao menos 20 anos, sempre foi hábito do Café oferecer atrações de Rock Progressivo nas suas famosas quintas progressivas.

Já passaram pelo lugar inúmeras bandas de alto nível de qualidade, e não poderia ser diferente desta vez, pois o Rick Wakeman Project nos trás sempre a melhor viagem, desde sua primeira apresentação (você lê sobre os outros eventos aqui no blog). E fora do teatro não poderia ser diferente. Em alguns aspectos foi ainda melhor, pois a proximidade com esses músicos estelares tornou a noite uma coisa intimista, cercada de beleza e magia. O palco pareceu pequeno para tanto brilho, talento e dedicação.

A noite mais que especial começou a me trazer boas surpresas antes do início do show. Logo que cheguei ao local notei que todas as mesas já se encontravam ocupadas, todo mundo na maior ansiedade para rever o impressionante trabalho, alguns estavam ali pela primeira vez. Fui de cara interpolado pelo novo amigo Hilton Rush, que quando viu minha camiseta (do Rush) puxou uma descontraída conversa comigo, me possibilitando uma agradável oportunidade de conhecer um novo amigo. Conversamos não só sobre o que aconteceria ali, mas sim sobre o Rush, uma de nossas paixões em comum. Fiquei muito feliz em adicionar mais uma pessoa de bom gosto ao Roadrock, pois ele fez questão de abrir nossa página e curtir o material.

A noite não poderia ter começado melhor…, mas havia muito ainda por vir. Sem querer descobri onde os músicos estavam e quando me dei por mim já estava entre eles, conversando com todos. A forma como fui recebido está além de qualquer descrição possível, de tanta gentileza e amabilidade. Renato Moog, Cassiano Music Man, Jonatas Queiróz, Carina Assencio e Sandro Premmero, que estavam se preparando para subir ao palco, me receberam com um carinho acima da média. E numa conversa animada com o Cassiano soube que frequentávamos os mesmos lugares, tais como o extinto Mr. Blues. Também falamos um pouco sobre outro projeto do músico, Only a Fool Will Play That – Steely Dan Cover, algo que em breve você vai ler aqui também, pois o Roadrock vai até lá e vai mostrar o potencial incrível que os músicos tem em ressuscitar essa fantástica banda dos anos 70, que fez não só parte da história do Classic Rock, mas também da música de qualidade do mundo, alcançando quase todas as tribos e modas.

Foi um momento do mais puro contentamento poder conversar com essas estrelas tão descontraidamente. Pude agradecer ao Sandro Premmero por ter me mostrado sua banda Atmosphera, algo realmente muito especial no Rock Progressivo nacional, que se você ainda não conhece procure, pois vale a pena.

Depois disso voltei à plateia e dei início às preparações para o registro do show. Quase não deu tempo de fixar o celular e a voz poderosa do narrador Harley Nóbrega ecoou pelo lugar, apresentando cada um dos músicos que calmamente assumiam seus lugares no palco muito bem montado.

Aquele que retirar a espada da bigorna será considerado o Rei de toda a Grã-Bretanha!

E foi assim que Arthur majestosamente introduziu a noite de sonho e contentamento. No palco, Renato Moog e sua tradicional capa, majestosamente dedilhava as magníficas notas, da mesma forma que no teatro, sem perda alguma de qualidade e magia. Nosso Jonatas Queiróz e sua voz magnífica acompanhado pelo flauta imprescindível da maravilhosa fada Aline Polisello, compunha com a banda o cenário verdadeiramente magnífico, que somente a música do Rick Wakeman pode nos proporcionar.

Sandro Premmero estava magnífico em todos os momentos do show, com sempre faz, mas no Piu Piu pude perceber que ele estava bem mais a vontade. Cassiano Music Man e sua bateria forte e precisa impressionava a todos. E as meninas Carina Assencio e Regina Migliore faziam as vozes com magistral competência e beleza, como em todos os momentos em que se dispõe a nos envolver com sua arte (você lê sobre elas também aqui no blog em outros projetos).

Renato Moog simplesmente magnífico, idealizador do projeto, parece mesmo ser o autor das músicas, dada sua intimidade e toque pessoal nos arranjos de teclado e piano, usando o setup quase idêntico aos originais. De fato, deve ter sido um trabalho de muita paciência, amor e dedicação montar esse projeto. E isso a gente nota que o cara tem de sobra, basta conversar um pouco com ele e ver o brilho nos seus olhos. Chega a ser emocionante a dedicação desse músico incrível! Digna de nota também é sua sensibilidade e critério certeiro em escolher os músicos certos para toda essa empreitada. O modo como eles se entendem e se completam funciona quase que automaticamente, conferindo a cada apresentação um tom único e cada vez mais especial.

A primeira parte do show foi composta por diversas peças dos trabalhos de Wakeman e fomos agraciados com um cover de Cat Stevens, Morning has Broken, interpretada com máxima sensibilidade, emocionando a todos. Uma peça nova foi inserida desta vez, Merlin The Magiciam que ficou maravilhosa, mostrando que muito ainda está por vir nesse projeto majestoso. Claro que novamente fomos encantados pela bela Carina Assencio e sua delicada interpretação de Julia, do álbum 1984. Toda vez me emociono com essa interpretação, é realmente um bálsamo poder ver e ouvir a moça cantando essa canção. Fica cada vez melhor.

Anne of Cleves do primeiro disco (Six Wives of Henry VIII) merece destaque pelo excelente trabalho de velocidade e precisão desses músicos, principalmente do Cassiano, pois aqui o cara solta os bichos na bateria caótica desse som! Algo que me lembrou as loucuras magistrais do Gentle Giant.

Nosso querido Roger Troyjo, vocalista de tantas bandas, surgiu no bar e fez sua imprescindível participação em Roundabut do Yes, momento já bem aguardado por todos.

Após o término dessa primeira parte, veio um intervalo, onde foi oferecido ao Renato uma singela comemoração por seu aniversário. E durante esses momentos de alegria outras surpresas atravessaram meu caminho, dentre elas uma ótima conversa com Roger sobre vários aspectos do seu trabalho, além de muitas outras coisas. Descobrimos que temos muito em comum e acertamos uma bela entrevista que em breve você vai ver aqui.

rickwake

Também tive o prazer de reencontrar o Clóvis Guimarães que me apresentou sua amiga Lilía Troque, assim como ele, incentivadora da boa música e frequentadora assídua do Café Piu Piu. E junto a eles finalmente conheci em pessoa o André Bortolo, que tenho no Facebook há tempos, grande apreciador do Rock. Também fui agraciado em conhecer a delicada Karen Lys, mais uma personalidade adorável, que agora faz parte dessa grande família que tem sido o Roadrock.

Não posso deixar de mencionar o prazer que foi conhecer pessoalmente uma grande admiradora do blog, Eunice Ramos. Que junto com seu filho Igor Goldstein, me proporcionaram momentos de pura alegria e prazer. Fiquei impressionado com a união desses dois. Mãe e filho sempre juntos, prestigiando a boa música. Conversamos e tiramos fotos, realmente momentos muito especiais e que provaram que as estrelas estavam por toda parte, não somente no palco.

Roadrockigoreunice

Tive o grande prazer de reencontrar também meu amigo querido Alexandre Chamy (Oaklore, Ceos), sempre presente nos shows de sua adorável esposa Aline Polisello, que me recebeu de braços abertos e me informou que o novo disco do Ceos sai no final do ano.

Destaque também dos encontros inesperados foi o querido Carlos Camasi(Yessongs), que surgiu de repente me agradecendo pelo trabalho do blog e conversamos por algum tempo. Um cara sensacional, além de grande baterista.

Ainda nesse intervalo, eu tive o grande prazer de conhecer o Rodie da banda, Ricardo Lima, competentíssimo e muito simpático, contou-me que trabalha com todas as bandas de progressivo que os músicos se envolvem e só com o Roger Troyjo tem quinze anos de parceria. Ele está há vinte e cinco anos na noite. Me explicou ainda que o termo Roadie quer dizer assistente de estrada, e que a terminação ie é justamente por isso, algo que eu desconhecia. Também se mostrou muito solicito em conversar com a gente em outro momento, contando sobre seu trabalho e muitas outras coisas. Em breve teremos mais uma entrevista surgindo por aqui, pois nosso amigo já está adicionado em nossas fileiras.

Encontrei a bela Regina Migliore e pude entregar a ela os vídeos que fiz da empolgante apresentação de sua banda 80 Graus. A menina é uma simpatia e por alguns momentos pude compartilhar de sua energia positiva em uma breve conversa. Também agradeci a ela por ter me convidado ao evento.

E depois de tantas emoções, veio ainda mais, pois a banda subiu novamente ao palco e a Jornada ao Centro da Terra começou. A narração de Harley Nóbrega, direto do parapeito do andar de cima, onde ele e seu livro majestosamente se posicionaram foi algo impressionante, tal como no Teatro.

A Jornada foi magnífica, mesmo sem a voz da nossa Aline (sua garganta não estava boa), ainda assim ela nos encantou com seus outros talentos na flauta e piano, além de sua bela presença de palco, claro. Todas as pessoas que lá estavam ficaram cativas do talento dessas estrelas, que mais uma vez conseguiram deslocar todo mundo para o centro da Terra. Muita luz, sabedoria, dedicação, amor, talento, carisma e arte acima de tudo, faz com que qualquer apresentação do Rick Wakeman Project seja sublime, não importa onde eles se apresentem e isso ficou mais do que provado nessa noite linda. O projeto parece ser perfeito para qualquer audiência. Aposto que até nisso eles pensaram. É muita engenhosidade junta.

Depois que o espetáculo acabou ainda pude conversar com cada estrela que estava ali. Sandro Premmero e Jonatas Queiroz me contaram ter visto as antigas apresentações que ocorreram no Memorial da América Latina, quando foi feito um projeto semelhante, e se admiraram por hoje estarem envolvidos numa coisa ainda maior.

Perguntei ao Sandro sobre seu projeto de aprender a tocar flauta, sugeri futuramente montar um Jethro Tull Cover e foi quando ele me contou a história de sua antiga dupla, Sandro e Carlão, que durou por vinte anos, tendo acabado infelizmente, com a morte de seu amigo Carlos Moura, por quem ele tinha muito apreço, um dos maiores cantores que ele já conheceu, também fã de Wakeman e muitos outros ícones do Progressivo. Ele me contou que sua flauta transversal pertencia ao falecido músico e que lhe foi dada pela família, pois ele era a melhor pessoa para ficar com ela, visto que era seu melhor amigo, daí seu interesse em aprender. Fiquei também surpreso em saber que a flauta que a Aline estava usando era aquela. Refletimos que a memória do músico continuava viva ali no palco, pois ele teria adorado fazer parte de algo assim. Sem dúvida um momento de grande sensibilidade na noite.

Depois disso fui apresentado a esposa do Renato Moog, Rosa Alexandra, muito amável e educada, ela conversou comigo por algum tempo, demonstrando todo seu carinho pelo meu trabalho, algo que me deixou ainda mais surpreso e envaidecido. Percebi que o Renato tem milhares de motivos para ser o grande cara que é, pois ficou nítido a paixão e apoio que ela oferece para sua carreira, uma companheira fiel e incentivadora, fã de todo seu trabalho e grata a todos que o apoiam. Uma simpatia de pessoa que me fez sentir privilegiado em conhecer e conversar e que agora faz parte da minha lista de amigos.

E fechei a noite mais uma vez conversando com o Roger, agora vocalista do Terreno Baldio, que fará sua estreia no próximo dia 21 de abril, no Totem Prog, evento que vai acontecer no Teatro UMC e contará ainda com, dentre outras bandas, o lendário Som Nosso de Cada Dia.

Fui obrigado a deixar o ambiente estelar depois disso, visto que o estacionamento onde estava meu carro iria fechar, afinal já era quase três da manhã. Foi uma noite de encontros com estrelas de todo o tipo. Algo sem dúvida muito especial.

O Rick Wakeman Project é algo que se torna cada vez melhor, pois como disse ao Renato, após lhe dar os parabéns, não se trata apenas de um cover, mas sim da alma e sensibilidade de cada músico, algo que dá vida a obra de uma forma excepcional, fazendo com que cada apresentação seja sempre muito bem vinda.

Deixei o Café Piu Piu com meus sonhos realizados mais uma vez e muito feliz por ter conhecido tanta gente boa que lê minhas matérias e gosta do que encontra. E mais feliz ainda por estar entre meus ídolos, que tanto fazem para se tornar inesquecíveis em nossas vidas. Agradeço o carinho e atenção e espero sempre poder levar a todos o que meus olhos contemplam e meu coração sente.

Sem dúvida foi uma noite entre as estrelas que espero viver muitas e muitas vezes ainda!

Um comentário em “Entre estrelas: Rick Wakeman Project

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  1. Parabéns por mais este belo texto Marcos é que retrata com fidelidade ímpar os acontecimentos pessoas e ambiente e principalmente o clima artístico e de descontração criado nesses encontros musicais … Já te falei pessoalmente e reitero que voce vai longe com seu trabalho isso é uma confirmação e uma torcida também porque de certa forma consegue expressar o que todos que compartilham do prazer de estar juntos aos amigos e curtindo uma boa música gostaria de expressar …
    Abraço obrigado e boa sorte sempre!!

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