Ummagumma: Pink Floyd Tribute

Citybank Hall, 13 de abril de 2018

E mais uma vez Pink Floyd. Só não é mais do mesmo porque cada banda tem sua personalidade e forma de abranger a admirável carreira do grupo. O Ummagumma faz isso de forma brilhante e apaixonada já há algum tempo. Agora, com turnês por vários lugares do Brasil, a banda alcançou um nível de qualidade impressionante e musicalmente se preocupa com os mínimos detalhes, imprimindo sua personalidade no som, criando um espetáculo envolvente, direcionado ao fã mais exigente, aquele que chega querendo conferir as faixas maiores, menos populares, onde fica a essência de um dos maiores ícones do Rock Progressivo.

Nessa noite mágica, encontramos com muita alegria a Eunice Ramos e seu filho Igor Goldstein, figuras assíduas nas apresentações da banda e pudemos trocar algumas informações musicais e tirar boas fotos, curtindo momentos descontraídos de excelentes vibrações antes do show, pois é sempre muito gratificante estar com pessoas especiais como eles. Apaixonados pelo Universo do Rock, os dois sempre se aventuram pelas apresentações de diversas bandas nas noites da cidade.
Este ano o incrível Ummagumma nos trouxe um show onde a banda se preocupou em montar um set de primeira, abrangendo a carreira do Floyd como um todo, destacando o início com Syd Barrett e as variações de som que se seguiram depois, sem deixar pontas soltas, fazendo a alegria de todos, principalmente dos fãs mais sistemáticos. Não foi é toa que o nome da turnê é Through the Years (Através dos Anos).
Isabela Morais(vocais), Oswaldo Duarte(vocais, sax e celo), Otávio Pieve(bateria), Eduardo Botrel(guitarra, vocais e violão), Felipe Batiston(teclados e vocais), Marquinho Wayne(baixo e vocais) e Bruno Morais(guitarra, vocais e violão), se posicionaram no palco e entre luzes coloridas deram início ao show com Astronomy Domine, Arnold Lane, Set the Controls for the Heart of the Sun e Childhood’s end. No telão circular atrás do palco, imagens com líquidos coloridos eram exibidas. Durante essas primeiras músicas a banda economizou um pouco nos efeitos de luz, fazendo da sutileza uma invocação dos shows antigos do Pink Floyd.

Então fomos surpreendidos por Fearless, do Meddle numa interpretação cuidadosa, muito bem-feita, onde o vocalista e guitarrista Bruno Morais canta sozinho as últimas frases, aquelas onde no álbum é um público quem canta, dando um ar de som ao vivo. Momento em que fica evidente o sentimento e o amor, que fazem do Ummagumma mais que uma banda cover.
Time então chega cheia de efeitos de luz e relógios para todo o lado. E logo The Great Gig in the Sky encanta a todos com a belíssima interpretação de Isabela Morais que sozinha faz o que normalmente é sempre dividido entre três cantoras (nas outras bandas e no Floyd). A menina segura muito bem a onda e ganha o respeito do público, num dos mais emocionantes momentos do espetáculo, conquistando a todos com sua beleza e talento incontestáveis.
Money fechou o set Dark Side of the Moon, cheia de improviso e com muito sentimento, um espaço onde a banda pode expressar ainda mais sua personalidade fantástica. Voltamos ainda a seguir em Echoes, executada na íntegra e mais espacial do que nunca. Shine on the Crazy Diamond e Pigs completaram mais uma sequência de viagem para fã nenhum botar defeito.
Depois da magistral trinca, Bruno falou com o público e contou que anos atrás, no show do Australian Pink Floyd, ali naquele mesmo lugar, no balcão de cima com sua família, notou que a banda havia tocado Echoes com todos os seus vinte e três minutos. Naquela noite ele prometeu a si mesmo que um dia tocaria naquele local e agora já estava ali pela segunda vez. Um momento de emoção que a banda dividiu com o público, recebendo os aplausos de todos.
No Ummagumma a preocupação com os detalhes impressiona. Tudo funciona muito bem, competente e extremamente elaborado, das luzes aos efeitos sonoros. E a simpatia de todos ajuda muito a construir uma boa relação com o público fiel.
E o show continuou com Another Brick in the Wall II, do jeito que está no álbum, sem mais nem menos. The Fletcher Memorial Home surpreendeu muita gente, pois o The Final Cut, apesar de ser um bom disco na minha opinião, causa alguns narizes torcidos e não é muito mencionado na história da banda original, a não ser como ponto de discórdia entre os músicos, pois foi ali que houve a separação. Mas contar a vida de uma banda tem que mencionar os altos e baixos e foi essa a intenção dos músicos, mostrar um pouco de cada época, traçando a melhor biografia musical possível.
Sorrow e High Hopes representaram os últimos trabalhos de 87 e 94, escolha de muito bom gosto. E Wish You Were Here veio para dar o aparente adeus e assinar com tinta dourada o final do espetáculo. Mas ainda, como de praxe, teríamos um bis.
Confortably Numb indispensável, garantiu mais um show de luzes e efeitos, com uma interpretação magnífica satisfazendo por completo um público que foi ver um show onde o apresentado surpreendeu muito mais que o usual, passando por quase todas as fases da banda.
The Endless River e Atom Heart Mother ficaram de fora. Talvez por falta de tempo, ou por algum outro motivo, pois um é feito de sobras e o outro não é lá muito popular, nem mesmo entre os músicos originais. Eu por minha vez senti falta apenas de algo do Atom…
Mais uma vez o Ummagumma encantou a todos e realizou o sonho de muita gente, invocando canções antigas e viagens que hoje em dia nem os músicos originais em suas carreiras bombásticas têm o hábito de tocar. Foi um belo momento de esquentar os motores para o vindouro show do Roger Waters em outubro, que promete também ser mais uma biografia do Floyd e da carreira do músico, que acabou de lançar mais um álbum (Is this the Life We Really Want?).
Noite mágica e simplesmente inesquecível!
“The grass was geener…
The light was brighter…
When friends surrounded

The nights of wonder…”

Set list:
Astronomy Domine
Arnold Lane
Set the Controls for the Heart of the Sun
Childhood’s end
Fearless
Time
The Great Gig in the Sky
Money
Echoes
Shine on the Crazy Diamond
Pigs
Another Brick in the Wall II
The Fltecher Memorial Home
Sorrow
High Hopes
Wish You Were Here
Confortably Numb

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