Totem Prog 2018 – Parte 2

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Totem Prog II – Domingo

Segundo dia do festival. Desta vez cheguei ao Teatro UMC sozinho, porém na hora certa, pouco antes do início dos shows. Fui recebido logo de cara, agradável e calorosamente pelo Nelson Martins, diretor do teatro que me deixou à vontade para escolher o melhor lugar para filmar as bandas. Muito gentil e amável, se mostrou muito contente por minha presença, fazendo questão de afirmar que ali sempre serei bem recebido. Notei que havia menos pessoas do que no dia anterior, mas foi só nesse primeiro momento. Mais tarde chegou mais gente. Inclusive fui agraciado em encontrar algumas figuras ilustres durante os intervalos que se seguiram. Estava lá o grande Jorge Carvalho, baixista magnífico do Arcpelago, com quem pude conversar bastante. Temos muito mais em comum que apenas camisetas do Eloy. Um cara sensacional, que agora faz parte não só do meus  ídolos, mas também dos amigos. Deu para ver que além de ser um artista impressionante, também é uma pessoa formidável.

Jpeg

Tirei fotos com o grande Willy Verdaguer, do Humahuaca e conheci pessoalmente o Bruno Moscatiello, guitarrista do ótimo Kaoll, como contei na primeira parte dessa matéria.

Com o Renato Shimmi conversei bastante também, falamos sobre as ideias de seu livro, rock progressivo e trabalhos solos que o Bruno está desenvolvendo. Ficaram no ar as participações especiais que ele está levando para esse trabalho. Parece que vai ser uma grata surpresa. Só não consegui conversar com o Yuri Garfunkel, flautista genial do Kaoll, pois faltou tempo, visto que naquele momento o Violeta de Outono já estava subindo ao palco e nos apressamos para conferir o show. Ainda espero ter uma outra oportunidade de conversar com o Yuri, vamos ver nos próximos shows.

Esqueci de mencionar  na primeira parte que o Festival Totem Prog é um evento organizado também pelo Fabrício Bizu, além de Roberto Oka.

Foi realmente sensacional conhecer gente tão interessante que trabalha em coisas tão fantásticas. De quebra ainda conheci um fotógrafo, Ricardo Koetz, que possui uma página na internet, onde ele relata suas experiências com shows desde 1981. Um cara sensacional com quem troquei contatos e ideias também. A página dele é bem legal, vale dar uma olhada lá: www.bluesrockshow.com O cara é um pedaço da história dos shows de rock no Brasil e no mundo! Muito legal mesmo.

Seguem minhas impressões sobre os espetáculos que tive a sorte de presenciar neste dia. Consegui reunir certo número de informações, mas acredito que podem faltar alguns dados, peço desde já que me desculpem, mas acredito que ainda assim consegui resumir o que foi este dia, afinal meu trabalho todo consiste mesmo de expressar aquilo que sinto, colocando o leitor o máximo possível dentro do que presencio.

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Sent U Feelin’

Tadeu Galvani, Luís Tepedino, Pedro Novaes, Gustavo Von Borel e Victor Hugo formam esta banda que passeia pelo Reggae e Rock Nacional, sendo fortemente influenciada pelo Rock Progressivo. Abriram o show com Breathe, cover muito bem-vindo do Pink Floyd, numa versão competente e muito bem tocada. Depois executaram algumas de suas canções com muita habilidade e boa qualidade sonora. No palco, a banda assume uma postura muito simpática deixando o público a vontade para curtir seu som, com riffs de guitarra muito bem colocados e um vocal sólido e potente no que se propõe. A participação de Robertinho do Recife foi o que deu o tom mais progressivo, chegando até a ter um certo ar de New Age, com notas viajantes e um toque de virtuosismo, numa presença de palco marcante e muito bem-humorada. Foi tudo muito agradável apesar de ser bastante diferente das bandas do dia anterior e até mesmo do que ainda estava por vir.

No entanto isso não reduziu de forma alguma o valor da apresentação dos caras, que têm muita atitude e garra, justificando o nome da banda. Ficou muito claro neste evento que o Rio de Janeiro é mesmo o berço das bandas de rock. E que progressivo, além de ser uma vertente muito forte por lá, é um gênero que vem crescendo em qualidade e quantidade. Para uma banda de abertura, fizeram sua parte muito bem, agradando na medida certa o público exigente que lá estava.

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Milton Medusa Trio

A primeira coisa que essa banda me lembrou foi do Ronnie James Dio (Elf, Rainbow, Black Sabbath, Dio). Não pelo som, mas pela aparência do Milton, que achei muito parecido com o ele, talvez por causa do corte de cabelo. O estilo dos caras nada tem a ver com Heavy Metal e, por incrível que pareça, também achei ter pouco a ver com Rock Progressivo. Mas ninguém reclamou e nem podia, afinal a qualidade do trio falou mais alto. Com dez anos de estrada, o Medusa Trio toca um Rock Clássico fortemente influenciado por Blues, com riffs poderosos e cheios de sentimento. Me lembrei também de outro trio da pesada, o Stringbreaker and The Stuffbreakers (você lê sobre eles aqui no blog), que se apresenta na calçada da Paulista gratuitamente com frequência. A diferença é que um soa mais blues do que o outro e o estilo de cada guitarrista também sofre influências diversas.

Também nesta apresentação pudemos conferir o Robertinho do Recife, tocando While my Guitar Gentle Weeps dos Beatles, numa versão instrumental bem mais elétrica e poderosa, sem tirar o mérito do original. Fernando Cardoso (Violeta de Outono e Som Nosso de Cada Dia) também estava lá, tornando o trio um quarteto. Depois o Robertinho ainda brincou com a galera: ‘’Parabéns gente, obrigado, eu estou aqui o tempo todo me intrometendo nesse festival, mas esse festival é o do Oka e ele é meu empresário, por isso que estou aqui! Sacou? Pense no Rock in Rio aí chega um pagodeiro e entra… To me sentindo um pagodeiro aqui! Mas eu adoro progressivo! Na minha juventude eu era progressivo e não sabia… O Zé Ramalho é progressivo… bom, eu acho que ele é… Mas deixa, to falando besteira, tchau rsrs…’’ E saiu do palco acenando para a galera. Um cara muito simpático e, brincadeiras à parte, músico de mão cheia.

E o espetáculo continuou, com o Fernando dando um ar de Deep Purple na apresentação. Sonzeira maravilhosa, de categoria e muito groove. Um rock maduro, bem tocado, que fez todo mundo viajar e lembrar de várias coisas como Eric Clapton, Rush, Pink Floyd, Kansas e muitos outros medalhões. Executaram um meddley clássico muito bem montado que conquistou a galera e encerraram o show em grande estilo, deixando todos muito satisfeitos.

Ficou muito claro o nível desse trio, que mostrou seu valor, com garra, talento e qualidade. Isso sem falar no trato com público, onde se destacava a simpatia e humildade dos mestres, que apesar do tempo de estrada ainda sabem valorizar um público inteligente e de respeito.

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Stratus Luna

Primeira banda do dia a executar um progressivo puro. E a maior ironia de todas (muito bem-vinda inclusive) foi que se tratou da banda mais jovem do festival, algo que até poderia preocupar os atentos e experientes expectadores afinal, nesse complexo estilo, experiência e maturidade musical contam muito. E convenhamos, nas novas gerações o Rock em suas diversas formas, vem perdendo o terreno, não sendo lá muito popular entre as camadas de jovens. O que dizer então do Rock Progressivo, com todo seu trabalho, mistura de influências e complexidade musical?

Mas os meninos provaram já logo de cara que estavam ali para mostrar que a semente da música de qualidade germinava ótimos frutos. Extremamente habilidosos, executaram um progressivo de respeito, a lá Yes, Nektar, Jane, Eloy, entre outros grandes e lendários nomes  na Europa e no mundo. Caíram nas graças do público já na primeira música, um petardo de pouco mais de sete minutos, impressionante, viajante e mágica, como todo resto do show. Gustavo Santhiago (teclados), Giovanni Santhiago Lenti (bateria), Ricardo Santhiago (guitarra) e Gabriel Golfetti (baixo e filho do Fábio Golfetti do Violeta de Outono!) constroem uma música fantástica, muito bem arranjada e madura. Mostraram para todos que idade é só um detalhe, quando se tem paixão, talento e dedicação. Ricardo e Gustavo são irmãos e o Giovanni é primo deles. Inclusive o Gustavo já tem um CD solo lançado.

Tímidos no trato com o público, demonstraram que a banda trabalha muito e se preocupa com os resultados de seu material, proporcionando a todos a maior jornada musical do dia até aquele momento.

Gabriel Golfetti deve ser o orgulho do pai em muitos aspectos, mas com certeza na música principalmente. Como toca esse garoto! E acabou de entrar na banda. Cercado por jovens estrelas, o baixista nos mostrou todo seu virtuosismo e perfeição.

Destaque para a espetacular versão de 21st Century Schizoid Man, do King Crimson, claramente outra das grandes influências do Stratus Luna. Música que foi muito bem recebida por todos. Também pudera, os caras simplesmente fizeram a melhor versão que vi na vida e foram ovacionados pelo público que aplaudiu de pé. Mais um grande momento que completou a vitória do grupo.

Ficamos ansiosos quando, entre uma música e outra, anunciaram que o CD será lançado em breve. Os meninos deram aos espectadores o melhor, uma apresentação rica e de qualidade muito acima da média. Inspiradíssimos e muito bem entrosados, mostraram que o Rock Progressivo sobrevive geração após geração, se renova e se adapta, continuando através dos tempos.

Quando o show acabou todos queriam mais, tamanho o efeito da viagem. Para mim foi reacendida a esperança de conhecer mais bandas jovens. Vale destacar que durante o cover, Giovanni Santhiago fez um solo de bateria digno dos mais incríveis artistas, enriquecendo ainda mais um momento que já era causa ganha.

Começaram ali as apresentações mais progressivas do domingo, sem desmerecer é claro as bandas que vieram antes.

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Humahuaca

Conversando com o Nelson Martins, após o show do Stratus Luna, pude perceber sua expectativa em relação aos músicos que se preparavam no palco. Notei que um deles eu já conhecia da TV. Derico Sciotti, saxofonista que participava do Quinteto Onze e Meia no extinto Programa do Jô, preparava seu set com dois magníficos saxofones dourados e uma flauta transversal de mesma cor. Fiquei imaginando como seria o espetáculo a seguir, pois o que me vinha à cabeça era algo de jazz. Então o Nelson me disse que o que iria acontecer ali seria a apresentação mais forte e virtuosa do domingo até então. Já era noite e parecia que o festival não teria hora para acabar. Pensei de imediato em coisas como Gentle Giant, Focus, etc.

O Humahuaca já se apresentou ali no ano anterior e agradou a todos. Eu os veria pela primeira vez. Notei que o público aumentou e que grande parte das pessoas estava ansiosa para rever os caras. Ansiedade justificada, pois o que viria a seguir seria algo esplendoroso e magnífico em todos os sentidos.

Um pouco de história…

Willy Verdaguer é um músico argentino, maestro, baixista e arranjador, que veio para o Brasil em 1967, foi integrante dos Beat Boys, que acompanhou Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa nos antigos festivais da Rede Record. Na década de sessenta integrou os Secos e Molhados, onde tocou baixo e foi responsável pelos arranjos entre 73 e 74. Em 76 montou o Humahuaca, um grupo de jazz rock com influências de MPB e música regional latino-americana. A atitude e qualidade do grupo acabou por chamar a atenção de Elis Regina, que declarou na TV a importância do grupo no Brasil, realizando um trabalho junto a eles. Disso resultou um vídeo que é um registro histórico da banda em ação. *

O espetáculo hoje em dia…

Fernando Thomaz(bateria e bateria portátil), Derico Sciotti(flauta e sax), Lucas Vargas(teclados e acordeom), Thiago Lima(guitarras) e Willy Verdaguer(baixo, flauta de Pan e composição dos arranjos) tomaram o palco do Teatro UMC e encantaram a todos com um progressivo pesado, cheio de personalidade e experimentalismos, garantindo uma apresentação espetacular, feita por músicos experientes e competentíssimos, carregados de vontade e sentimento, focados em nos trazer sua arte.

Willy é um show à parte, conduzindo com maestria uma música complexa, exigindo dos artistas toda a sua capacidade. Derico na flauta demonstra todo seu talento, chegando a lembrar um pouco o Ian Anderson do Jethro Tull, mas sem as poses e performances. Uma flauta bem tocada e perfeitamente afinada, exatamente aquilo que se espera de um músico de seu nível.

Dentre as camadas sonoras, as incursões de acordeom de Lucas Vargas caem muito bem, enriquecendo as viagens. Fiquei impressionado com a bateria portátil, algo que eu nunca tinha visto e que deu um tom a mais ao espetáculo. Também merece nota a guitarra pesada de Thiago Lima.

No Humahuaca cada músico contribui para um todo espetacular gerando uma verdadeira massa de som de alta qualidade e muito bem arranjada, capaz de sequestrar o público, deixando todo mundo sem noção de tempo. A banda tem muita capacidade de prender a atenção pelo grande trabalho que executa ao vivo.

Destaque para E o Vento Trouxe, onde Willy toca a flauta de Pan, numa bela música, lembrando canções peruanas, permeado pelo acordeom numa melodia maravilhosa, onde os outros músicos os acompanham com uma harmonia mágica e muito forte, como tudo que os caras fizeram no show.

Em um dos momentos entre as músicas, Willy se dirigiu a plateia e disse que já fazia cinquenta anos que havia chegado ao Brasil e já havia caído direto em um palco nos festivais e que a próxima música seria uma auto-homenagem àqueles dias. Então tocaram uma linda versão instrumental de Alegria Alegria, de Caetano Veloso, enquanto no fundo do palco eram exibidas cenas daqueles tempos áureos.

Índio Terra Corações também nos trouxe um ar de música dos andes, apesar de sua guitarra envenenada e cheia de estilo. Chamou muito minha atenção a canção O Padre, onde Willy se veste a caráter e faz o baixo literalmente falar, entre orquestrações poderosas, chegando a soar até um pouco mais pesado do que o usual, um momento impressionante e de criatividade extrema, apesar dos apenas dois minutos e pouco de duração.

Montanhas foi a canção mais doce do espetáculo, com arranjos de flauta e acordeom, numa combinação iluminada que nos faz literalmente contemplar as montanhas mais belas do mundo. Momento de grande emoção e delicadeza, condensadas a uma harmônica poderosa, sem deixar o sentimento de lado.

Genial é pouco para descrever o trabalho desses músicos que fez do evento uma oportunidade única para que pudéssemos conhecer algo simplesmente fora dos padrões mais comuns, que explora nossas mentes sem medida e atinge nossos corações em cheio, com emoções nunca experimentadas.

Me tornei fã de imediato…

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Violeta de Outono

Esta banda de São Paulo foi formada em 1984 por Fabio Golfetti, Ângelo Pastorero e Cláudio Souza moldando as tendências do rock nacional na época a influências psicodélicas de Pink Floyd e Beatles. Se tornaram clássicos ao longo dos vinte e cinco anos de carreira e fazem parte da história se mantendo longe das camadas mais populares do rock. Seus concertos são conhecidos pela atmosfera hipnótica e sons espaciais, e se tornaram a marca registrada da banda. Seu primeiro LP, homônimo, de 1987, marcado por uma psicodelia envolta em sombras, conseguiu a proeza de angariar fãs de Rock Progressivo e dos estilos pós-punk e dark/gótico. Muitos anos e álbuns depois, o Violeta de Outono lançou em 2007 Volume 7, um novo marco para o som do grupo, com influências de rock, jazz, pop e um pouco da cena inglesa de Canterbury da década de 1970. Em 2012, o Violeta de Outono lançou seu novo CD, Espectro, que ganhou recepção calorosa tanto no Brasil quanto no exterior. Com o seu estilo melódico e bem elaborado, o grupo está conquistando um crescente reconhecimento dos ouvintes e da imprensa musical. **

A formação atual conta com Fabio Golfetti (guitarra & vocal), Gabriel Costa (baixo), José Luiz Dinola (bateria) e Fernando Cardoso (órgão, piano & synth) e se apresentaram no Totem com um show curto, porém de grande capacidade e sensibilidade, com um set feito por canções mais progressivas, que colocou todo mundo numa dimensão onde o psicodélico caminhava lado a lado com melodias espaciais a lá Pink Floyd.

Abrindo com Parallax T-Blues e seus efeitos que lembram um pouco A Saucerful of Secrets do Pink Floyd, já ganharam de imediato a atenção dos que ainda estavam presentes. Veio então para completar a viagem, a canção Formas Pensamento, com um vocal limpo acompanhado pelo teclado magnífico de Fernando Cardoso. Uma bela música que mostrou o tom que o espetáculo teria, a mais pura beleza.

Algum Lugar veio cheia de arranjos de piano, uma canção mais rápida, não menos bela por causa disso, parecendo combinar tão perfeitamente com as anteriores que era como se a banda estivesse ali contando uma história em que primeiro era libertada a imaginação, para depois entrar num mundo fantástico onde uma peça harmoniosa se desenvolvia, cheia de amor e aventuras fantásticas. Sensacional a capacidade desses músicos de apaixonar a plateia de imediato!

Júpiter a seguir manteve o tom conceitual, nos levando a reflexões sobre nossas próprias vidas e as pessoas que se foram, mas nunca deixaram de ser lembradas. Uma canção com um certo ar de nostalgia, bela e poderosa, sem deixar de nos encantar pela beleza dos arranjos.

Solstício voltou a cena psicodélica, lembrando muito os trabalhos do começo da carreira do Floyd, os tempos de Syd Barrett. As raízes da banda estavam presentes nessa parte do show de uma forma a fazer com que voltássemos ainda mais no tempo, quando o rock dominava a cena de São Paulo e diversas tendências, um tempo onde a juventude questionava e procurava mostrar sua indignação, bem diferente de hoje em dia.

Além do Sol veio para acalmar um pouco as coisas, nos trazendo de volta a harmonias mais suaves dos teclados que logo caíram num rock gostoso, lembrando coisas mais simples, como as canções do Ira, Plebe Rudge e outras bandas de mesmo tom que proliferavam a cena por volta de 1987. Aqui pareceu que a banda queria concluir uma narrativa intuitiva que elaboraram a cada canção, ilustrando de forma sutil sua história e principalmente sua relação com o público que ainda os acompanha.

E para nossa tristeza Fronteira foi a última canção a nos brindar com um progressivo harmonioso e muito bem amarrado, chegando a lembrar algumas coisas mais setentistas, como os primeiros discos do Eloy. Sonzeira muito louca, cheia de climas e vocalizações limpas a demonstrar muito sentimento, por vezes se apresentando como uma canção épica, soando ainda mais como os grandes medalhões do estilo. Um encerramento digno de uma banda lendária, algo que pode fazer parte da sua vida para sempre, como agora faz da minha.

Esses músicos são fora do comum, experientes e criativos, ainda na ativa, fazendo um som maravilhoso para ninguém botar defeito. O único ponto baixo desse show foi a duração. Poderíamos ficar ali por mais de duas horas curtindo o som dos caras. Uma verdadeira viagem da consciência. Mais um ponto alto do festival que a essa hora já se consagrava como o melhor e maior evento do tipo no Brasil.

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Sérgio Hinds

Um dos mais importantes grupos brasileiros dos anos setenta, O Terço foi onde o guitarrista Sérgio Hinds fez história. A banda ficou muito conhecida como sendo o Yes brasileiro, graças as composições progressivas de alta qualidade que fizeram parte de seu repertório maravilhoso. E entre altos e baixos, a música deles sobrevive e hoje é tida por muitos como medalhões sagrados.

Para este festival, foi convidado Sérgio Hinds, que veio com a missão de tocar O Terço Instrumental, prejudicado um pouco pelo dia do evento. Seu trabalho seria a última banda a tocar neste domingo, então muita gente já havia ido embora, visto que acabou ficando muito tarde. Azar deles, pois o show foi maravilhoso, combinando com todas as outras atrações do festival inteiro. O músico é extremamente competente, e tocando com Fernando Cardoso(teclados), Geraldo Vieira(baixo) e Fred Barley(bateria), nos levou ao delírio com canções longas e muito bem executadas. Uma apresentação precisa, de alto nível e muita presença de palco. O músico parecia um artista internacional, esbanjando simpatia e talento durante todo o show. E trazia uma guitarra estilosa, espacial, com formas arredondadas, um toque ainda mais brilhante à presença desse músico espetacular.

No início, fez questão de interromper a execução de 1974, pois não estava de seu agrado a qualidade. Adorei a atitude, pois não havia conseguido gravar a tempo e a música ia ficar incompleta, justamente a que eu mais queria registrar. Graças a interrupção, pude registrar do início e fiquei muito satisfeito. Logo ela vai par nosso canal no Youtube.

Foi um espetáculo divinamente autêntico e poderoso. Rock Progressivo em toda sua essência, com viagens que nos garantiram uma bela noite de sonhos realizados.

O tom foi de encerramento com chave de ouro, declarando a cada um dos que ficaram até o fim que o Rock Progressivo estava mais vivo do que nunca. Ficou subentendido que a possibilidade de um Totem Prog III seria algo muito possível.

Conclusão

Não estive na primeira edição. Mas ela deve ter sido impressionante também, a julgar pela qualidade do evento neste ano. A tendência é ser sempre melhor, então para o ano que vem se preparem…

Os dois dias foram além de todas as minhas expectativas. Pude assistir meus ídolos de perto, conversar com eles, conhecer novos talentos e pessoas maravilhosas, foi sem dúvida uma oportunidade única participar de algo realmente histórico em um lugar de alto padrão de qualidade, onde todos se preocupam demais com cada detalhe, para nos trazer o melhor.

Comprei diversos CDs que estavam a venda com preços muito bons, alguns que a gente já não acha mais por aí, sendo aquisições valiosas para minha coleção.

Desde a organização impecável do Teatro UMC, a qualidade do som de todas as bandas, tudo muito limpo e bem equalizado, sem problemas ou atrasos repentinos. Profissionalismo e dedicação nos dois dias fazendo com que nós nos sentíssemos como se estivéssemos em nossas próprias casas.

Depois do evento, nos dias que se seguiram, fui até a loja Moshi Moshi na Galeria do Rock e tive uma descontraída conversa com o querido Roberto Oka, onde ele me revelou seus planos para o próximo evento, entre outras coisas…

Mas isso vocês vão saber na próxima matéria…

 

Por Marcos Falcão

 

*Informações retiradas do site do Poeira Zine

**Informações retiradas da página do Violeta de Outono

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