Entrevista: Roberto Oka, um realizador de sonhos

Dias 21 e 22 de abril rolou o Festival Totem Prog II no Teatro UMC, um espaço em São Paulo que tem sido o berço das mais inusitadas e incríveis atrações musicais. O Roadrock foi lá e registrou o evento inteiro. Mas ficou faltando uma coisa muito importante, conversar com o Roberto Oka, um dos organizadores da coisa toda, responsável pela Moshi Moshi Produtora.

Eu e a Alana Freitas fomos até ele, em sua loja na Galeria do Rock, no dia 2 de maio e tivemos um excelente papo, apesar de chegarmos bem na hora do seu almoço. Ele nos recebeu com muita simpatia e amizade. Confira!

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Roberto Oka e Marcos Falcão

Marcos Falcão – Olá, meu amigo, tudo bem? Somos do Roadrock, sou Marcos Falcão e esta é a Alana Freitas. Eu estive presente no Festival Totem Prog II e infelizmente não consegui falar contigo e outras pessoas também. Então a gente gostaria que você nos contasse como é esse negócio de montar um festival de Rock Progressivo? Você curte o estilo?

Roberto Oka – Na verdade eu não curto muito progressivo. Gosto de Rock, tem banda que eu gosto e outras não, independente do estilo. Não sou um ‘’progressiveiro’’… Sou um cara que curte tudo.

Marcos Falcão – Assim é melhor, você acaba aproveitando o melhor de tudo…

Roberto Oka – Gosto muito dos Mutantes da época da Rita Lee, uma fase que veio antes da fase progressiva deles.

Marcos Falcão – Eu fico um pouco por fora de coisas nacionais muito antigas, às vezes. Passei muito tempo ouvindo outros estilos. O Terreno Baldio por exemplo, eu sempre ouvi algo, mas não estava lá na época, eu estava nascendo…

Roberto Oka – Então, esses mesmos. Eu comecei a trabalhar com eles por causa do Sérgio Hinds Eu trabalhava na revista Rock Brigade e conheci o Sérgio numa Expomusic. E depois disso ele me convidou para ser empresário dele e consequentemente, do Terço.

Marcos Falcão – Inclusive você é empresário do Robertinho do Recife também né?

Roberto Oka – Sim. Ele tem uns discos que são muito famosos, são instrumentais. O Rapsódia em Agosto e tem um disco que ele fez junto com o Hermeto Pascoal e Robertinho Silva, super raro hoje em dia. E o Robertinho fez o Metal Mania, fez o Yahoo também. E ele também é famoso como produtor. Tem mais de trezentos discos com ele envolvido. Ganhou mais de trinta discos de ouro. Então, eu fiz o Totem por causa do relacionamento com as bandas progressivas. Sou empresário do Terreno Baldio, do Humahuaca, do Som Nosso de Cada Dia e trabalho com César e Mercês também. Como eu trabalho com essas bandas, me facilitou muito fazer esse festival.

Marcos Falcão – Você também foi o responsável ano passado?

Roberto Oka – Sim, o Totem I foram até mais bandas. Doze ou treze bandas. Ano passado a gente estava com uma banda de Brasília, chamada Protofonia, que inclusive queriam vir esse ano, mas eu queria diversificar um pouco. Como eu já tinha três bandas que já tinha ano passado, Som Nosso, Terreno e Humahuaca, que eu considero as principais bandas. Inclusive o Humahuaca a gente gravou agora o disco novo que deve estar para sair em um ou dois meses. Eles já têm um disco lançado e agora vai sair o segundo. O Willy Verdaguer é um gênio.

Marcos Falcão – Verdade. Ele tem uma relação com os Secos e Molhados, não é?

Roberto Oka – Sim, ele fez os arranjos. Já trabalhou com o Caetano, Alegria Alegria, que inclusive ele tocou com o Caetano Veloso no festival da Record. Ele também é o principal da banda Raízes de América.

Marcos Falcão – Legal. Por causa do blog tem chegado até mim muita coisa boa nacional.

Roberto Oka – Sim, tem muita banda. Eu trabalho também com o Marcos Viana do Sagrado Coração da Terra. Estava trabalhando com o Módulo 1000, que é uma banda psicodélica progressiva, infelizmente o mentor da banda faleceu uns dois anos atrás. Os discos deles são raros.

Marcos Falcão – Então foi assim que aconteceu, foi se foi se envolvendo com a galera do progressivo…

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Galeria do Rock, São Paulo.

Roberto Oka – A partir do Sérgio Hinds, da confiança que ele teve comigo, as outras bandas me contataram e me convidaram para ser empresário. Aí a minha proximidade com Pedro Baldanza, com Lazzarini, o Kurk, que faleceu ano passado, com o Willy Verdaguer, muito se deve a amizade também.

Marcos Falcão – E o Roger Troyjo? Foi uma consequência de tudo isso?

Roberto Oka – O Roger eu conheci através das bandas dele. Yessongs, Genesis Live. Depois que o Kurk morreu, o Roger participou de uma homenagem que eu fiz para o Bolivia, que é um fotógrafo. Começou ali, mas foi assim, justamente no dia que o Kurk morreu. Inclusive eu trabalho com vários ex Yessongs, sou empresário do Gerson Conde, também dos Secos e Molhados, o Fred Barley também, Fernando Cardoso, Alex Bessa, que esteve num projeto comigo dos Beatles e o Aru que toca com o Gerson. E o Gerson Tatini, que tocou com Moto Perpétuo, Secos e Molhados e Joelho de Porco. Também estavam no festival comigo.

Marcos Falcão – Você está bem relacionado com galera do progressivo, apesar de não ser um cara dedicado a isso…

Roberto Oka – É, eu trabalho com o Robertinho do Recife, Made in Brazil, trabalho com muita gente. Kleyton e Kledir, Nenhum de Nós, Metrô, Beto Guedes, 14 Bis. Tem bastante gente que trabalha comigo.

Marcos Falcão – O Roger caiu bem na Terreno Baldio. Ficou muito bom o vocal dele nas músicas. E ali ele está entre monstros sagrados, são músicos muito bons e experientes, lendas vivas do Rock brasileiro.

Roberto Oka – O Mozart Mello por exemplo, foi professor do Kiko Loureiro.

Marcos Falcão – Escrever sobre tudo aquilo que vi não foi fácil. Até mesmo porque, falta um pouco de referências sobre algumas coisas quando a gente vai pesquisar. O domingo ainda estou trabalhando na montagem do texto. Foram diversas bandas, cada uma com sua personalidade, influências e tal. Ficou a sensação de que a coisa poderia ter durado muito mais…

Roberto Oka – Inclusive o domingo mesmo, foi um dia mais apertado, tinha mais bandas, eu pedi para eles diminuírem o set de músicas. Senão não ia dar tempo. Eu queria que acabasse antes da meia noite.

Marcos Falcão – O Sérgio Hinds fechou muito bem a noite. Muita presença de palco, parecia um músico internacional…

Roberto Oka –  Ele além de ser um músico incrível, é um dos meus melhores amigos. Eu fiz um programa na rádio Kiss com ele. É uma pessoa super aberta, muito gente boa.

Marcos Falcão – É uma satisfação enorme ter esse papo aqui contigo, poder agregar mais uma figura incrível ao trabalho do Roadrock. Estamos on line desde novembro e já aconteceu muita coisa. Conhecemos muita gente legal e você está no meio disso tudo, como é essa sua rotina com todo esse trabalho artístico?

Roberto Oka – Hoje com o Net Work, surgem muitas oportunidades. Eu vou muito em shows, jantares. Saio muito para ir em cafés, porque o que se ganha num papo com uma pessoa é algo valioso. Ficamos com as histórias na cabeça. E foi graças a várias conversas e momentos assim que eu virei empresário de diversos artistas. E foi assim que as coisas aconteceram e acontecem até hoje.

Marcos Falcão – Voltando ao Totem, eu gostei muito da produção. Bandas de qualidade ao longo de todo o evento. Ficaram os clássicos para o fim, mas o nível das bandas foi alto o tempo inteiro.

Roberto Oka – Este ano nós priorizamos o instrumental. Ano passado nós fizemos o César e Mercês tocarem o Mudança de Tempo do Terço, teve o Recordando o Vale das Maças. Teve Marcenaria, uma banda com vocal. O ano passado nós tivemos muito mais bandas com vocais. Esse ano demos prioridade ao instrumental.

Marcos Falcão – Eu fiquei muito satisfeito com as atrações desse ano. O Kaoll e o Arcpelago inclusive foram duas coisas que me surpreenderam bastante.

Roberto Oka – Então, o ano que vem inclusive teremos mais bandas do Rio de Janeiro também, até mais famosas que as que vieram. O Vitral e o Tempus Fugit. São duas bandas que até iriam participar este ano, mas não tinha mais espaço, a programação já estava fechada. Essas que eu disse estão quase confirmadas para o próximo. Estamos conversando com uma banda do Paraná, tem duas bandas do Rio Grande do Sul, o Apocalypse e o Bixo da Seda. Do Rio ainda tem o Veludo. Aqui de São Paulo estou tentando o Moto Perpétuo, inclusive o Guilherme Arantes já me disse que gostaria muito de reunir o Moto, mas precisa de tempo. São só três vivos, o Gerson Tatini, Guilherme Arantes e mais um que agora não me lembro o nome. O Egydio Conde que era o guitarrista morreu ano passado. Ano que vem pode ser que tenha o Marcos Viana, do Sagrado Coração da Terra, 14 Bis Instrumental, Quaterna Requiem. Tem bastante banda.

Marcos Falcão – Muito legal. Esse festival tem uma característica muito boa de possuir trabalhos autorais, você já pensou em um festival como esse, mas abrangendo as bandas cover?

Roberto Oka – Já pensei sim. Vamos ver. Como eu trabalho com o Roger e com os meninos também do Frank Zappa Cover, não é nada que seja impossível. Mas na verdade eu queria fazer uma outra coisa, um festival Woodstock. Com bandas tributo aos artistas que participaram do original, então teria cara que fizesse o Jimmy Hendrix, o Robertinho por exemplo poderia fazer o Hendrix numa boa. Tem o tributo ao Creedence, entre outros. Seria feito inclusive com projeções do Woodstock mesmo. A ideia é colocar o público dentro do evento. Então, isso daí é uma coisa que eu já tenho e quero colocar em prática.

Marcos Falcão – Muito show. Vamos ficar no aguardo de tudo isso acontecer e só podemos agradecer por existirem profissionais como você, apaixonados por música de qualidade, que nos proporcionam momentos inesquecíveis com excelentes artistas. O Roadrock agradece pela sua entrevista e simpatia e apoia tudo que você estiver trabalhando. Pode contar conosco para divulgar os eventos, cobrir e participar. Muito obrigado amigo!

A conversa com o Oka foi um momento muito mágico, onde ainda falamos sobre muitas outras coisas. O cara é muito gente boa, uma pessoa disposta, calma e muito segura de seu trabalho. A Moshi Moshi, sua loja na Galeria do Rock, onde foi feita essa entrevista, tem muitos anos de existência e possui um monte de coisas interessantes desde CDs de tudo quanto é tipo de rock até inúmeros materiais de animes, filmes e seriados, coisas de todos os tipos. Eles estão ali há anos. Inclusive muitos discos da minha coleção vieram de lá.

Há vinte e três anos frequento a Galeria regularmente eu sempre entro nessa loja. Um dos poucos espaços do local onde ainda se pode encontrar alguma coisa mais antiga de rock, visto que a Galeria hoje em dia é invadida por tudo quanto é tipo de cultura, sendo um espaço onde nossas ‘’velharias” já não ocupam mais o objetivo principal, que antigamente era vender rock.

Pessoas como o Roberto Oka garantem que a chama do rock nunca se apague e são essenciais para a continuação das coisas, inclusive para as próximas gerações.

Essa entrevista encerra em muito bom estilo as matérias do Totem Prog 2018 e eu espero sinceramente que todos tenham lido e gostado, até mesmo quem não foi ao festival. Que sirva também para no próximo ano termos ainda mais expectadores de qualidade, numa oportunidade ainda melhor!

Uma coisa é certa: O Roadrock estará por lá e eu tenho a impressão que ainda vêm muita coisa boa por aí relacionada ao grande Roberto Oka e sua produtora de sonhos, a Moshi Moshi Produtora. Fiquem ligados!

 

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Loja Moshi Moshi na Galeria do Rock

 

 

4 comentários em “Entrevista: Roberto Oka, um realizador de sonhos

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  1. Bom dia!

    Legal demais a matéria! Só sugiro que deem uma revisada, há muitos nomes escritos de maneira errada…. O correto é Made in Brazil (com “z”), Sergio Hinds (e não “Heins”), Bolivia (o fotógrafo), Kleiton e Kledir….

    Parabéns pelo blog!

    Curtir

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