Rush Project

Café Piu Piu, 3 de maio de 2018.

Naquela noite de quinta, eu estava decidido a aproveitar ao máximo a apresentação de mais uma banda bem sucedida onde figura o artista multifacetado Roger Troyjo. Desta vez o Rush seria novamente homenageado de forma espetacular por essa banda que a cada nova oportunidade se torna cada vez melhor, com segurança e paixão evidentes pelo som atemporal do ícone do Rock Progressivo, influência inclusive de muitas bandas que vieram depois, como Fates Warning e Dream Theater, entre outras.

Encontrei logo de cara meu ídolo e amigo Roger Troyjo, que antes de começar o show me deu o ar de sua graça, numa boa conversa (como sempre) onde fiquei sabendo dos detalhes da grande apresentação do Genesis Live (outra de suas investidas muito especiais) que ocorrerá no dia 23 de junho, no MIS (Museu da Imagem e do Som) e promete ser uma das mais fantásticas viagens desde a incrível estreia dessa nova formação, no ano passado, durante o Open Mind Festival II, que rolou no Cine Jóia, no bairro da liberdade. Desta vez, como na outra ocasião que aconteceu no Piu Piu depois do Open Mind, teremos a participação luminosa da grande cantora e multi-instrumentista Aline Polisello (Oaklore e Rick Wakeman Project), que vai abrilhantar ainda mais o show com sua flauta mágica.

Também tive a sempre agradável surpresa de encontrar os amigos Clóvis Guimarães e Cidinha Horvante, frequentes admiradores da boa música e do já tradicional Café Piu Piu, que este mês está comemorando 35 anos de muito rock e música boa, que atravessa os tempos e se firma cada vez mais como uma das casas mais profissionais e de qualidade da noite paulistana.

Tive também o grande prazer de rever o André Bortolo e conhecer a doce e simpática Giselle Gims, ambos também parte das noites desta incrível casa de shows. Estava lá como de lei o Hilton Rush, grande fã e admirador da banda original e dos projetos que se propõe a reproduzir um material de alto nível, com maestria e dedicação.

Roger Troyjo (vocais), Alexandre Spiga (guitarra), Wellington Carrion (baixo/sintetizadores/pedais) e Vito Montanaro (bateria e percussão) abriram a noite com Limelight, já dando o tom de que seria um momento dedicado inicialmente às fases mais “recentes” do Rush, o que ficou ainda mais claro quando vieram Animate, Half of the World, New World Man, Speed of Love e Between the Wheels. Todas executadas na maior maestria e com um Vito Montanaro endiabrado, sentando a mão na bateria, como de costume. O cara estava com conjuntivite, então usou óculos escuros a noite toda, e um boné vermelho virado para trás, criando um ar meio que de mistério, mas que não prejudicou em nada suas performances poderosas na bateria nem sua interação com a gente no intervalo, apesar de não querer chegar muito perto de ninguém para não passar a doença. Em Speed of Love a banda anunciou que está preparando um especial com o álbum Counterparts e que em breve todo mundo iria poder conferir sua nova empreitada. Para mim esse álbum é um dos melhores de tudo que veio depois do Moving Pictures, assim como o Test for Echo e o Snakes and Arrows, mas isso é minha opinião, que fique bem claro aqui! Muita gente ama o Presto, Grace Under Pleasure e outros mais dos anos oitenta. E eu respeito isso, mas vou noutra direção. Se trata de uma questão de gosto, apenas isso.

E entre avisos para que ninguém se aproximasse do Vito por causa da conjuntivite, afirmando que o rapaz, apesar disso, precisava de muito carinho; nosso querido Roger introduziu Witch Hunt, seguida de perto pela técnica viagem YYZ, onde nosso baterista adoentado realizou um magnífico solo, encaixando com tudo em La Villa Strangiato, num percurso de quase quinze minutos de puro som espetacular.

By Thor & The Snow Dog colada com Xanadú mostrou que era hora mesmo de mexer com o áureo passado da banda, entregando ainda mais a perícia e o talento do grande Alexandre Spiga e sua guitarra precisa e sem limites. O cara é o próprio Alex Lifeson com ainda algo mais, pois fica muito clara sua personalidade no som, mesmo respeitando as composições originais. Um guitarrista experiente, muito energético e capacitado, assim como o Wellington Carrion, que manda muito bem segurando todas aquelas instrumentações com baixo e sintetizador. Com certeza uma banda muito bem montada com membros chave para interpretações complexas como é a música do Rush, principalmente as mais antigas. A guitarra dupla do Alexandre impressiona não só por sua brilhante presença, mas também pela maestria que o cara dispara toda sua capacidade, deixando a galera louca.

Tom Sawyer vem para amenizar os efeitos das viagens anteriores e é onde o Roger anuncia que o Yessongs fará seu próximo show ali em 16 de agosto. Depois Analog Kid, Bravado, Cold Fire, Driven e Subdivisions dão um tom mais moderno, porém nem tanto, voltando mais a pegada dos primeiros momentos da noite, sem decepcionar uma plateia que já estava ganha e curtia mais a cada momento. Eu tenho para mim que a essa hora até se tocasse uma daquelas que o povo nem gosta tanto assim, a coisa iria funcionar muito bem.

A sempre muito bem-vinda Freewill seguida por Red Barchetta foram as últimas executadas dos períodos mais simples da banda. Veio Fly by Night, Circusntances e Spirit of Radio para supostamente fechar uma noite onde desfilaram clássicos de todas as fases do Rush, numa montagem muito inteligente e bem aceita por todo o público, beirando a perfeição.

Teríamos ainda um momento inusitado, onde nosso querido Alexandre Spiga dominaria a cena com um cover muito bem-vindo de Eric Clapton, Crossroads, executado com velocidade e selvageria, de forma fantástica, sucesso absoluto entre todos que lá estavam. Aqui o cara mostrou que também é fera nos vocais.

Para não dizer que eles iriam embora sem mais nem menos, nos brindaram com a mítica Closer to the Heart, onde o Roger volta assumir os vocais, fechando com muita nostalgia e sentimento uma noite que levou todos de volta no tempo, como de costume nas apresentações deles.

Durante o intervalo ainda tive a oportunidade de conversar com o Alexandre e trocamos lembranças de nossos tempos de jovens, onde curtíamos Slayer, Iron Maiden, entre tantos outros que fizeram parte da nossa geração, quando o Heavy Metal era algo de domínio de grande parte dos jovens no mundo. O cara é muito simpático e trocou um monte de ideias ali comigo e com o pessoal do Clovis Guimarães, assim como o Roger e o “Conjuntivito Montanaro”, como o Roger o apelidou carinhosamente na ocasião.

Mais uma vez pude curtir e aproveitar dos clássicos do meu querido Rush com os cuidados hábeis da mais competente banda que vi até hoje e que se torna cada vez melhor com o passar do tempo.

rushproject
Rush Project

É sempre uma grande oportunidade assistir uma banda do Roger. O cara surpreende há anos e trabalha com músicos do mais alto nível e simpatia, gente que tem grande valor, mas não esquece dos fãs, nos recebendo com carinho e cumplicidade, valorizando um cenário em que o público faz parte do show, numa corrente de carinho, amor e respeito.

Magnífica noite que espero repetir em breve.

“And the men who hold high places
Must be the ones who start
To mold a new reality
Closer to the heart
Closer to the heart
…”

Por Marcos Falcão.

 

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