Standards – Jazz com Carina Assencio e Cassiano Music Man

Espetáculo de Jazz – Standards

Com:

Carina Assencio – Voz

Cassiano Music Man – Bateria

Sandro Premmero – Voz e Contrabaixo

Vinícius Gomes – Piano

 

Dia 24 de maio e 02 de junho

Drosophyla Bar e Raiz Bar

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Noites de encantamentos…

Quando vi pela primeira vez o Rick Wakeman Project jamais imaginei os rumos que minha vida (e meu trabalho) seguiriam. Apenas a intenção era de realizar um sonho que tinha desde 1990, ver a Viagem ao Centro da Terra interpretada em toda sua beleza e magnitude, senão pelo próprio Rick Wakeman, por outros músicos de qualidade e amor que se dispusessem a fazer isso da melhor forma possível. Tanto que quando vi a propaganda no Facebook perguntei imediatamente ao Renato Moog, o tecladista, se teria a orquestra e os arranjos originais, pois temia se tratar apenas de um cover, como as releituras feitas pelo artista original, que nunca me agradaram por causa dos arranjos, salvo as últimas, onde foram preservadas as obras como as originais, ainda acrescentadas de materiais que nunca havíamos ouvido.

A resposta às minhas inquietações vieram quase que imediatamente, pois o Renato não perdeu tempo em me responder, mesmo sem saber quem era aquele cara que estava perguntando. Ele me disse que não tinha orquestra, mas que isso seria feito de outra forma e que eu deveria ir que não me arrependeria jamais. Eu acreditei e fui ao Teatro UMC. Não só não me arrependi, como adorei a ponto de me emocionar. Conheci além do fantástico tecladista, que hoje tenho como Rick Wakeman brasileiro, outros músicos fenomenais, com os quais estabeleci relações de amizade e grande admiração e respeito. Isso ampliou significativamente meus horizontes musicais e deu origem ao Roadrock e tudo que venho escrevendo desde então.

Dentre tantas coisas que cada artista daqueles me levou a conhecer e amar, destacam se nesta oportunidade estelar, a bela Carina Assencio, seu impressionante marido, o baterista Cassiano Music Man e o grande cantor e contrabaixista Sandro Premmero. Juntamente como pianista Vinicius Gomes, que acabo de conhecer e já passo a admirar também, eles formam um grupo de Jazz Clássico e nos trazem um espetáculo singular, Standards, onde interpretam lindamente diversas canções eternas deste estilo tão peculiar.

Foi graças ao convite do Cassiano que tivemos duas oportunidades de participar desses eventos singulares.

Primeiro fomos ao Drosophyla Bar, que fica na Rua Nestor Pestana, 163 aqui em São Paulo, que acabou por nos encantar duplamente. Eu e a Kátia, minha esposa, estivemos nessa fantástica viagem no tempo e pudemos finalmente entender toda a química que esses músicos têm quando tocam juntos num ambiente ideal.

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O Drosophyla Bar é uma casa enorme, cheia de cômodos e portas e três andares praticamente originais como nos anos vinte, tudo ricamente decorado e preenchido com sofás, mesas e cadeiras de época, proporcionando a quem chega, uma confortável volta no tempo em grande estilo. Paredes de madeira trabalhada, ornadas por cortinas vistosas de tecidos grossos e flores com quadros enigmáticos em todos os ambientes combinam com outros artefatos no mínimo curiosos, criando um cenário perfeito para filmes de mistério. Toda a iluminação é suave, escura e com velas por toda a parte, compondo o clima de romances fatais. Ambiente ideal para um show de jazz. Pelo ar espalham se aromas que se misturam com cravo, canela e outras ervas aromáticas sutis, proporcionando ainda mais imersão em tempos passados…

A bela e simpática gerente, Ariana, nos contou que o lugar estava abandonado por 25 anos e que a reforma resgatou a alma da casa, agora tombada pelo patrimônio histórico por dentro e por fora. Quem restaurou cada sala foi um artista especializado em barroco, que cuidou dos mínimos detalhes. O ambiente preza pela originalidade, com pisos e paredes autênticas, como nos tempos passados. Certas paredes tem suas artes pintadas a mão, tamanho o cuidado para nos trazer não menos que o melhor daquela época.

E foi nestes cenários e climas sensacionais que no canto da sala principal, bem debaixo de cortinas robustas se instalou o quarteto, que tocou para nós por quase duas horas com impecável qualidade musical, em três atos de apaixonar os corações, intercalados por intervalos onde foi possível interagir com os músicos, estabelecer deliciosas conversas e ver que além da música eles também são pessoas da melhor espécie, gente que vale muito a pena criar laços de pura amizade.

Foram momentos únicos com músicas lindas que sempre quis ver, apesar do Rock e da direção que a vida me levou. Ver canções como Autumn Leaves (Eva Cassidy), Misty (Johnny Mathis), Stormy Weather (Etta James), Sunny (Marvin Gaye), Fever (Peggy Lee) , Unforgettable (Nat king Cole) e tantas outras, mesmo alguns temas de filmes, como Singing in the Rain (Gene Kelly) por exemplo, foi algo sem precedentes. Principalmente vê las ganhando vida na belíssima voz da Carina Assencio foi algo maravilhoso. A banda prima pelos arranjos, o que torna tudo algo realmente mágico de se ver. Momentos como aquele imaginei por diversas vezes em minha trajetória musical e em ambientes com meu pai e meus irmãos, quando todos se propunham a ouvir um pouco de jazz, nos meus tempos de infância, durante as folgas que eles tinham nos finais de semana. A música teve seu espaço na família.

As fendas que se abriam de tempos em tempos depois, já na minha vida adulta, quando me propunha a ouvir (quase sempre sozinho) um pouco de jazz, me traziam sentimentos e inspirações únicas. Sempre quis viver momentos como esses ao vivo, assistindo músicos de qualidade e sentimento. Nessa noite realizei esse desejo no melhor estilo. Encantados pelas interpretações do quarteto, eu e a Kátia,  se não fossemos apaixonados há onze anos, ali nos apaixonaríamos com certeza…

E isso ainda é só uma dimensão de tudo que se desdobrou depois do Rick Wakeman Project, onde conheci gente que ama música de qualidade e se dedica a fazer o melhor, com seus projetos paralelos cheios de emoção.

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E depois, em segundo lugar, ainda tivemos a sorte de ver esses músicos em outro ambiente, dia 2 de junho, no Raiz Bar, que fica na Rua Alvares Guimarães 163, em Pinheiros, também aqui em São Paulo, numa pegada totalmente sofisticada, pois esse lugar se encontra no porão do Restaurante Jacarandá, um belíssimo ambiente natural, cheio de vidros e jardins, com árvores incríveis, compondo uma sensacional paisagem que durante o dia deve ser ainda melhor.

O bar lá embaixo é um espetáculo à parte, um clima noir, muito confortável, com estofados aconchegantes por todo o lado e um palco excelente, onde um piano de verdade impõe sua clássica presença, algo que valorizou ainda mais o talento de Vinícius Gomes que nos brindou com suas notas mágicas por toda a noite. Foi uma apresentação ainda melhor do que a outra, cheia de charme e estilo. Carina Assencio ainda mais encantadora,  transbordando sentimento e talento, hipnotizando o público a cada nova canção.

Desta vez tivemos na abertura Geórgia on my Mind (Ray Charles),  com Sandro Premmero encantando com sua voz negra e seu contrabaixo majestoso que aqui parecia ainda maior. Cassiano Music Man no centro do palco mostrou a todos sua perícia , delicadeza e precisão no cuidado com cada nota. Muita técnica e talento, um homem e uma bateria, numa coisa só, com técnica e sentimento. Pudemos ver o quão metódico ele é com sua música, dosando precisamente momentos de suavidade com outros onde a força de uma batida mais forte arrancava emoções de todos. Simplesmente fantástico poder apreciar os detalhes de cada música  daquele quarteto fantástico.

Vale destacar aqui as emoções que a Carina arrancou do público em What a Wonderful World (Louis Armstrong), onde as pessoas cantaram e se emocionaram.

New York, New York (Frank Sinatra) fez a moça soltar a voz e empolgar a todos com incrível força e afinação, numa interpretação perfeita, cheia de energia e sentimento, ainda melhor que no Drosophyla Bar.

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Um show maior e melhor, onde a banda ficou à vontade, demonstrando ainda mais talento, segurança e carisma. O sonho aqui foi ainda mais intenso  e a gente até se esquecia de que estava no Brasil.

E claro que aqui o acolhimento e as boas conversas também fizeram parte do intervalo e de depois do show.

O fato é que pelas duas vezes levamos o espetáculo na memória e ainda sofremos os efeitos de tão impressionantes momentos.

Pausa para o Rock de todas as formas, nesses dias tenho ouvido Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Nat King Cole, Ray Charles, Betty Carter entre outros artistas que fizeram músicas de tanto sentimento num passado clássico que nunca se foi de verdade. Esses dias têm sido dias de jazz e soul, graças ao trabalho desses músicos tão especiais.

Foram sonhos para emocionar e encantar. Se você ainda não viu esse show fique ligado e acompanhe o grupo. Estão todos na internet e sempre vai haver divulgação de seus trabalhos aqui no Roadrock, pois como não poderia deixar de ser, nós também valorizamos música de qualidade, mesmo não sendo Rock.

O importante é sonhar, viver momentos de pura contemplação, com emoções inesquecíveis e apaixonantes que esses músicos sem dúvida são mais do que capazes de produzir…

Fique ligado, saiba mais sobre esses ambientes mágicos onde se apresentam esses músicos em:

www.drosophylabar.com.br

http://www.instagran.com/raizbar

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