Ledness – Led Zeppelin com todo o coração!

ledness

Conheci o Led Zeppelin em 1988 e minha vida mudou. Na verdade, essa história começaria muito mais cedo, lá em 1978, quando meu irmão mais velho tocava Immigrant Song e corria atrás de mim imitando algum tipo de criatura pré histórica, a qual ele atribuía os gritos de Robert Plant na canção citada. Eu tinha 5 anos e fugia assustado, mesmo sabendo que se tratava de uma brincadeira. Mal sabia eu que aquela música estaria na minha vida e pertencia a um dos álbuns mais legais do Zeppelin, onde inclusive se encontram outros clássicos imortalizados na história do Rock. Confesso que quando comecei a ouvir de verdade o Led sempre me batia um pesar por eles terem encerrado suas atividades com a morte de John Bonham. Claro que ao longo do tempo sempre houve uma reunião aqui ou ali, um projeto e várias outras oportunidades de conferir o trabalho dos músicos, mesmo sem o baterista lendário. Até David Coverdale já tocou com Jimmy Page, aliás um disco excelente foi fruto dessa união no início dos anos 90. Até hoje me questiono porque aquilo não se repetiu. Poderiam ter surgido outras pérolas dando continuidade àquele álbum.

Mas enfim, o fato é que o Led Zeppelin é como um parente muito querido que a gente nunca quer que vá embora. Oficialmente há 30 anos essa banda caminha comigo, estando presente em todos os momentos da minha vida. Sempre essencial, a discografia da banda é excelente, onde figuram obras máximas como o Physical Graffiti, lar de Kashmir, In the Light, The Rover, entre outras essenciais para qualquer fã de Rock que se preze.

Quando eu conheci os trabalhos deles logo fui sequestrado por sua magnitude atemporal e perfeita. Naquele tempo eu andava de skate e muito amigos meus também ouviam Rock. Éramos jovens, mas buscávamos referências nos anos 70. Muita coisa boa veio daí, graças a porta aberta que o Led nos deixou. Éramos uma geração que ouvia música, curtia discos, fitas e buscava nas poucas mídias dedicadas, informações sobre tudo que gostávamos. Sonhávamos ver nossos ídolos, muitos já aposentados, ou fora dos contextos musicais. Queríamos ver outras bandas tocando materiais do Led, Sabbath, Purple, tudo que conhecíamos. Mas coisas assim não eram muito frequentes naqueles tempos e nem nossa idade nos permitia ir a lugares onde isso poderia ser possível. Então ouvíamos nossas bandas queridas e baseávamos toda nossa vida nisso, quase como uma religião. Muita coisa boa veio desse tempo. Muitos amigos queridos vieram e se foram, alguns desta para melhor, outros simplesmente seguiram novos caminhos… Tudo mudou, nossas escolhas, nossas prioridades, nossos destinos.

E agora, num mundo dominado pela super informação, ainda gostamos das mesmas bandas e outras mais ainda, como naqueles tempos de juventude inocente, onde o mundo era um campo desconhecido onde se podia imaginar o que se quisesse.

P_20180628_231221.jpg

Hoje o Led Zeppelin ainda significa tanto quanto naqueles tempos. E nessa trilha veio até mim no início dos anos 2000 o Ledness, sem dúvida a melhor banda a nos trazer o material sagrado dos caras. Acompanhei diversas apresentações e me emocionei com os cuidados, o amor e a dedicação com que cada músico nos traz o melhor do acervo mítico de uma das mais marcantes bandas de Rock do mundo.

Os caras sumiram por um tempo, nos deixando órfãos, mas retornaram em grande estilo, nos trazendo um vocalista novo que é tão bom quanto o anterior, apesar de fisicamente diferente. Márcio Parra nos mostra a cada canção que não está para brincadeira. Seus timbres a lá Klaus Meine do Scorpions casam perfeitamente com as sonoridades de Robert Plant. O cara manda muito bem, desafiando nossos ouvidos com a potência de seus gritos muito bem afinados e soando até melhor que muitas vocalizações originais de Plant (sabemos que ao vivo ele “mudava” bastante as canções).

Nessa noite de quinta-feira 28 de junho o Ledness se apresentou no Café Piu Piu, como era tradição da banda há alguns anos, e fez um show de arrasar. Heraldo Paarmann (guitarra) não deixou por menos e logo de cara já mostrou que a banda, fundada em 21 de setembro de 2003, voltou para ficar.

Iniciaram o espetáculo com Rock’n’Roll, coladinha com Celebration Day, já enchendo a galera de emoção. Com Márcio Parra já cantando muito, tudo muito bem equalizado, nos trazendo a massa sonora do Zeppelin na sua melhor forma. O clima era de nostalgia total, remetendo todos às suas melhores lembranças. Edgard Veçoso segurou muito bem a onda, nos trazendo um baixo poderoso e preciso, enquanto João Halasz nos mostrava o poder de sua bateria extremamente forte.

01.jpg

Dancing Days veio para quebrar um pouco a força de um início devastador, mas cumpriu muito bem seu papel, agradando de imediato até mesmo eu que não sou muito fã dessa música. Mas com o Ledness não tem jeito. Tudo que eles tocarem vai te pegar. É impressionante ver a categoria desses músicos que há 15 anos fazem não menos que o melhor. O vocalista novo nem parece que chegou agora, pois se encaixou perfeitamente na química da banda. Eu vi esses caras quando começaram e já era bom. Hoje está ainda melhor. Heraldo é um cara super aberto, conversa com a galera, dá atenção a quem o procura nas horas vagas, faz piadas e é sem dúvida um músico maravilhoso, assim como os outros três.

Um pouco antes da próxima música, o Heraldo pediu palmas para  o baterista, pois ele tinha acabado de estourar a esteira da caixa. Segundo ele, em sua tentativa de ser o Jhon Bonham…

E após os aplausos  e a troca do referido item, o show seguiu, com Heraldo deixando bem claro a dedicação que ele e seus amigos têm ao Led Zeppelin. E com um clima descontraído e de bom humor, o show continuou com Immigrant Song e Heartbreaker, numa energia muito forte, conquistando de vez a atenção de todos no bar.

Living Loving Maid veio na sequência, muito bem executada, destaque aqui e na anterior para a excelente bateria, que desta vez aguentou o tranco. Então fomos sequestrados pela sentimental e poderosa Babe I’m gonna leave you, cheia de emoção e muito bem arranjada, realmente um momento de fortes emoções onde o Márcio arrasou nos vocais, muitas vezes nos lembrando de Klaus Maine, mas sem deixar isso descaracterizar o Led Zeppelin (mais tarde eu soube que o cara canta também num excelente cover de Scorpions e aí tudo ficou mais claro…). Os arranjos de guitarra aqui ficaram perfeitos, pois nosso Jimmy Page de plantão não deixou por menos. Nota se em todas as canções o amor que esse cara tem pelo Zeppelin, pois ele toca com cuidado e personalidade, realmente conseguindo expressar o espírito do original, algo como nunca vi em outros covers de bandas semelhantes.

Since I’ve been loving you veio para mostrar o lado mais blues, sempre muito forte no Zeppelin e arrancou emoções e lembranças de todos ali. Foi uma versão forte e impressionante, um dos momentos mais incríveis da noite. Momento onde a força e emoção do baterista João Halasz ficou ainda mais em evidência e a voz do Márcio aqui se mostrou ainda mais alta do que nas anteriores. Heraldo e Edgard demostraram um entrosamento magnífico, dando forma e vida a uma canção eterna que todo fã de Led tem o dever de gostar.

Vieram então The Ocean, Good Times Bad Times e Comunication Breakdown, colocando o bar abaixo. O Heraldo sempre se comunicando com a galera, descontraindo e brincando, mostrando o quanto os caras se sentiam bem em estarem tocando pra gente.

02.jpg

Ten Years Gone, excelente canção do Physical Graffiti, veio em grande estilo e agradou de cara. Música difícil, cheia de variações e mudanças, muito bem arranjada e executada pelos músicos. Uma das minhas preferidas, me atingiu em cheio no coração e me trouxe recordações boas.

Dazed and Confused foi a próxima. A excelente introdução do baixo e bateria nos colocou exatamente onde todos gostariam de estar, dentro do The Song Reamains the Same. Baita sonzeira, pano de fundo para muitos momentos na vida de todos, com um vocal centrado, poderoso e emocional e a guitarra impecável, cheia de sentimento. Arranjos muito parecidos com as versões ao vivo, acertando em cheio. Claro que não faltaram os improvisos com arco de violino, como Jimmy fazia. Quinze minutos de pura viagem na melhor versão que já vi.

Blackdog veio para agradar a galera e trazer todo mundo de volta da jornada anterior, animando o pessoal. Então Kashmir chegou para encantar a todos e nos levar ao Oriente. Uma canção sempre muito bem vinda, obra de apreço geral, amada por todos sem distinção. Aqui executada com a mesma maestria de tudo que veio antes, feita com amor, dedicação e o cuidado de soar no mínimo excelente. Moby Dick foi a hora de ver que o baterista poderia muito bem estar possuído pela alma de Jhon Bonham (se é que não estava!). O cara simplesmente bate muito forte e muito bem. Tanta energia, tanta precisão e perícia, marcas de alguém que realmente tem influências magníficas e muito talento para a coisa.

Stairway to Heaven, sempre obrigatória para qualquer banda que se propõe a tocar Led Zeppelin, foi tocada numa versão sem pressa, linda em todos os sentidos. Aposto que muita gente curtiu diversos momentos ao som dessa canção universal. I can quit you babe na sua versão mais pesada foi mais um momento blues de alto nível numa apresentação que já estava mais do que ganha e daí veio Bring it on Home e Whole Lotta Love pra quebrar tudo mesmo, colocando todo o peso e poder do Led Zeppelin à prova nas mãos eficientes de uma banda acima da média. E ao contrário dos pedidos do público para No Quarter, os caras fecharam o show com Nobody’s fault but mine, muito competente poderosa.

03.jpg

O Ledness se superou numa apresentação extremamente cuidadosa, competente e cheia de sentimento. Os músicos são fãs daquilo que fazem e isso fica muito claro a cada canção, a cada nota. Uma noite longa, mas que para muitos poderia durar até de manhã, pois sentimos falta de No Quarter, Achiles Last Stand, Going to Califórnia, entre outras… Se a banda tocasse toda a discografia do Led, ainda assim sentiríamos falta de algo, pois com essa qualidade um projeto do tipo “passe a noite com o Ledness” seria muito bem-vindo.

Saíram prometendo voltar dia 23 de agosto, portanto se você estiver disponível nessa noite, não perca a oportunidade de curtir um baita som numa casa excelente, que é o Café Piu Piu.

Se depois de tudo isso que eu disse você ainda tiver dúvidas, acesse o link do Roadrock Blog abaixo e confira a apresentação na íntegra!

https://www.youtube.com/watch?v=BzbUaukFnxY&list=PLAPnhSg9QtjigCTTutQUM_XGI7_-V-DYs

 

Marcos Falcão

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: