Ao som de Creedence: Um breve relato

Tarde de domingo – meu dia menos favorito da semana. Mas felizmente há sol, contrariando o terrível inverno, e eu estou no banco do passageiro no carro do meu pai. A antiga voz de John Fogerty repete, enfática: Rollin’, rollin’, rollin’ on the river. Eu escuto essa música desde que nasci. Minhas memórias dela são sempre assim: Meu pai dirigindo seu carro ao som de Creedence ou meu primo tocando esta mesma versão numa Telecaster.

Creedence fez sucesso na década de 70, uma época musicalmente preciosa. Seu rock essencialmente sulista traz a mesma alma – ou eu deveria dizer soul? – que posteriormente me faria virar uma apreciadora de The Black Crowes. Mas veja só: Born On The Bayou acaba de começar. Uma das minhas favoritas, mesmo que até hoje eu não tenha entendido direito o que significa “chasin’ down a hoodoo there”. A bateria seca e constante de Doug Clifford funciona como um metrônomo da minha escrita.

ccr

No último sábado, Marcos comentou comigo sobre os efeitos terapêuticos da música em sua vida e eu estou experimentando este mesmo efeito enquanto escrevo isso. Como em todo texto que ele se propõe a fazer no Roadrock, respeitando a ideia que definimos para o nosso trabalho, eu não tenho a menor pretensão ou vontade de ser técnica. (Por isso cogitamos chamar nosso blog de Heartrock, o que seria meio emo: Passamos.) Se você ler nosso primeiro post, vai perceber que nosso trabalho se fundamenta, em muito, em buscar pérolas que não só comprovam que o “rock não morreu”, mas que continua ousando nascer por aí. Quando escuto esta banda, inevitavelmente, viajo para uma época em que isso não poderia ser questionado. Numa certa ironia pela tempestuosa história e rompimento do Creedence Clearwater Revival, tudo que eu consigo sentir é tranquilidade ao ouvir algo como:

Down on the corner, out in the street
Willy and the poor boys are playin’
Bring a nickel, tap your feet.

Escolhemos o nome Roadrock porque sabemos que a vida se assemelha a uma estrada e que, como na música da atemporal banda Jethro Tull, há rocks on the road e somos capazes de passar por todas elas. Gosto da palavra “estrada”. Como em Long As I Can See The Light, “guess I’ve got that old travellin’ bone” (acho que tenho aquele velho espírito aventureiro). Meu amigo Marcos foi um grande estimulador deste espírito, mesmo sem saber. As maiores viagens que já fiz foram em seu santuário musical: Quem já visitou sabe do que estou falando e não, não há drogas envolvidas na história.

Mesmo que você não goste de Creedence, quando estiver passeando pelo Roadrock, escolha aquela banda que te faz viajar, a banda que te colocará dentro dessa grande estrada na qual estamos caminhando. E enquanto fizer isso, esteja onde quiser estar.

No meu caso, estou wishing I were a fast freight train, just a chooglin’ on down to New Orleans.

 

Alana Freitas.

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