7 de julho – Noite de Peso no Manifesto Bar! Segunda Parte: Electric Funeral

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Black Sabbath.

Mais do que apenas uma banda de Rock, trata se de um costume, uma coisa sagrada, uma origem em um tempo onde muita coisa boa surgiu. Mas nenhuma banda de todas as que aprendemos a amar foi como eles. Tony Iommi, Gueezer Butler, Bill Ward e Ozzy Osbourne ditaram as regras de um novo som. Macabro, instigante, bem construído, melódico e principalmente pesado. Nascia ali o Heavy Metal, mesmo que muitos discordem adicionando uma dúzia de rótulos. Se não fossem por esses caras, muitas bandas que se consagraram na década seguinte e até mesmo depois, jamais existiriam. Nem preciso citar quais, pois todo mundo que gosta da música pesada sabem muito bem de quem estou falando.

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Para mim o fenômeno Sabbath chegou em 1987 e nunca mais se foi da minha vida. Tony Iommi é meu guitarrista preferido, inspirador, criativo, magnífico. Ozzy Osbourne foi uma influência em minha vida desde sempre, inclusive em sua carreira solo. Ele nos trouxe Randy Rhoads, Jake E. Lee, Zack Wylde… Citando apenas os guitarristas.

E o que dizer sobre Ronnie James Dio? Simplesmente um dos maiores vocalistas do estilo! Ian Gillan também teve seu inusitado papel apenas uma única vez, que marcou a história da banda para sempre, mesmo que muitos digam que “não combinou”, que “tinha estilo diferente” e mais um monte de “blá blá blá”, que desde 1983 se ouve por aí. Nada disso importa, pois Born Again se tornou uma lenda, assim como as turnês que se seguiram.

Percebemos que Black Sabbath, ao contrário do que muita gente pensa, é mais do que a formação dos anos 70. É quase uma religião, onde diversos músicos fantásticos se juntaram a Tony Iommi. Glenn Hughes, Ray Gillen, Tony Martin. Vocalistas talentosos e peculiares, que só agregaram à história de uma banda que, mesmo muitas vezes tendo apenas o guitarrista como membro original, produziu materiais de alto padrão de qualidade e sentimento.

Tudo isso fez do Black Sabbath algo sensacional que emociona e encanta os fãs do estilo. Sua discografia conta com registros de todos os tempos e sempre as guitarras marcantes e únicas do Mestre Iommi. Inúmeros artistas surgiram tentando ser como eles e fomos presenteados por Candlemass, Pentagram, St. Vitus, entre outros que inauguraram o rótulo Doom Metal, espalhando se como uma febre pelo mundo todo, indo até mesmo onde o Sabbath nunca foi. Isso sem falar em muitas outras bandas de todos os estilos de Metal que tem o trabalho de Iommi como influência e inspiração, assim como aos músicos que passaram pela banda ao longo de tantos anos.

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Por tudo isso e muito mais eu amo Black Sabbath em todas as suas encarnações. E esse amor me levou a conhecer o excepcional Electric Funeral. Sorte a minha encontrar no Brasil e em minha cidade, simplesmente o melhor cover de Black Sabbath que já vi.

Foi em 1995, no extinto e saudoso Black Jack, na Zona Sul de São Paulo que vi Vitão Bonesso e sua banda pela primeira vez. Eu já sabia que eles existiam, mas até aquele momento nunca tinha conseguido ver os caras, apesar de ouvir todos os domingos o Backstage e sempre acompanhar desde muito tempo os programas do Vitão, desde a extinta 97FM.

 Junto com o Comando Metal da 89FM, apresentado pelo amigo querido Walcyr Challas, o grande Vitão Bonesso e toda sua espirituosidade e informação faziam de meus domingos, o dia mais importante para gravar grandes coisas. Eu sempre tinha alguns cassetes prontos para registrar os dois programas. Quando Headless Cross saiu em 1989, foi executado na íntegra no Backstage e pude gravar o disco todo, conhecendo o material bem antes de comprar (pasmem… comprei no Carrefour! E baratinho…).

E isso aconteceu com diversos álbuns de um monte de artistas, muitas vezes coisas que levariam anos pra gente ter por aqui. Numa época precária em informação e cheia de preconceito de toda a espécie, caras como o Vitão eram nossos heróis.

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Mas voltando ao Electric Funeral, quando os vi pela primeira vez fiquei maravilhado e desde então venho acompanhando como posso essa banda espetacular, que apesar de suas mudanças de formação, sempre nos trás o melhor Black Sabbath em todas as suas fases, com um baterista que mantém viva a chama do Metal há 30 anos com o programa Backstage no ar, migrando de rádio rock em rádio rock. Seu programa, hoje inclusive na internet,  já é tradição na história do Metal em São Paulo.

E neste dia 7 de julho de 2018, o Electric Funeral fez um show gigantesco, desfilando clássicos de todas as épocas e formações do Sabbath no Manifesto Bar, hoje um dos melhores lugares para o Heavy Metal na cidade. Coincidentemente no sétimo dia do sétimo mês, mesmo não sendo um show do King Diamond, e não sendo 1777, o Funeral se apresentou ornado pela capa do Born Again na decoração do palco e invocou o mais puro Metal, trabalhando desde a essência clássica da banda a coisas inusitadas e maravilhosas que você nunca vai ver outra banda fazer. Foi um espetáculo acima de todas as expectativas e com certeza uma das melhores apresentações em muitos anos de shows incríveis.

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Vitão Bonesso (bateria), Nuno Monteiro (vocal), Albino Luciani (guitarra) e Júlio Manaf (baixo), com o apoio inestimável e essencial do rodie Ricardo Lima, fizeram da noite no Manifesto algo muito maior que uma viajem no tempo.

Tendo como banda de abertura o ótimo Strigbreaker and The Stuffbreakers, iniciaram o “culto” com War Pigs no volume máximo, no mais puro estilo Live Evil, com Nuno rasgando a voz e Vitão sentando a mão na bateria. Um verdadeiro chamado para o que viria a nos envolver por mais de duas horas.

Computer God, Into the Void e TV Crimes na sequência, só vieram para nos mostrar que a genialidade de Tony Iommi atravessava os tempos sem nenhuma perda de qualidade e provaram, já logo no início, que o Electric Funeral estava ainda mais “maldoso” do que nunca. O guitarrista Albino Luciani leva muito a sério seu trabalho e realmente encanta com seus riffs e solos maravilhosos e cuidadosamente bem arranjados, respeitando as composições originais e carregando de alta personalidade musical, tocando muito além dos dedos, mas com o coração.

Cross of Thornes foi o momento Tony Martin, que muito bem executada, arrancou palmas de todos bem antes de seu término. Uma canção poderosa, cheia de melodia e crítica religiosa, totalmente a cara do Sabbath doa a quem doer. Cross Purposes na minha opinião foi o melhor registro dos tempos de Tony Martin, existem ótimas músicas ali. Claro que sem menosprezar os outros álbuns. Eu amo todos e não sou o único! Ver essa música tão bem tocada foi algo espetacular.

Under the Sun, macabra passagem do denso Volume 4 foi um momento magnífico e que me lembrou anos e anos atrás, quando tive a benção de ver o Electric Funeral tocar Wheels of Confusion, que inclusive teria caído com uma luva nessa apresentação também. No entanto outras surpresas ainda estavam reservadas para essa noite.

Fear foi espetacular, uma canção do tempo em que Ronnie voltou a trabalhar com Tony Iommi, um tempo onde o nome teve que ser alterado para Heaven and Hell, o que de forma nenhuma prejudicou a essência da banda, que além do disco novo (The Devil You Know) veio ao Brasil para dois shows únicos e maravilhosos (tive a sorte de estar nos dois!)

Pena que logo depois nosso Mestre Dio deixaria esta terra para se juntar ao outro mundo, onde com certeza deve estar fazendo belos espetáculos, porém inacessíveis a nós, simples mortais encarnados neste mundo impiedoso.

01.jpgFoi aí que uma das surpresas da noite se revelou em Juniors Eyes, uma bela canção do esquecido Never Say Die, que eu considero um ótimo registro, mesmo sendo diferente de tudo que os caras fizeram antes dele. Ao tocar essa canção, tão bem executada, principalmente pelo trabalho do baixo de Júlio Manaf, (um cara que me lembrou fisicamente o falecido Cliff Burton do Metallica) e a guitarra muito bem tocada e arranjada do Lord Luciani, (como toca esse cara!), a banda mostrou uma versatilidade acima da média.

Fairies Wear Boots só veio para manter o público focado no trabalho emblemático do Sabbath nos anos 70 e conseguiu seu intento. A galera curtiu muito esse momento, onde se destacou a bateria poderosa do nosso querido Vitão. A pegada desse cara é impressionante. Ele viaja enquanto toca e manda muito bem.

Então avançando no tempo e sem que ninguém esperasse, Stonehenge ecoou pelo bar introduzindo não menos que Disturbing the Priest! Uma verdadeira “invocação”, com Nuno gritando e dando quase as mesmas altas gargalhadas que Ian Gillan! O cara conseguiu cantar muito mais do que normalmente, e olha que ele solta a voz em todas as canções, mas nesta ele soltou além da voz, todos os capetas que estavam presentes! Os arranjos dessa música ficaram perfeitos também. Bateria, guitarra, baixo, voz… tudo parecia vir das profundezas do Inferno. Tinha chegado a hora do Born Again em um dos seus mais intensos momentos! Melhor que isso, só se viesse Zero the Hero na sequencia! (fica a dica). Foi um momento magnífico que nunca tive o prazer de ver e deixou todos aos pés da banda. Confesso que já revi na gravação diversas vezes esse momento e não me canso de apreciar algo tão singular.

Children of the Sea, NIB, E5150 e Mob Rules puseram o bar abaixo e acabaram com a resistência de muita gente que agitou até cansar. Até as adoráveis garçonetes do bar não resistiram a tanto som de alta qualidade e valor. Os caras não brincam em serviço.

Black Sabbath, introduzida como no Live Evil, além da tempestade costumeira, foi outro momento infernal do show, mantendo o clima macabro que a caracteriza tão bem. A primeira composição de Ozzy Osbourne vinha para botar medo na galera e informar que o Black Sabbath não seria uma banda para os fracos.

Sabbath Bloody Sabbath foi mais uma surpresa muito bem vinda e bem tocada, como tudo até o momento.

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Se desmanchar em elogios para o Electric Funeral pode parecer exagero, mas não é. Trata se de uma banda muito experiente, correta, que sabe o que faz e o faz muito bem durante toda sua existência, até mesmo porque, o Vitão tem por hábito se cercar dos melhores músicos e sempre nos trás um espetáculo de alto nível, como poucos.

Neon Knights e Heaven and Hell foram executadas lindamente na hora certa, para um público ávido e participativo. O vocalista Nuno Monteiro, sempre bem humorado, interagiu com a galera quase do mesmo modo que Dio fazia, e fez desses momentos algo inesquecível para todos ali.

Só restou a banda então, após tamanho desfile de clássicos, encerrar a apresentação com Children of the Grave, Iron Man e Paranoid, coisas sacramentadas e obrigatórias numa apresentação sabática, e ai de quem se aventurar a tocar Sabbath sem terminar o show com essas músicas!

Fecharam em grande estilo e os sobreviventes puderam voltar para suas casas com a certeza de ter visto um espetáculo único, maravilhoso e feito para aqueles que verdadeiramente amam o Heavy Metal.

Me despedi do Manifesto levando as imagens que vou guardar para sempre e que você também pode curtir, compartilhar e baixar, basta clicar no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=Re48klOdum0&index=1&list=PLAPnhSg9QtjhCtuubv_KzxPWeKT3WKvOk

Sem dúvida um momento sublime, onde brilharam músicos fantásticos que realizaram os sonhos de todos que realmente amam o Black Sabbath, respeitando as obras originais e nos trazendo muito mais que um tributo aos músicos lendários que ocupam nossos corações por toda uma vida.

Obrigado Vitão Bonesso!! Por tudo que nos trouxe por todo esse tempo e por ser um músico tão incrível!!!

 

Sing me a song, you’re a singer
Do me a wrong, you’re a bringer of evil
The devil is never a maker
The less that you give, you’re a taker
So it’s on and on and on, it’s Heaven and Hell…”

 

Marcos Falcão.

 

 

 

 

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