Centro Cultural de São Paulo Bombay Groovy e Stratus Luna 08 de julho de 2018

 

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Bombay Groovy

Eu estava me preparando há duas semanas para rever o Stratus Luna nesse evento e confesso que esse era meu foco principal, visto que não me dei ao trabalho de saber sobre a outra banda que tocaria antes deles. Afinal, sendo meu objetivo o excelente progressivo dos garotos, nem imaginava do que se tratava a outra atração. Cheguei ao local e logo fui recepcionado pelo grande Giuseppe Lenti, produtor e empresário do Stratus Luna, também pai do baterista e tio do guitarrista e do tecladista. Um incrível encontro em família, com exceção do baixista que não faz parte da família, mas se encaixa como uma luva no contexto da banda.

Fui conduzido ao local do show e tive tempo de me posicionar junto à equipe de produção, escolhendo dentro do que me foi oferecido, o melhor lugar para registrar os eventos. Algo me dizia que isso teria que ser feito completamente, ou seja, resolvi a partir daí, gravar o Bombay Groovy também. Se fosse ruim, seria só apagar, afinal de contas havia energia e espaço de sobra na memória pra gravar o que eu quisesse.

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Mal preparei meus humildes equipamentos e o lugar já foi enchendo de gente, alguns conhecidos, entre eles o Marcos Vinicius Troyan Streithorst, fotógrafo excelente e sempre presente nas boas apresentações de Rock Progressivo. Meu irmão Esdras Falcão e sua esposa Cida Rosa também deram o ar de sua graça no evento.

Tudo pronto para começar, as luzes se ajustaram e o trio de músicos adentrou ao recinto. Devo confessar que esse negócio de trio tem sido muito promissor, pois os caras iniciaram a apresentação, e mesmo cheio de reverb e vibrações indesejadas no balcão de edição onde fixei a câmera, já deu pra notar logo nos primeiros minutos que o Bombay Groovy era espetacular! Um progressivo ácido, poderoso, sem guitarras, apenas os teclados, baixo e bateria tomaram de assalto a plateia e mostraram logo de cara que a noite era de progressivo. Tapinha com luva de pelica, principalmente na minha cara, que nem sabia quem eram e até julguei que poderia ser algum grupo de outro estilo para ocupar o tempo… ledo engano. Fui surpreendido por algo muito acima da minha expectativa e que combinava perfeitamente com o que viria a seguir.

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Jimmy Diniz Pappon (teclados, piano), Leandro Nascimento (bateria) e Otávio Cintra (baixo) mostraram rapidamente com a dupla Confounded Bridge e Jakarta Samba que os anos setenta corriam por suas veias no melhor estilo e viagem que se podia supor. A presença de palco e o visual setentista, principalmente do baixista nos fez curtir e delirar. Nada de vocal, nada de guitarra! Não precisa, pois, os caras conversam com o público na melhor linguagem do Universo, a música excepcional e poderosa.

Alguém mencionou Emerson Lake & Palmer atrás de mim, pois esses também não tinham guitarra. Mas o Bombay acaba sendo agressivo, genial e contagiante, indo em outra direção, um pouco diferente do clássico citado.

Gypsy Dancer manteve o poder e harmonia alucinada das duas anteriores e nos fez continuar a viajem com enorme empolgação. Amigos eu confesso que fiquei até com batimentos cardíacos mais acelerados (e não foi por causa do maldito reverb que prejudicou um pouco as filmagens!). Uma sonzeira espetacular, feita com alma e coração. O tecladista mostrava segurança e criatividade, conduzindo tudo com completa maestria, seguido na mesma vibe pelos outros dois músicos.

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Chakal foi a seguinte, onde um poderoso solo de bateria abrilhantou ainda mais uma apresentação que já estava ganha. O público vibrou e curtiu demais. Paul’s Funky Cab, Le Bateu D’Orpheu e Aurora seguiram encantando ainda mais a todos e enchendo a galera de expectativas para a próxima atração, pelo menos de quem ainda não tinha sido apresentado ao Stratos Luna, pois quem já conhecia sabia muito bem que a noite progressiva ia continuar na mesma qualidade…

O Bombay Groovy foi uma agradável e inesperada surpresa para este que vos fala. Ainda bem que pude conhecer esse trabalho espetacular. Acompanhar esses caras agora é mais que um dever do Roadrock, pois são uma poderosa aquisição às fileiras do Rock de qualidade que temos divulgado desde o começo.

Stratus Luna

Lamentamos por pouco tempo o final da apresentação e logo renovamos nossas atenções, pois adentrou ao recinto o tão aguardado Stratus Luna. Já falei sobre a participação fantástica desses meninos tão jovens e talentosos no segundo festival Totem Prog, onde surpreenderam a todos com um progressivo de alto padrão de qualidade, chegando a lembrar bandas da Europa que fizeram muito sucesso nos anos setenta.

O Centro do Labirinto carregou a galera para uma aventura onde a imaginação se traduzia através das mágicas notas muito bem arranjadas e carregadas de beleza e harmonia, melodias complexas e cativantes. Um trabalho de teclados que chegava a lembrar coisas como Genesis, Camel, King Crimson, entre outros… Aqui também nada de vocal. Percebo a cada nova oportunidade, que nem sempre é imprescindível existir uma voz humana. Essas bandas sabem como se fazerem entender pelas mentes inteligentes das pessoas de bom gosto que se permitem ser atingidas por uma música que chega a ser mágica de tão impressionante…

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E quando chegamos ao centro do labirinto, veio Zarabatana, apresentada pelo baixista Gabriel Golfetti, filho de Fábio Golfetti, vocalista lendário da excelente Violeta de Outono, um dos mais importantes ícones do Rock Nacional, até hoje ainda na ativa, nos trazendo trabalhos excepcionais. E a canção faz juz ao nome, pois nos atinge em cheio e conquista nosso corpo e alma, com melodias perfeitas e apaixonantes. Sério, a gente até esquece que Giovanni Lenti (bateria), Ricardo Santhiago (guitarra), Gustavo Santhiago (teclados) e o já citado Gabriel Golfetti (baixo) são jovens. Os caras têm uma maturidade musical e um cuidado com as composições que parece até que são de outras gerações. Não é muito comum encontrar músicos de tanto talento nas gerações mais novas hoje em dia, imagine então tocando Rock Progressivo.

Pandas Voadores veio cheia de encantamento, numa vibe mais tranquila, porém não menos complexa e bem arranjada. Um trabalho de guitarra impressionante, muito bem colocado, chegando a lembrar algo de Steve Howie do Yes. Uma canção forte, bela e centrada, com alguns toques de Jazz no momento certo e um piano que chega a criar um clima noir, sem descaracterizar a música, combinando perfeitamente com toda a composição proposta.

Onírica foi mais um momento que nos remeteu de cara às primeiras composições do Yes, mas sem cópias ou qualquer outro tipo de coisas semelhantes. Apenas o estilo, uma canção mais suave do que as anteriores, porém com uma certa complexidade que se mostra presente na alma do Stratus Luna. Os caras não estão para coisas simples, mas também não compõe coisas com níveis insuportáveis de escalas e sons cansativos, como muitas bandas renomadas fazem. Não, aqui a complexidade é genial e trabalhada não somente para o gosto do artista, mas também para o gosto do público. Eles acertam em cheio. Pois é impossível não se amarrar nas melodias da banda.

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Foram feitas as apresentações dos músicos, literalmente ovacionadas pelo público presente e em seguida Efêmera então veio para fechar o show. Mais uma canção na manha, interessante, bem trampada, outro momento espetacular, onde melodias mais acessíveis preencheram o ar, não menos sensacionais por causa disso. O brilho do Stratus Luna é algo difícil de descrever como se deve. Ele nos toma por completo e nos arranca da realidade, para um mundo de beleza única, onde só os sonhos importam. A trilha sonora de uma mente delirante!

Seria o fim. Mas o público queria mais. Os caras se afastaram, se juntaram e decidiram. Haveria mais uma. Eu pensei que seria o cover 21st Century Schizoid Man do King Crimson que eles já tocaram em outra apresentação. Mas, desculpem me os fãs, foi ainda melhor do que isso… Lunar Sea do Camel ecoou pelo lugar! Surpresa muito bem vinda por todo o fã de progressivo que se preze. A canção, excelente momento do álbum Moonmadness de 1976, foi um presente a todos que lá estavam. Execução impecável! Um verdadeiro tributo a uma banda que nem todo mundo conhece, mas que poderia muito bem figurar ao lado de Yes, Pink Floyd, Genesis, entre outras. Ver essa canção tão bem interpretada me emocionou e me fez desejar que eles tocassem o álbum inteiro, mesmo sabendo que isso não iria acontecer. O que esses meninos geniais fizeram foi fechar com chave de ouro uma apresentação que já estava muito bem ganha pelo seu magnífico trabalho autoral, que inclusive deve ser lançado em CD até o final deste ano.

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Percebe se claramente que há muito trabalho sério envolvido no Stratus Luna. O cuidado e a ajuda de Giuseppe Lenti, para quem o conhece, fica bem visível no trabalho deles. Estão muito bem assessorados por gente que entende de progressivo e principalmente de música de alta qualidade. Tudo isso, aliado ao talento, criatividade e paixão que se evidencia a cada minuto do som deles, faz do Stratus Luna um fenômeno acima da média que merece toda atenção de todo mundo que ama Rock Progressivo e música boa de verdade!

Foi sem dúvida uma noite sensacional com duas bandas que mostram pra quem quisesse ver que o Rock Progressivo Nacional tem muito a oferecer para o Brasil e para o mundo, pois vai além do rótulo, é mesmo como o lendário Pedro Baldanza do Som Nosso de Cada Dia disse uma vez, trata se de MPB (Música Progressiva Brasileira) nosso verdadeiro Arte Rock!!!

Marcos Falcão.

 

Clique nos links abaixo e confira as apresentações na íntegra, no Roadrock Blog, nosso canal no YouTube:

Bombay Groovy:

https://www.youtube.com/watch?v=Ahobgs_7DMA&list=PLAPnhSg9QtjhNX37uk8fxSxhuiADcV9Qb

Stratus Luna:

https://www.youtube.com/watch?v=-D-Sv8T0oP8&list=PLAPnhSg9Qtjht7oZYbwCvnNrPG_D8hEKz

 

Fotos: Marcos Vinicius Troyan Streithorst

 

 

 

 

 

 

 

 

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