Ashes – David Bowie Tribute Band – 19 de julho de 2018 – Café Piu Piu

 

13346827_465303530340337_128840308014881282_n

David Bowie foi um artista que atravessou gerações, chamado de “Camaleão do Rock”, o músico conseguiu se manter em evidência, sempre acompanhando as tendências de cada época, sem perder sua personalidade, nos brindando com trabalhos geniais que se eternizaram na história do Rock, e porque não dizer, do Pop de qualidade, aquele que muitas vezes pode ser confundido com um ótimo Rock Clássico.

Na extensa carreira do cantor, tem som para diversas tribos, dos mais conservadores até as mais escondidas e introspectivas tendências. Sua obra como um todo possui uma intelectualidade ímpar, muitas vezes pouco compreendida por algumas pessoas.

Em cinco décadas de existência, David Bowie inspirou muita gente e se tornou uma referência mundial de música de qualidade. O ápice de sua carreira se encontra nos anos 70 e 80, onde entre outras coisas, fez até cinema, contribuindo inclusive com trilhas sonoras. Incentivou diversos movimentos jovens para grandes mudanças sociais e vendeu mais de 130 milhões de álbuns durante toda sua carreira.

Meu primeiro contato com seu trabalho foi quando eu tinha 13 anos e assisti “Cristiane F. Drogada e Prostituida”. A música Heroes faz parte da trilha sonora. Achei o filme uma droga, mas gostei da música e fui atrás, da forma que eu podia, do resto de seu trabalho, visto que nos anos 80 aqui no Brasil não era nada fácil de conseguir informações sobre artistas estrangeiros. Consegui conhecer mais sobre ele em bancas de jornal e no rádio. Descobri que havia muitas músicas conhecidas e até alguns álbuns disponíveis para compra no Brasil, e se não fosse pela onda de Heavy Metal que invadiu minha vida quando conheci o Black Sabbath e o Iron Maiden, teria tido vários discos do David Bowie…

01.jpg

Nesta quinta-feira 19 de julho, pude conhecer o Ashes, a primeira banda cover de David Bowie que tive o prazer de assistir. Num ambiente lotado e de difícil movimentação, os músicos capricharam num show que cobriu todas as melhores fases da carreira do cantor.

Sob o pretexto de comemorar o aniversário do vocalista Marcelo Mancha, que também canta no Hot Rocks, o Ashes tomou de assalto o palco central da casa, que inclusive se tornou pequeno para eles e nos trouxe momentos de descontração, contemplação e dança. Uma banda que esbanja simpatia, fez seu show quase que no meio da galera, numa aproximação gostosa e cheia de boas vibrações.

Let’s Dance deu início à viagem, com arranjos magníficos e tranquilos, logo seguidos pela força e ritmo desta música que foi extremamente popular nos anos 80. André Nascimento na guitarra nos provou logo de cara que seus sentimentos estariam a mostra por toda a noite, pois o cara e sua guitarra azul belíssima e brilhante, a qual ele chama de Ye (abreviação de Yemanjá, talvez uma evidente referência sobre sua religião), esbanjou estilo e talento por toda a noite, sem perder o pique, nos trazendo uma presença de palco profissional, que logo de cara já interessou a todos que apreciam a arte de uma guitarra bem tocada.

P_20180720_011433.jpg

Marcelo Mancha já começou muito bem, cheio de energia, voz e vontade, apesar do pouco espaço no palco. Esbanjou simpatia e ótimas vocalizações, interpretando um bom David Bowie, sem perder sua personalidade marcante. Também nesta canção, logo de cara pudemos ter a certeza de que o baixo iria fazer toda a diferença nessa noite também, pois Fernando Giovanetti nos trouxe uma linha de baixo muito bem marcada, algo que faria toda a diferença, não somente nessa música, mas em tudo que viria a seguir. O cara mandou muito bem, com uma presença de palco excelente e ótimas performances, trouxe um que de algo mais ao tempero da banda.

This is not América, um momento mais melódico, nos trouxe recordações de anos inesquecíveis para muita gente, ainda mais do que a anterior, pois essa canção é obrigatória nas rádios até os dias de hoje. Adriano Augusto nos teclados foi fundamental para compor o clima com o baixo nesse momento, dominando as teclas com muita sensibilidade e harmonia, fez do conjunto da obra mais um bom momento que merece destaque.

China Girl nos remeteu aos tempos de MTV, onde esse clip sempre passava, até a emissora se tornar um polo intragável de programas de auditório e reality shows realmente insuportáveis. Uma canção divertida e marcante, onde a bateria de Robson Garcia se mostrou essencial para compor a cozinha excelente e contagiante que essa canção nos apresenta.

Ashes to Ashes veio num também num ótimo arranjo, com um teclado bem colocado e as cantoras Ivani Venâncio e Renata Martineli arrasando nos vocais, completando o cenário necessário para a pura diversão. Não foi à toa que a casa lotou nessa noite de quinta. Parecia que as pessoas já sabiam que a banda ia ser um sucesso.

Veio na sequência The Man Who Sold The World, onde o Marcelo brincou com a galera dizendo que aquilo seria um cover do Nirvana… Por incrível que pareça, ouvi gente que acreditou… E dentre muita coisa, o Ashes tocou Under Pressure (que também ouvi gente dizendo que seria cover do Queen).

P_20180720_011912.jpg

Impossível não mencionar Modern Love, que fez o bar inteiro dançar, mesmo que apertadinho. Sound &Vision nos trouxe um pouco de descontração, com seu baixo gostoso e um ritmo libertador. Interessante ver como a banda se descontraiu ainda mais nessa música, realmente envolvendo as pessoas num belo momento, que em nada os preparava para o que viria a seguir.

Suffragette City veio com a participação do guitarrista convidado  Xando Zupo (Harpia, Patrulha do Espaço, Big Balls e Pedra), que subiu ao palco para nos proporcionar um dos  momentos mais Rock’n’Roll da noite, numa pegada forte e cheia de rebeldia, retratando a fase mais rocker de David Bowie. Com solos pra lá de selvagens, o guitarrista ditou as regras de uma rebeldia que contagiou a todos numa vibração poderosa da qual ninguém conseguiu ficar de fora. Claro, sem desmerecer tudo que havia sido tocado e ainda o que viria a seguir, mas aqui o fogo pegou geral e até quem estava sentado se levantou para agitar nessa música.

E apesar do pouco ensaio que o Ashes teve antes do show (segundo o próprio Fernando Giovaneti), Rebel Rebel foi a sequência, mantendo o clima da canção anterior, numa irreverência deliciosa, agora com André Nascimento já de volta a sua posição inicial.

All the Young Dudes com ar de hino roqueiro me fez lembrar da versão que Bruce Dickinson (Iron Maiden) gravou em seu Tatoooed Milionaire, primeiro álbum solo de sua carreira.

Space Oddity foi uma viagem quase progressiva, com arranjos excelentes. A canção ficou muito boa, e até certo ponto, introspectiva com as vocalistas dando um show à parte. Sem dúvida uma excelente versão, cheia de emoção e um pouco de lisergia. Fantástico é pouco para descrever um dos momentos que eu mais gostei nessa noite.

Ziggy Stardust também merece destaque por ser uma canção forte, onde sempre podemos conferir o lado rock beirando ao gótico, de David Bowie. Não foi à toa que o Bauhaus fez uma versão muito digna dessa música nos anos 80.

Absolute Beginers fechou o show em grande estilo, mesmo já tendo sido executada antes do intervalo. Marcelo Mancha fez questão de toca lá de novo, pois deixou claro que, já que era seu aniversário, ele podia fazer isso. Nem é preciso mencionar que teve o total apoio do público, que curtiu demais.

O bis veio com Heroes, que não podia faltar, numa versão cheia de riffs pesados e bem marcados, valorizando ainda mais sua execução impecável.

Uma noite deliciosa, cheia de alegria, rebeldia, talento e bom humor de músicos que realmente se dedicaram a nos proporcionar uma verdadeira viagem no tempo, cheia de ritmo, peso na medida certa e muito trampo, coisa feita com o coração e o sentimento de quem realmente curte o que está fazendo.

Apesar de todas as intempéries que eu passei para registrar a maior parte desse show, coisas que foram desde cabeças enormes na frente das filmagens a quedas inesperadas do equipamento, falta de posições ideias para fotos e desvios de gente que caia sobre mim em diversos momentos, pouca iluminação, etc, etc… deu tudo certo.

Você pode conferir os registros dos meus comentários aqui no link abaixo, que te levará direto a tudo que consegui gravar, no nosso canal Roadrock Blog no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Tv6r8h12VHo&list=PLAPnhSg9Qtjgz_c-bf1EGZ0q1rDrRuWOk

Espero que gostem e sintam se incentivados a conferir ao vivo o som dessa banda contagiante e cheia de simpatia. Basta ficar antenado no Roadrock e na programação do Café Piu Piu.

Marcos Falcão

Um comentário em “Ashes – David Bowie Tribute Band – 19 de julho de 2018 – Café Piu Piu

Adicione o seu

  1. Potz . Perfeito. Sempre achei isso. O Bowie esta para o Rock como o Miles Davis pro jazz ou o Gil pra Mpb. Sempre inovando , sempre moderno e a frente do tempo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: