Stringbreaker and The Stuffbreakers Espaço 91

A aventura começou quando eu soube mais ou menos onde seria a apresentação dos caras. Desta vez nada de Avenida Paulista ou qualquer outro lugar a céu aberto. Aconteceria num lugar chamado “Espaço 91”, ali pela região da Lapa, mas que não estava nem perto da Barra Funda, nem perto da estação Lapa, mas sim no meio, como tardiamente eu iria reparar de qualquer jeito.

Decidi ir de condução. Desci na Barra Funda e aí peguei um ônibus que me deixou lá perto do Allianz Parque. Dali foi uma caminhada que parecia nunca acabar até eu conseguir chegar a avenida que era a referência de onde estava o suposto bar. Pois bem, outra caminhada me levou ao final da trilha sem nada de saber onde era o lugar. Foi perguntando para um transeunte que descobri o tal Espaço. Era mesmo no número 91, bem aonde a avenida virava outra…

Numa curva sinuosa, uma casa com portão preto. Toquei a campainha e parte do portão se abriu, mostrando um lugarzinho singelo, muito bem arranjado, que apesar de escondido revelou se num espaço bem interessante que seguia para os fundos, com um palco aconchegante, mesinhas bem distribuídas, pouca luz, realmente um lugar agradável.

Mais tarde soube que ali nunca havia tocado uma banda de Rock e que aquele ambiente era reservado a coisas mais calminhas, mpb e tal. Não entendi direito como o Stringbreaker and The Stuffbreakers foi parar ali, mas descobri que levou quatro anos até isso acontecer. Também pouco entendi a apreensão dos donos da casa em trazerem mais bandas de Rock, talvez pelo bairro em volta, o barulho, sei lá. O fato que nunca havia ido a um local tão reservado, que chega a ser quase secreto. Tanto que na avenida inteira ninguém conhecia o tal “Espaço 91” e ficou bem claro em breves conversas que tive lá dentro, que é para ficar assim mesmo…

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Enfim, estranhezas a parte, depois de muito sacrifício para chegar, me acomodei ao lado do palco e pude registrar a incrível e completa apresentação que o trio fez. Foi uma noite de pegar fogo, com um público que estava ali para ver o Blues Rock Instrumental de mais qualidade da cidade. Para mim eles são amplamente um Rock setentista inspiradíssimo em tudo de bom que já foi feito, tenho essa impressão desde a primeira vez que os vi na Paulista, onde eles mais gostam de tocar.

Guilherme Spilack (guitarra e mestre de cerimônias), Dilson Siud (baixo) e Sérgio Ciccone (bateria) fazem um barulho dos Diabos (no bom sentido) e nos trazem um som autoral de qualidade, mesclando materiais dos seus 3 CDs com algumas versões de canções que vão de Rush, passam por Jeff Beck e aterrissam magistralmente em Led Zeppelin, fazendo a alegria da galera do início ao fim. Tanto que para esta noite nem fizeram um intervalo, foi direto as duas partes do show, sem tempo para as bebidas e conversas, diretamente sugestionados pelo dono do lugar, o que achei meio por fora, pois sabe se que um bar ganha algum troco a mais quando há os intervalos, mas parecia que a coisa tinha que seguir direto para acabar logo, não pela banda, que realmente foi muito bem vinda, mas pelos donos do lugar, não que eles não estivessem gostando, pelo que percebi, adoraram.

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Mas o fato foi que a locomotiva setentista alucinada do Stringbreaker seguiu quase sem parar, as vezes trocando uma ideia com a galera, falando sobre as músicas, brincando, tudo num clima espetacular e descontraído. Impossível deixar de notar uma senhora que ficava tietando o trio o mais alto que podia, gritando que eles eram lindos e tal. Logo descobrimos que se tratava da mãe do Guilherme, dona Ana Rosa, pois ela fez questão de gritar para todo o bar que ele tinha saído da barriga dela, momento inclusive que foi ovacionada por todo mundo, ganhando inclusive o meu coração.

No final do show fiz questão de conhece la e confesso que fiquei sem ação para tanta gentileza e simpatia com a qual fui tratado. Foi um encontro de almas. Ela é fã dos caras, ajuda, incentiva, participa. Simplesmente demais! A mãe que todo roqueiro gostaria de ter. Quase perdi o trem para voltar para casa de tanto que ficamos conversando.

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Tive a oportunidade de adquirir o terceiro CD, Brick in a Tie e ainda consegui conversar com eles por um tempinho, sempre muito simpáticos e receptivos. O set foi composto por 25 petardos que envolveu todo mundo numa vibe muito interessante. Curioso notar como a música deles funciona bem em ambientes fechados. Por diversos momentos fui envolvido por um clima noir, tamanha a qualidade musical desse trio. Eles tocam com a alma, conseguem nos envolver em seu som e fazer as coisas terem um sentido fenomenal. É muito fácil se apaixonar pelas composições dos caras. Seu material conversa com a gente de forma que poucas bandas conseguem, mas que as grandes da história conseguiam. É como voltar aos anos setenta no mais alto nível de qualidade. Destaques para Money Waltz, The Long and Short of it, Unwearing, Take #25 e Stone Rule, todas do terceiro registro dos caras que acabou de ser lançado, verdadeiros “tijolos” constiuidos pelo mais puro Blues Rock. Curioso notar como o trampo dos caras fica melhor a cada registro. Tente ouvir os três discos na sequência e veja como eles evoluem sem deixar sua identidade musical se confundir.

E entre momentos dos outros registros, versões de outros artistas também tiveram seu brilho, como Since I’ve been Loving You, simples (?) e direta, intensa e muito bem tocada, momento que gerou aplausos de pé, inclusive deste que vos fala. Foi o espetáculo mais “secreto” e intenso que já vi. Talvez tenha sido por este motivo que o nome do show seja Safe Sessions, uma ironia em se tratando de uma banda que toca quase sempre na calçada ao alcance de todos.

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Sai de lá mais que satisfeito e consegui pegar o último trem na Lapa, após caminhar alguns quilômetros, garantindo a minha volta para casa. Da próxima vez vou de carro, São Paulo realmente ainda não favorece em nada rolês noturnos.

Confira o show inteiro no link abaixo. Não está no canal do Roadrock, upei sem querer no meu canal particular, mas isso não faz diferença. Clique e veja o poder de fogo desses meninos, vale muito a pena. Lembrando que no nosso canal já existe uma apresentação completa desses caras no Manifesto Bar em agosto último. Se quiser de uma passadinha por lá também…

Curta…

Stringbreaker and The Stuffbreakers – Safe Sessions no Espaço 91:

 

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