MusicMan Jazz – Drosophyla Bar 18 de outubro de 2018

Nesses tempos de truculência e cultura do ódio se deparar com algo assim em um lugar tão peculiar e delicado é realmente um bálsamo para a alma. Cassiano MusicMan(bateria) e Carina Assencio(voz) juntam se a Sandro Premmero(baixo) e Vinícius Gomes(piano) para nos oferecer não menos que o melhor do Jazz de todos os tempos, realizando uma apresentação delicada, cheia de detalhes sutis e interpretações que brotam direto dos corações, atingindo a todos em cheio, despertando nossos mais profundos sentimentos.

São músicos que se destacam por seu grande comprometimento e talento, com arranjos bem cuidados e surpreendentes. A interpretação da Carina no decorrer das canções é algo contagiante, ela sente cada nota, vive cada palavra com charme beleza e sedução, cativando atenções quase que de forma hipnótica. Seus trejeitos, sua simpatia, o brilho de seus olhos, os sorrisos espontâneos, tudo isso aliado a muito comprometimento e emoção, fazem de suas interpretações momentos únicos de pura contemplação e paixão. Algo que cai como uma luva, tornando o trabalho do todo algo simplesmente espetacular, sem um pingo de exagero.

Vinícius e seu piano envolvente aliado ao baixo e bateria de Sandro e Cassiano muito bem entrosados, compõe a moldura perfeita para a arte delicada e de bom gosto que o grupo desenvolve ao longo de sua bela apresentação. O que se tem aqui é uma rara conjunção de espíritos que se completam, cada um com sua luz própria, criando um verdadeiro espetáculo de magia, onde a música envolve, conquista e emociona até mesmo os menos atentos.

Nessa noite em especial, mais uma vez em um dos espaços mais interessantes da cidade, o Drosophyla Bar, o MusicMan Jazz com seu espetáculo Standards do Jazz, focado principalmente nas criações mais românticas dos artistas míticos do estilo, trouxe momentos de pura contemplação e inspiração, nos levando a uma dimensão onde não existe nada além de sensibilidade, sentimento e muita beleza. Participar de algo assim é um bálsamo para alma e um alivio para as mentes conturbadas pelas atribulações dos tempos difíceis a que todos temos sido expostos.

Nesse contexto não existe política, irritações, inquietações e perturbações da vida moderna. Apenas alívio e corações em paz. A arte se faz presente a cada minuto, revelando sensações inesquecíveis. Não importa quantas vezes eu assista esse show, sempre é um sentimento único e minha admiração e gratidão a esses músicos só aumenta a cada nova oportunidade. E se você acha que estou exagerando, apenas experimente vê los uma única vez. Vá de coração aberto e pronto para um contato intenso com a arte, se puder inclusive muito bem acompanhado. Garanto que vai sair maravilhado.

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Ainda nessa noite incrível fomos presenteados com a participação do grande mago das vozes Roger Troyjo, que encantou a todos em um dueto com a bela Carina, mostrando que sua versatilidade e talento ultrapassam as fronteiras do Rock, caindo muito bem no Jazz. Quem conhece o trabalho deste cantor sabe que se trata, além de um grande ser humano, um artista sem limites, que realiza trabalhos fantásticos, sempre se cercando de ótimos músicos, então não é surpresa alguma uma participação como essa, afinal o cara já está acostumado a ter a seu lado sempre os melhores.

Em um desfile de canções escolhidas a dedo, destaque para Body and Soul da cantora inglesa Gertrude Lawrence, interpretada por diversos artistas desde então, momento de rara beleza e encanto. Dance me to the End of Love, um hit atrevido de Leonard Cohen, com uma bela introdução de baixo, onde brilha sem nenhuma vergonha o talento envolvente de Sandro Premmero e todo seu estilo, mostrando o poder de seu baixo ao público presente.

What a Diference a Day Makes originalmente interpretada por Dinah Washington nos encanta com arranjos envolventes e sua bateria sensacional, uma das mais puras viagens da noite, mostrando o quanto a banda têm a oferecer, pois em um determinado momento somos privados da bela voz e predomina o instrumental competentíssimo. Nossa musa se senta em frente ao trio e contempla junto conosco as mais belas interpretações, voltando a seu posto minutos depois, apenas completando a beleza, nos levando a um desfecho que deixa saudades. E se você acha que viagem é só com progressivo, preste atenção nessa música e vai ver que o conceito vai muito mais além de estilos quando se trata de algo de qualidade. Inclusive no final, em meio aos aplausos apaixonados, Carina agradece e explica que essa música foi escrita pela primeira compositora a ter repercussão internacional no Jazz, Maria Grever, uma compositora mexicana que foi para os EUA e compôs a canção originalmente em espanhol, posteriormente sendo traduzida para o inglês e alcançando o sucesso que é hoje em dia, como não poderia deixar de ser.

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Stormy Weather também merece destaque, canção escrita originalmente por Harold Arlen e Ted Koehler em 1933! Mais um momento de rara beleza e vocalizações impressionantes. Uma das minhas preferidas do set.

A última do set, Fly me to the Moon, (originalmente intitulada In other Words, escrita por Bart Howard), com seu ritmo envolvente veio pra descontrair e conseguiu apaixonar os presentes, que pediram mais, sendo prontamente atendidos com mais uma pérola apaixonante…

E o encerramento precoce (digo isso porque por mim eles poderiam tocar a noite toda) se deu tradicionalmente com What a Wonderful World de Louis Armstrong, onde nossa musa inspiradora de rara beleza, convida todos a cantar junto, fechando mais uma apresentação com chave de ouro, como de praxe em todos os lugares onde se apresentam.

Com esses músicos a causa já se mostra ganha logo nos primeiros momentos e quando chega ao fim só garante que no próximo show você vai estar presente com toda certeza, pois com eles, “muito é sempre pouco”(assim como as “batatitas”…*).

Já viu? Estava lá? Os viu no Raiz Bar? Não?? Nenhuma das alternativas??? Ah, então apresse se, acompanhe o Roadrock no Facebook, sempre divulgamos essas oportunidades. Não perca o próximo. E se depois de todo esse texto você ainda acha que é exagero, confira no link abaixo diversos momentos dessa noite de brilho e bom gosto:

Marcos Falcão

*Referência à animação Os Sem Floresta.

2 comentários em “MusicMan Jazz – Drosophyla Bar 18 de outubro de 2018

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  1. Parabéns, Marc0s Falcão! Texto lindíssimo!!! Verrdade absoluta, eles são sensacionais! Tive a oportunidade de assisti-los em outras ocasiões e fiquei completamente apaixonada!
    Obrigada por compartilhar!

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    1. Parabéns, Marc0s Falcão! Texto lindíssimo!!! Verdade absoluta…eles são sensacionais! Tive a oportunidade de assisti-los em outras ocasiões e fiquei completamente apaixonada!
      Obrigada por compartilhar!

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