Rock Memory invade a Overnight!

20 de outubro de 2018

Participar de um evento de Rock numa danceteria anos 90 é algo no mínimo inusitado. No entanto, lá estava eu na arrojada Overnight, bem no meio da Vila Olímpia, onde é um reduto desse tipo de coisa. Um ambiente para lá de chique se comparado a outros lugares que costumo frequentar, cheio de lasers e outros efeitos de luz e som, desfilando um repertório saudosista em último volume, algo que vai de Tecnotronic a C & C Music Factory, ou seja, não havia ligação nenhuma aparente com o Classic Rock esperado. Muito show, muita vibração, calor, muita gente bonita e feliz, a maioria acima de trinta e poucos anos. Um público realmente voltado e disposto ao que a casa propunha. Me senti de volta aos meus 17 anos, quando bombava Information Society em todo canto. Eu ouvia Metallica e Sepultura naquele tempo, mas era impossível evitar a Dance Music, que pipocava com suas coreografias frenéticas inevitáveis, nas festas e rádios.

Voltando ao local em questão, no início da madrugada, após uma introdução pra lá de espalhafatosa onde após um vídeo muito bem montado e ilustrativo com imagens da Terra vista do espaço, astronautas e tal,  um lustre giratório se abriu, liberando luzes e reflexos alucinantes, ao som de Journey to the Centre of the Earth, do Rick Wakeman. Daí entrou um dançarino batucando um ritmo latino em meio ao “putz putz” alucinante, enquanto umas moças agitavam as pessoas com danças intermitentes e trêmulas, exibindo suas fartas curvas, dando a entender que a atração da noite já iria começar. No palco improvisado na elevação do lado esquerdo da pista os músicos do Rock Memory se ajeitaram e esperaram tudo aquilo passar.

Aquela festa toda, com direito a explosões de papel picado, gente do camarote da frente gritando sem parar, com suas taças cheias de bebidas e empolgação levada ao extremo, me lembrou da chegada do rei de uma nação da África nos EUA, uma passagem do filme “Um Príncipe em Nova Iorque”. Claro que na cena em questão não havia gritos sem sentido e nem pessoas bebendo, mas o exagero era parecido…

Show mesmo foi o que veio depois. O Rock Memory se apoderou de seu espaço e nos trouxe o melhor Classic Rock, com muita qualidade de som e sem firulas. De um momento para o outro, a Overnight com toda sua pompa e efeitos especiais se tornou um ambiente onde o Rock se fez presente, trazendo um pouco do clima da antiga MTV, em seus muitos momentos voltados ao estilo. Money for Nothing do Dire Straits foi a escolhida para retirar as pessoas da vibe “pumperô” dos 90. E caiu como uma luva, pois a galera imediatamente abraçou a causa e o Classic Rock passou a dominar totalmente a casa. Muito em parte por causa da energia e segurança da banda, que nunca deixava a peteca cair, executando um set específico, que acertou em cheio os amantes da cultura anos 90, que relembravam suas possíveis raízes no Rock.

O desfile de clássicos que todo mundo gosta foi de Beatles a Creedence, flertando com o Rock Nacional de todas as épocas, sem anestesia, sem pausa, pura adrenalina. O vocalista Fábio Cirello tem uma energia contagiante e controla muito bem a cena, levando o povo a loucura. O cara canta, domina os teclados e ainda toca guitarra, sem perder o ritmo e o controle da galera. Horácio Rosário, já conhecido pelo sensacional trabalho no 80 Graus, aqui também mostra toda sua versatilidade e talento, dominando a guitarra e os vocais. Teve até Guns’n’Roses no ambiente mais improvável possível, que acabou se tornando um local propicio para valorizar ainda mais uma apresentação do Rock Memory. Destaque para The Logical Song do Supertramp (que infelizmente você não vai ver nos vídeos, por questões de direitos autorais), onde o Horácio improvisou de forma muito eficiente as notas do Sax na guitarra, obtendo um ótimo resultado.

Ver o essa banda em um lugar como aquele poderia ser no mínimo bizarro, mas acabou funcionando melhor que a encomenda, pois os caras souberam muito bem se aproveitar dos recursos e da qualidade da casa, o que deu ares de superprodução ao evento. Eu já tive a oportunidade de ver o Rock Memory em outro ambiente e já sabia que o show deles era bom, por isso esperava que fosse funcionar e não me enganei. Só conclui que a banda faz sua qualidade e experiência valer em qualquer lugar.

Psycho Killer do Talking Heads foi um momento muito interessante, contagiando a casa toda. Mais um destaque onde os músicos provaram sua capacidade de empolgar as pessoas. Jailbreak do AC/DC foi delirante e encerraram o show fazendo todo mundo cantar com Satisfaction dos Rolling Stones.

E enquanto a danceteria voltava a sua forma normal, inclusive com um imenso “transformer” cheio de luzes e cores, passando no meio da pista, pude conversar com a musa Regina Migliore e seu namorado (Horácio Rosário), onde falamos sobre o show e diversos outros assuntos, inclusive o Roger Waters, onde estivemos dia 9 de outubro. Momentos preciosos que nos garantem uma bela amizade. Vale lembrar que a Regina também faz parte da banda 80 graus, que se apresenta com frequência no Café The Wall, nos trazendo o melhor da música pop oitentista (leia sobre eles aqui no blog).

O Rock Memory tem uma história que conta já com 30 anos de estrada e teve em sua formação o saudoso João Kurk (Para quem não sabe, João Kurk fez parte do lendário Terreno Baldio e possuía uma banda de clássicos muito conhecida na noite paulistana, o Mr.Kurk), que infelizmente nos deixou ano passado. Fazem parte da banda Fábio Cirello(voz, teclas e guitarra), Eduardo Leão(voz e baixo), Horácio Rosário(voz e guitarra) e Jorge Anielo(voz e bateria).

Você pode conferir diversos momentos do espetáculo no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=a88_ZLWCkDw&list=PLAPnhSg9QtjhT8TCe7VvOqAvD_pcZL49I

Marcos Falcão.

 

 

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