1 ano de Roadrock – Parte 03. Bombástica apresentação no Manifesto Bar – Vitão & Heavy Friends

II – Depois dos ensaios – A noite do dia 9 de novembro

Controlar a ansiedade até a noite em questão foi algo difícil. Fazia tempo que eu não me empolgava tanto para um show de Heavy Metal. Ter participado dos ensaios foi algo que me deixou muito satisfeito, ainda mais por conhecer o pessoal. Quem me acompanha sabe o quanto eu valorizo músicos de boa qualidade e como isso tudo é importante para mim.Quando a noite chegou tive o prazer de levar a Alana Freitas comigo, para juntos cobrirmos o evento. Nem sempre ela participa, ficando mais nos bastidores do Roadrock, mas desta vez sua paixão pelo Black Sabbath a fez vir comigo. Juntos iríamos conferir os resultados do ensaio e a poderosa apresentação do Electric Funeral que estava prometida a seguir. Uma longa e pesada noite de celebração. Afinal 30 anos tocando Black Sabbath e nos trazendo toda a informação de um mundo tão complexo e fascinante não é uma coisa que se vê todo dia. O Funeral tem até as características de mudança de formação parecidas com o Sabbath, mas aqui o membro fundador é o baterista, que está em todas as formações. E o detalhe interessante é que todos os músicos que passaram pela banda nunca a descaracterizaram, todos eles são excelentes e sabáticos como tem que ser. Então, não importa a época que você viu o Electric Funeral, sempre foi uma grande experiência, mesmo que existam outras bandas tributo ou cover do Sabbath. Nesta em especial, temos a essência de todas as fases da banda original, respeitadas e executadas com paixão, maestria e muito cuidado, pois não poderia ser diferente em algo feito pelo Vitão Bonesso. Por tudo isso e muito mais, essa comemoração de 30 anos é algo para entra na história do Heavy Metal Nacional e causa sim muita ansiedade em todos os fãs.

Alana Freitas, Alessandra Moscato e Galo

Assim que chegamos fomos recepcionados pelo Guilherme Spilack e Dilson Siud, com os quais entramos juntos. A Alana ficou muito satisfeita em conhecer os caras, afinal ela é uma grande fã do trabalho deles, assim como eu. Lá dentro encontramos o Vitão se preparando para a grande pegada da noite. E tinha mesmo que se preparar, pois estavam prometidas no mínimo umas três horas de som. Se aproximaram de nós a Alessandra Moscato e seu marido Galo, que sempre têm estado prestigiando as bandas de qualidade em São Paulo, amigos queridos e envolvidos na música, os quais também conhecem o Vitão e a maior parte do pessoal a estrelar a noite, grandes colaboradores e incentivadores do Roadrock. Tive o maior prazer em conversar um pouco com o Nuno Monteiro, vocalista do Electric Funeral e do Balance Van Halen, uma voz que vai de Dio, passa por Gillan e aterrisa em David Lee Roth e Sammy Hagar. Muito poder, muita simpatia e destreza. Com certeza mais um grande vocalista a ocupar a vaga do Funeral. Soube que desta vez também teríamos a honra de vê lo cantar Disturbing the Priest, do Born Again, um dos momentos mais inusitados desta temporada, onde o cara simplesmente arrasa o quarteirão com sua voz, assim como Ian Gillan fazia em sua breve passagem pelo Sabbath em 1983.

rodie Ricardo Lima também estava lá, mas desta vez apenas para curtir, pois foi Stepham Natal quem cuidou dos detalhes do show. Conversamos por diversos momentos ao longo da noite, sempre um prazer ouvir as histórias do trabalho dele. Recentemente participou dos shows do Stick Men e do Uli Jhon Roth em suas passagens pelo Brasil. Fiquei inclusive sabendo em primeira mão, que em 2019 teremos o Softmachine em São Paulo, entre outras coisinhas.

Depois de alguns momentos com os amigos, a noite começou. Vitão tomou o microfone e fez seu discurso inicial, pedindo para todo mundo se aproximar, afinal os músicos tinham tomado banho e estavam limpinhos. “A gente pode ser feio, mas somos cheirosos!” foi a expressão usada para dar inicio ao show, sempre o humor irreverente do baterista botando todo mundo à vontade. Em seguida o cara explicou como ia rolar a noite, mostrando o painel onde figuravam todos os participantes. A horinha com vários amigos iria rolar com sons que todos curtiam desde seus tempos de infância e ficou claro que o ensaio (simplesmente desnecessário) havia acabado literalmente em pizza…

Apresentando os primeiros amigos da noite, os caras do Stringbreaker and The Stuffbreakers (“puta nome desgraçado!” de fato…) o cara disse que ia começar uma brincadeira com uma banda que tinha lhe mandado uma demo, um tal de RushYYZ seria executada. “Eu vou me lascar pra caralho…” foi a penúltima coisa que ele disse, em seguida afirmando que sua preocupação era tanta que até tinha sonhado com tudo isso na noite passada. Imaginem, sonhou que errou tudo… Modesto até a tampa. E de repente a canção começou. Clara, perfeita, técnica, visceral! Errou foi nada, tanto que uma breve  pausa se fez, com os músicos expressando a alegria por estar tudo legal, e o fogo continuou pegando,desta vez sem parar. A brincadeira agora era séria e a coisa toda foi sensacional, com o Guilherme e toda sua expressão e paixão, aliado ao baixo competente e presente de Dilson, muito bem acompanhado pela batera poderosa e certinha do nosso aniversariante da noite! Esplêndida abertura que empolgou até mesmo quem não é muito fã do Rush(existe sim, acredite!). Imperou a marca de músicos que se expressam de forma personalizada, mesmo tocando música dos outros, pois é isso que faz uma boa homenagem!

Deu tudo tão certinho que a próxima seria Led Zeppelin, momento em que o Vitão invocou a semelhança de Robert Plant e Inri Cristo, bem como Erasmo Carlos e Jimmy Page, fazendo o povo rir mais um pouco. Adentrou o palco o fantástico João Luís (Casa das Máquinas/Golpe de Estado), ex Electric Funeral, para nos trazer um pouco de sua voz e energia. The Rover foi a escolha que acertou em cheio, como havia sido no estúdio, mas aqui com bem mais força e garra. Detalhe que o Vitão mencionou ter tocado essa música com o João quando o programa completou 15 anos, na época em que o João contava com apenas 10 anos de idade.

A combinação ali era absurda, claramente se percebe que os músicos do Stringbreaker são muito influenciados por Led Zeppelin, então fica tudo em casa, visto que o Vitão também tem lá suas influências de Jhon Bonham e o João nos traz um Dio-Plant no mínimo curioso e muito potente, recriando o clássico de forma muito peculiar e eficiente, deixando o público de queixo caído. Eu mesmo desci do andar de cima e fiz uma nova filmagem mais de perto, procurando registrar cada detalhe, enquanto lá em cima o smartphone 1 filmava o evento de uma tomada só. Ficou ainda melhor do que a de cima e você pode ver isso nas postagens da nossa página no Facebook. Canção do Physical Graffiti, ficou muito bem no evento e nos trouxe um clima descontraído e setentista para a comemoração, com muita gente fotografando e filmando.

Em seguida o avanço no tempo se deu com a chegada de Silvio Lopes (guitarrista do King Bird) para ocupar o lugar do Guilherme na canção a seguir, Don’t talk to Strangers do Dio. E com o line up quase igual o que veio a seguir foi puro peso e paixão, desta vez com João Luís completamente à vontade, pois Dio é realmente sua marca registrada. Nosso Dilson Siud, o “baixo de Pirassununga”, totalmente a vontade em uma peça  heavy oitentista, clássico absoluto para todo e qualquer fã de bom gosto, mal sabia que aquilo poderia ser um teste para o que viria a seguir, depois dessa noite. Sim meus amigos, depois disso ele foi convidado a ocupar o baixo do Electric Funeral… Mas isso é assunto para o futuro, por agora vamos nos ater a grande versão que esses caras trouxeram à tona no palco do Manifesto.

Silvio Lopes deu um show a parte, com muita garra e energia, que lhe é de costume, enquanto João rasgava sua voz e interpretação como sempre faz. Vitão? Mais envolvido que esse cara acho que nenhum músico estava. Ele e sua Pearl Master Custom Gold literalmente explodiram o ouvido do povo, com máximo esforço e máximos resultados. Literalmente muito massa, como se dizia nos oitenta! Eu sabia que ia ser legal, mas não tinha ideia da intensidade que tudo isso alcançaria com o calor do lugar e da galera.

Adentrou o palco então Nelson Brito no baixo e Marcelo Schevano na guitarra, o Golpe de Estado se fez presente para agrande homenagem a Hélcio Aguirra, o cara que ajudou o Vitão a formar em 1988 o Electric Funeral. Eu me lembro desse tempo. Era realmente um músico exemplar, minha primeira referência de cover do Black Sabbath, pois foi o primeiro cara que vi de perto tirar os riffs da minha inspiração Tony Iommi. E depois de uma salva de palmas para o grande músico, Forçando a Barra foi a canção seguinte. Momento que traz velhas memórias para muita gente, se fez presente muito bem tocada, uma homenagem à altura e adequada, mantendo qualidade e o clima de sucesso que seguiria por todo resto da noite.

E como se já não bastasse tudo de bom que estava rolando até ali, a próxima foi Maybe I’m a Leo do Deep Purple, nada de Smoke on the Water ou Blacknight, isso a gente vê em toda a esquina. A escolha foi por uma onde houvesse espaço para os músicos se expressarem, como de fato foi. Sai Nelson, entra Ricardo “Soneca” Schevano e volta Guilherme Spilack para duelar com o Marcelo. “Vocês devem estar perguntando onde está o tecladista, ele morreu!”disse o Vitão antes da música começar. E mais uma vez eu desci para fazer uma tomada diferente, senti cheiro de coisa boa no ar, não que o resto não estivesse ótimo, mas fã do Deep Purple como sou, sabia que ia rolar um momento que merecia uma segunda gravação mais detalhada. E acertei. A química dessa jam foi perfeita, dois guitarristas sensacionais e expressivos, altamente influenciados por tudo que é de bom, promoveram um duelo de solos impressionante, para pauleira nenhum botar defeito! A música ganha vida além da vida, deixando o público em êxtase. Uma massa sonora de fazer inveja a muitos “Purples Covers” por aí. De fato, nem sentimos falta dos teclados. Foi algo fora do comum, com improvisos inspiradíssimos, talvez um dos pontos altos da noite toda, por sua personalidade e sentimento.

Os músicos se divertiam no palco e pareciam não ter pressa alguma de terminar a canção. Gente, pode parecer exagero, mas foi exatamente assim. Guilherme e Marcelo poderiam muito bem montar um projeto juntos, pois foi uma combinação sobrenatural. Fica a dica…

A próxima agora com a volta de Silvio Lopes na guitarra e Leandro Caçoilo (vocalista do Viper), foi Godzila do Blue Oyster Cult. Outro momento poderoso que casou direitinho com o emblema setenta ostentado na canção anterior. Esta também dona de uma massa sonora de respeito manteve o nível da apresentação, agradando logo nos primeiros segundos. Realmente os Heavy Friends eram uma química que funcionava com qualquer música. Fiquei pensando que essa jam poderia muito bem ser repetida com mais músicas em um outro show bem maior noutro momento. Fica outra dica… Mais uma vez aqui pudemos conferir os riffs poderosos do Silvio. Muito legal, até mesmo para mim que conheço pouco da banda original (pode me xingar…).

Alexandre e Dennis Grunheidt, (guitarrista e baixista respectivamente do Ancestral e Damage Inc.) subiram ao palco para a próxima música. Deuce do Kiss. Uma canção simples e energética, puro Rock’n’Roll, uma das marcas da banda original que todo mundo gosta, aqui ganhando um pouco mais de peso, agitou a galera. “Daqui a pouquinho Electric Funeral comemorando 30 anos, puta cheiro de naftalina! E daqui uma semana minha missa de sétimo dia, vou sair daqui morto…” foi  a última coisa que o Vitão disse antes da música começar botando fogo em tudo. Era mais um momento que eu queria ter em duplicidade, mas o espaço no smartphone 2 acabou logo no primeiro minuto, o que me fez decidir comprar mais um cartão de memória para ele futuramente.

Alexandre cantou e tocou, nos trazendo uma versão bem peculiar, mas que funcionou muito bem, ficando esta também no nível de toda a apresentação. Aqui melhor que no estúdio,com vocais mais evidentes e empolgados. Mais uma vez os solos matadores do Silvio Lopes.

For Whom the Bell Tholls do Metallica foi a próxima com Alexandre Spiga (guitarrista do Rush Project), subindo ao palco no lugar do Silvio. Aí tivemos um avanço no tempo e no peso para a loucura dos anos oitenta. Heavy Metal. Puro e simples. Deixando todo mundo louco. Deu para ver a versatilidade com que o Alexandre Spiga passeia do técnico para o Metal, mostrando suas garras, perfeitamente combinando com a paixão por Metallica estampada em todo trabalho de Alexandre Grunheidt. A massa sonora era ensurdecedora e a bateria continuava matadora. Perfeitamente temperada ao som do baixo pesado de cinco cordas de Dennis Grunheidt. Esse momento foi digno dos tempos mais selvagens da carreira do Vitão. Me fez querer ver o Damage Inc., vontade que logo será saciada.

Leandro Caçoilo voltou ao palco e rapidamente nos trouxe toda sua força, invocando Still of the Night do Whitesnake, forte e poderosa como poucas bandas conseguem. Alexandre e sua técnica agora voltada a um som um pouco mais popular, mas não menos pesado por causa disso. Poderiam ter tocado qualquer uma assinada por David Coverdale e seus comparsas, mas a escolha foi certeira para manter a energia do show. Sério, esses caras montaram uma sequência que não perdia o fôlego em uma canção sequer. Não teve a aquele momento para respirar, aquela “popularzianha” pra a gente ir ali no bar tomar uma, nada disso. Só petardo para quem gosta mesmo de Rock e Metal! E com músicos que pareciam ter sido escolhidos a dedo.

Living after Midnight do Judas Priest foi a saideira, com Marcelo Schevano no lugar do Alexandre, fechando em clima de festa absolutamente muito bem sucedida, o show do Vitão & Heavy Friends, algo que tem que ser feito novamente num evento maior e só com eles a noite toda. Alguns diriam, “ah por que não Painkiller?” Eu diria que foi exatamente a escolha certa. Living after Midnight soa como celebração, e afinal de contas, não era isso mesmo? E o que poderia representar melhor todo esse tempo de Rock senão viver após a meia noite? Nós Headbangers, Metaleiros, Roqueiros, Pauleiras e qualquer outro rótulo que possamos ter, somos criaturas da noite (já dizia o Kiss), então vivemos pela noite (como dizia o Viper), e vivemos após a meia noite (como dizia o Judas Priest), então foi adequadamente bem escolhida essa saideira, garantindo o sucesso da celebração mais metal que vivi este ano!

E depois disso tudo subi ao camarim e entrei descaradamente agradecendo pelo grande show, pegando a turma toda feliz e contente. E com isso ainda ganhei das mãos do Vitão Bonesso uma camiseta linda exclusiva dos 30 anos do Electric Funeral, da Alta Voltagem Rock Wear, mais uma para minha coleção! Essa vou guardar a vida toda!

Mas a noite estava longe de terminar… Viria o Electric Funeral, meia hora depois…

No entanto isso vocês vão conferir em outro momento.

Vitão & Heavy Friends – 30 anos do Backstage muito bem comemorados!!!

Confira o show inteiro no link abaixo e veja com seus próprios olhos uma parte do que foi essa noite…

Marcos Falcão.

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