Tired, but wiser for the time: The Black Crowes

O ano era 2010.

Recordo-me com perfeição quando meu primo, que sempre foi um dos grandes influenciadores do meu gosto musical juntamente com meu pai, veio até mim e disse: “Você precisa ouvir isso.” Não foi difícil ter minha atenção. O característico dedilhado que logo conduzia a uma percussão profundamente harmônica me cativou logo de cara. Thorn In My Pride, The Black Crowes.

Ao chegar em casa, procurei desesperadamente no YouTube. Apesar do método moderno, o que encontrei (após ligar para o meu primo e descobrir que era “The Black Crowes” e não “The Black Rose” como eu havia entendido), soou-me peculiar demais para ser atual. E é isso o que eu e muitos dos fãs da banda sentimos. Que The Black Crowes nos faz viajar no tempo.

 

 

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The Black Crowes

Mas o primero álbum dessa banda formada em Atlanta pelos irmãos Chris e Rich Robinson é dos anos 90. Shake Your Money Maker, um álbum que conta com canções clássicas da banda, como a balada She Talks To Angels. Este álbum foi seguido pelo The Southern Harmony and Musical Companion, que alcançou a primeira posição na parada da Billboard em 1992. Este é um álbum que merece destaque. The Southern Harmony faz jus ao seu nome e possui faixas memoráveis, como My Morning Song; passa por fortes influências de blues, como em Bad Luck, Blue Eyes, Goodbye, e conta até mesmo com um cover intenso de Bob Marley, Time Will Tell. Sometimes Salvation é uma faixa igualmente inesquecível, com seu poderoso solo do guitarrista Marc Ford.

 

A primeira música a gente nunca esquece…

Enquanto Nirvana, Pearl Jam, Savage Garden e outras bandas do gênero explodiam, The Black Crowes caminhava dentro desta mesma época – mas vibrando um som puramente setentista, o que fazia com que a banda se destacasse e se distinguisse no auge do movimento grunge.

Além disso, o carisma apaixonado de Chris e o sério e plácido talento de Rich casavam de estranha e explosiva forma no palco, como se pode ver em diversas apresentações da banda. A influência de bandas como Led Zeppelin é notável, e Chris é comumente comparado a Rod Stewart.

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Robert Plant e Chris Robinson

Para aqueles que, como nós do Roadrock, curtem ver covers e tributos, vale a pena conferir a banda Cursed Diamond, cujo vocalista canta com um timbre surpreendentemente semelhante ao de Chris.

Enquanto escrevo esse texto, ouvindo a clássica Remedy, cujo verso que sempre me faz sorrir é “baby, baby, why you dye your hair (baby, baby, por que você pinta o cabelo)?” lamento publicamente o fato de que provavelmente nunca verei os caras ao vivo  (exceto se um miraculoso e improvável retorno surgir, de repente). Como costumo sempre trazer uma tônica pessoal ao que compartilho no Roadrock, devo dizer que o que sempre apreciei nesta banda é a paixão que ela me passa, além de certa nostalgia como a presente em Wiser Time, cuja letra, por algum motivo, me remete a Long as I Can See The Light, do Creedence  e Homeward Bound, de Paul Simon. Antes que perguntem de que abismo de minha imaginação tirei tal intertextualidade musical, explico-me: As três falam sobre “sair de casa” e sentir falta dela – uma constante nas músicas americanas que costumo ouvir. 

Essas “road songs” são algo que também acabo associando ao Roadrock, não apenas pelo nome, mas pela ideia que Marcos e eu tivemos ao longo deste primeiro ano de blog. De Rocktown, tão bairrista, por assim dizer, colocamos estrada no nosso nome, road, espelhando toda a trajetória musical do Marcos que começou lá em meados dos anos 80 e ainda floresce hoje, trinta anos depois. Quanto a mim, que em minha realidade enxergo 2010 como um passado distante (não xinguem os millennials ainda, calma), é com prazer que compartilho a balada desta poderosa banda que sabe que o tempo é mais sábio.

No time left now for shame

Não sobrou tempo para vergonha, agora

Horizon behind me, no more pain

O horizonte atrás de mim, sem mais dor

 

(Leitor do Roadrock, ofereça essa música para seu eu do passado que pensa que “aquilo” não vai passar – acho que estou sentimental, hoje.)

Também tenho uma história literária com The Black Crowes. Procurando um possível vídeo de Girl From a Pawnshop, faixa profunda que eu, se fosse você, procuraria a versão do álbum Croweology (2010), com sete maravilhosos minutos, fui parar em cenas do filme A Insustentável Leveza do Ser, baseado na obra de Milan Kundera. Amante de literatura que sou desde sempre, procurei o livro e fiquei encantada pela obra deste autor que ainda não conhecia. Vejam só, uma arte conduzindo à outra – obrigada, The Black Crowes e a pessoa que fez o vídeo.  There’s a passion in being alone, a grace in a loveless time – “há uma paixão em estar sozinho, uma graça num tempo sem amor”, é o verso do refrão desta música, só para você ter uma ideia de por que a categorizei como “profunda”.

Em 2016, Rich Robinson formou a Magpie Salute, contando com seus ex parceiros dos Crowes como Marc Ford e Sven Pipien, enquanto seu irmão Chris segue na Chris Robinson Brotherhood. Recomendo a música abaixo desta segunda banda, gravada no estúdio móvel Jam In The Van (vale a pena dar uma conferida nos outros sons gravados lá, inclusive, é um trabalho bastante interessante):

 

 

E você, conhece The Black Crowes? Curte? Comente aí quais as suas faixas preferidas. Jizzy saw me last night, e me disse que se você curte blues rock e southern rock e ainda não ouviu Crowes, está perdendo tempo. Caso tenha alguma história interessante de como conheceu a banda, me escreva contando!

Para finalizar, deixo aqui outra música deles que recomendo fortemente, Words You Throw Away.

 

 

 

 

 

 

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