Vinyl Freaks – Whitesnake Tribute Night

22 de Novembro – Café Piu Piu

Quando soube que iria rolar um tributo ao Whitesnake no Café Piu Piu fiquei muito interessado, ainda mais por saber que teríamos o Slide it in na íntegra. Registro histórico e sucesso absoluto de 1984, quando a banda se encontrava no auge de sua época. Esse pequeno detalhe me fez cogitar ver essa apresentação. Mas o que deu a certeza de que seria um espetáculo acima da média foi quando vi que o cantor seria o grande Marcelo Mancha, que faz parte do ótimo Hot Rocks e também apresentou este ano um excelente tributo ao David Bowie, mesmo não tendo o estereótipo do cantor original, o que não fez a menor falta, pois o cara segurou a onda e fez um show excelente (que você pode conferir no nosso canal).

Fui àquele show na noite de 22 de novembro com a certeza de que o espetáculo ia valer a pena. Mesmo num momento em que contava com apenas um ouvido bom, visto que o outro estava doente. Visitei os músicos no camarim, antes da apresentação e fui muito bem recebido por todos, muito seguros de que a noite prometia peso e qualidade.

The Vinyl Freaks é um projeto musical que, segundo os próprios músicos, “são uns caras viciados em música que se juntaram para homenagear grandes álbuns de bandas que fazem a vida melhor”. Então não se trata de um Whitesnake Cover, é um tributo a um momento dos caras originais, que por sinal é adorado por todos os fãs, assim como outros álbuns marcantes que vieram antes e mesmo depois. A banda de David Coverdale tem poucos momentos que não se tornaram sucesso, mesmo com formações diferenciadas. Claro, sempre que faço uma afirmação como essa estou me referindo aos fãs, não ao povo de uma forma geral, pois incrivelmente existem pessoas que odeiam Whitesnake

Mas não era esse público que lotou o Café Piu Piu, mas sim fanáticos por um som de qualidade, de um dos ícones mais significantes do Rock dos anos 80. A estreia do Freaks foi uma homenagem ao Whitesnake, onde brilharam diversos sons além do Slade it in na íntegra, tudo entre 78 e 84, período áureo do trabalho de David Coverdale fora do Deep Purple, onde também, diga se de passagem, fez excelentes registros, que hoje são clássicos absolutos.

Marcelo Mancha dá um show de energia e potencial vocal, segurando a onda muito bem, demonstrando claramente seu amor pelo Rock. Na primeira parte do show o desfile de clássicos muito bem executados e com uma sonoridade magnífica fez a alegria da galera que ainda estava chegando, pegando todo mundo literalmente pelo pescoço, com peso e maestria.

O guitarrista Xando Zupo impressiona por seu talento e presença de palco. O cara é fera, com uma baita pegada, cheia de sentimento e precisão, captando a atenção de todos, combinando perfeitamente com o baixista Fernando Giovannetti, uma figura também emblemática, cheia de precisão e presença metálica, também uma combinação perfeita com o baterista Ivan Scartezini, que na mesma vibração não deixou a peteca cair em nenhum momento. Tudo isso, aliado aos teclados de Márcio Porto fez a nostalgia do Whitesnake preencher o Café inteiro na mais alta qualidade e peso. Uma sonoridade digna de um verdadeiro show de Rock oitentista do mais alto nível. Me lembrou o Purple Fiction do Roger Troyjo, outro momento marcante de 2018, onde a volta no tempo se fez presente com máxima carga, revisitando todas as fases do Deep Purple com classe e precisão.

Eu já vi outros tributos ao Whitesnake, mas nunca tinha visto um que fosse tão bom. Aqui os caras conseguiram o peso e a sonoridade certos, não aqueles pedais de Heavy Metal que o pessoal usa, cheios de chiados e com sons insuportavelmente pesados, que passam da conta. Nada  daqueles vocais forçados, imitações baratas do David Coverdale, sabe?

Aqui a coisa fluiu equilibrada, bem pensada e planejada. A receita do bolo foi incrementada com diversos ingredientes, para conseguir o sabor e a medida certa, resultando na mais pura massa sonora, com respeito e paixão de quem gosta e tem experiência para nos trazer não menos que o melhor. E não estou exagerando, você pode conferir o show na íntegra no final da matéria e verá que foi realmente acima da média.

Muita gente por aí tenta tocar Whitesnake e fracassa. O Vinyl Freaks foi bem sucedido. Músicos experientes, apaixonados e comprometidos a fazer um bom trabalho, assim como muitos que povoam as noites do Café Piu Piu, sem dúvida um dos pontos onde pode se encontrar música de qualidade na noite de São Paulo.

A primeira parte veio recheada do melhor da banda, sendo a segunda quase que inteiramente dedicada à intenção da noite, que foi o Slide it in na íntegra. Impossível não deixar de chamar a atenção para Fool for Your Loving e Ain’t Gonna Cry No More, onde o fogo pegou para valer. Sinta só o trampo de baixo nessas duas músicas e não se impressione se isso se repetir por todo o show. Cryin’ in the Rain e Here I go Again merecem ser comentadas também por terem sido executadas com uma sonoridade muito parecida com a do Saints and Sinners, ou seja, no mais puro Rock setentista em 1982! Nessas a participação nos vocais de Rodrigo Grecco foi impressionante e colocou ainda mais energia. Parabéns a banda por respeitar os originais, não só nestes, mas em todos os momentos do show!

whitesnake tribute roadrock

Na segunda parte Ain’t no love in a Heart of the City introduziu a atração da noite que foi executada com maestria em todas as suas nove faixas. Um set completo, feito por fãs do Whitesnake para fãs do Whitesnake! E ainda fecharam o evento com um bônus inusitado, Smoke on The Water do Deep Purple, só para cravar a bandeira da vitória, esta também com Rodrigo Grecco, dividindo os vocais com Marcelo Mancha.

Se este projeto seguir neste nível de qualidade quem pode saber o que ainda virá? Preparem seus corações, pois o Marcelo Mancha e seus amigos vêm com força total. Muita coisa legal ainda está por vir com The Vinyl Freaks.

Para mim foi uma honra ter podido participar e registrar esse evento tão incrível. Confira no link abaixo, em nosso canal, o show na íntegra.

Set da noite:

Primeira entrada:

Come on

Sweet Talker

Walking in the Shadow of the Blues

Love Hunter

Fool for your Loving

Ain’t gonna cry no more

Ready an’ willing

Lie down

Cryin’ in the Rain*

Here I go Again*

Take me with You

Segunda entrada:

Ain’t no Love in the Heart of the City

Gambler

Slide it in

Standing in the Shadow

Give me more Time

Love Ain’t no Stranger

Spit it out

All or Nothing

Hungry for Love

Guilty of Love

Smoke on the Water*

*Rodrigo Grecco no vocal

Agradecimentos ao Marcelo Mancha pelo convite.

Marcos Falcão.

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