Nas Brumas de Oaklore Milord Taverna 28 de dezembro de 2018

Todos merecem descanso após longas batalhas.

Ao longo de uma Lua Grande (o decorrer de um ano) sofremos, amamos e lutamos, quase sempre com todas as nossas forças e nem sempre ganhamos todas as batalhas. Na verdade, mais perdemos do que ganhamos, vivemos em terras ermas, onde a lei não passa muitas vezes de uma mera formalidade, beneficiando mais os que tem do que os que não tem ou lutam para ter. Portanto, seja qual for o caminho, é sempre muito difícil prosperar e começar mais uma Lua Grande.

E foi depois da última batalha do ano que em meio a um repouso merecido, pensei ter despertado de repente. Uma fumaça muito perfumada e púrpura se fez presente na treva silenciosa do meu quarto e logo uma melodia mágica começou a ecoar por toda a parte. Percebi que somente eu a a ouvia, a casa inteira estava entregue aos braços de Morfeu. Menos eu. E aquela fumaça mágica que começava a envolver meu corpo inteiro acompanhada da melodia crescente de uma flauta, uma canção belíssima que de tão mágica me fez perder a razão e gradativamente viajar na nuvem púrpura até um lugar além deste mundo, onde o céu e a terra se confundiam, onde não havia em cima e embaixo, mas sim luzes e cores cintilantes que pareciam criar mais e mais vida a medida em que a música crescia, conduzindo me a origem.

Lá estava ela, rodeada de suas flautas mágicas, sentada em uma espécie de nuvem prateada, que vez por outra refletia uma gama infinita de cores e luzes.

Aline, a feiticeira transmorfa dos mágicos Oaklore estava à minha frente, majestosamente trajada com um vestido lilás, onde claramente se notava ser feito de um tecido astral, algo muito mais brilhante que qualquer outra coisa já vista em nosso mundo.

Ela tocava uma flauta transversal dourada e me encantava e hipnotizava, vez por outra me lembrando outro Deus, o lendário Ian Anderson, dos mundos além, mas com toda sua feminilidade e beleza únicas, dando um tom ainda mais mágico que se fosse essa entidade.

Quando ela saiu na nuvem de energia, pude notar que metade de seu corpo ganhava a forma de uma lagarta e percebi que flutuava no espaço, caprichando ainda mais em sua canção mística. Estava maravilhado, estava alucinado, pois as melodias espirituais têm o dom de nos fazer perder a razão, principalmente quando entoadas por seres místicos e supremos.

Já havia tido contato com os encantos de seres como aquela beldade, durante algumas oportunidades no mundo, após viajar alguns quilômetros e encontra-los pessoalmente em Tavernas por algumas de minhas jornadas. A essa altura já nem me lembrava mais onde estava, só contemplava o ser espetacular que pairava por todos os lados e ao meu redor, presenteando me com as mais belas melodias.

Não entendia o que tinha feito para merecer tamanha recompensa. Queria saber dos outros seres, aqueles que sempre a acompanhavam, mas não tinha forças para desviar minha atenção da bela melodia que preenchia meu espírito e me fazia sentir de uma forma inexplicavelmente boa.

Estaria morto? Seria ela a condutora de meu ser à espiritualidade? Se assim fosse, então a morte era uma coisa boa, muito melhor ainda do que qualquer coisa sequer suposta por qualquer mortal…

Foi então que tão de repente quanto começou, tudo acabou e lá estava eu no escuro de meu quarto, acordado. Tudo havia sido apenas um sonho…

Só não fui dominado pela frustração extrema porque ao olhar as notícias, vi que entre elas havia um anuncio muito especial. Estava muito próxima mais uma apresentação dos seres místicos do Oaklore, lar da feiticeira do meu sonho.

Imediatamente sua imagem veio a minha mente e uma mensagem se tornou muito clara. Fui convidado a estar entre eles no show, numa Taverna distante em outra cidade. Entendi que o sonho havia sido mais que um sonho, entendi que a feiticeira havia me visitado e, além de me presentear com sua magia, me convidava a estar presente em mais uma mística oportunidade.

Não tive dúvidas, me colocaria a caminho acompanhado pela minha esposa Kátia Falcão (Das Sereias) o mais depressa possível. A cidade estava longe, mas não tão longe que nossos pés não alcançassem. Faltava ainda uma última jornada para encerrar o ano e a recompensa por essa jornada seria a viagem mais espetacular que alguém pode conferir.

Estaríamos presentes na apresentação do Oaklore no Milord Taverna, na distante cidade de Campinas, lar de uma sobrinha muito querida, Cibele Falcão (Das Fadas), que nos encontraria na Taverna, a fim de conhecer as melodias mágicas dos míticos seres do Oaklore.

E assim foi…

Eu, Gustavo e o Milord Taverna
Aline, a banda toda, Kátia Falcão (das Sereias) e Cibele Falcão (das Fadas)

Enfrentamos horas de muita paciência e determinação debaixo de um Sol escaldante para deixarmos nossa cidade. Por causa de um erro de cálculo, acabamos por seguir uma procissão que tinha como destino as praias do Norte, onde nessa época do ano se fazem grandes sacrifícios para deuses pagãos, gerando um grande número de pessoas, ávidas por terem seus pedidos atendidos, principalmente na noite de virada do ano.

Com muita dificuldade e cuidado conseguimos em algum momento deixar a multidão e seguir em direção a nosso destino, que não era alvo de nenhum ritual ou qualquer coisa do gênero. A pacífica cidade de Campinas tinha como atração principal a apresentação do Oaklore, que inclusive iria passar a virada do ano com mais um show, ao lado de outras presenças místicas.

Nós estávamos com a intenção de vê los apenas naquela ocasião, pois compromissos de família nos impediriam de estar com eles também na virada da Lua Grande.

Nossa viagem correu de forma calma e chegamos bem na hora de participar do místico evento. Não fosse pelo erro de cálculo, teríamos chegado ainda antes, com tempo para conhecer a cidade. Mas isso acabou ficando para outro momento, pois adentramos o Milord Taverna e ficamos maravilhados com tanta beleza e cuidado. Logo de cara fomos recepcionados pelo Gustavo Mugnato e Alexandre Chamy, membros mais que bem vindos, donos das cordas mágicas, parte do grande trabalho realizado pela banda. E logo mais a feiticeira Aline Polisello veio a nosso encontro e em seus olhos pude contemplar seu contentamento por perceber que eu havia conseguido captar sua mensagem em meus sonhos. A noite prometia grandes magias! E isso ficou ainda mais evidente quando encontrei a última parte da magia oakloriana, Aruan Acesiks, pronto para nos presentear com sua percussão precisa e necessária.

Os quatro seres místicos estavam prontos para nos envolver em sua magia única, da qual quem prova jamais esquece e sempre volta em busca de mais, e desta vez muito bem alojados no melhor ambiente para seus feitiços, melhor ainda que o misterioso Walfenda, onde vivemos grandes emoções por duas vezes.

O Milord Taverna oferece aos viajantes grandes eventos, comida e bebida da melhor qualidade. Chegavam pessoas de todos os tipos e logo Cibele das Fadas, minha sobrinha deu o ar de sua graça. Mais de dez anos que não nos víamos. Foi uma grande emoção reencontrá-la, ainda mais em uma oportunidade como aquela.

Soube que ela nunca havia sido tocada pela magia do Oaklore.

Mal sabia ela o que estaria por vir…

Ao som dos mais místicos instrumentos, nossa noite novamente foi embalada em sonhos vívidos. De repente não estávamos mais em uma taberna, mas sim em lugares inimagináveis nas florestas europeias, onde elfos se misturavam às criaturas da noite, envolvidos nas melodias, totalmente alienados ao tempo e ao espaço.

Das montanhas da Irlanda às terras de Skyrim, pelas Colinas de Ferro ás terras mais distantes, existentes apenas em sonhos, a magia do Oaklore consegue conquistar todos, em um misto de alegria, contentamento e revitalização, levando nossas almas a mundos além.

Impossível não esquecer de toda a sua realidade quando em um show dessas incríveis figuras míticas. E neste ambiente totalmente afinizado aos seus hábitos e costumes, a coisa é ainda mais forte. Versões para clássicos de Blind Guardian, Deep Purple e Tuatha de Danann nunca estão ausentes do maravilhoso repertório, que a cada nova aquisição fica ainda mais rico.

Gustavo Mugnato e suas diversas cordas místicas fica mais misterioso a cada oportunidade, mantendo seguros seus mistérios, atiçando a curiosidade dos mais atentos, enquanto que Aruan Acesiks exerce com cada vez mais maestria quase que religiosa seus dons com a percussão, papel fundamental na magia da banda. Aline Polisello abusa de sua magia e encantamento, ficando cada vez mais linda e talentosa, com suas flautas diversificadas, alternando com sua voz poderosa, capaz até mesmo de hipnotizar os mais fracos. A feiticeira fica mais forte com o tempo e sua magia ainda mais envolvente.

Ela canta e dança com o público, levando todos por diversas vezes a abandonarem suas mesas e se envolverem em seus encantos. Alexandre Chamy, a outra parte fundamental das cordas mágicas conduz o espetáculo, apresentando e se comunicando entre uma música e outra, ganhando a atenção das pessoas para em seguida nos brindar com sua música poderosa.

A junção dos quatro talentos muito peculiares faz do Oaklore uma experiência inesquecível e energética. Essa noite no Milord Taverna nas terras de Campinas foi um momento inesquecível e sensacional, que tem o hábito de se repetir com frequência, pois o local já é a sede de operações da banda, sendo o principal foco de sua magia.

Ao final da noite todos já estavam exaustos e satisfeitos, mas mesmo assim a festa continuou com muita comida e bebida da melhor qualidade. Nos despedimos dos quatro fantásticos da música e passamos a noite na Vila onde mora Cibele das Fadas, um ambiente tranquilo e envolto em grande magia.

Foi sem dúvida um momento inesquecível, onde o bom gosto, talento e simpatia foram temperos muito especiais, cada vez mais presentes nas apresentações do Oaklore.

Confira o show inteiro através do portal místico abaixo e não estranhe se de repente estiver a caminho de Campinas. Vale muito a pena.

E assim foi nossa primeira vez no Milord Taverna…

Muitos tentam o medieval, mas só o Oaklore consegue a magia certa e se destaca exatamente por isso…

Visite Http://oakloreband.wordpress.com e envolva se na magia!

Marcos Falcão.

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