Genesis Archives – Teatro UMC – 23 de fevereiro de 2019

Inesperado para mim e para muitos que estavam lá naquela noite foi a introdução de Watcher of the Skies, iniciando o show do Genesis Archives. Uma clara invocação dos primórdios da banda original, inclusive pela calma com que os músicos foram assumindo seus lugares no palco. Quem nunca viu um espetáculo do Genesis por volta de 1973, ficou até achando que tudo era parado demais, mas não. Era sim uma boa reprodução de como as coisas funcionavam na primeira fase dos caras.

Não que o Genesis Archives nunca tivesse se dedicado a executar a fase Peter Gabriel, mas baseado no que tínhamos visto deles até então, havia uma tendência forte a focar mais na fase Phil Collins, portanto o show já começou com uma boa surpresa e ao longo de todo o tempo, o que ficou em evidência foram grandes momentos da fase mais antiga.

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Como de costume, Watcher of the Skies ganha forma e intensidade e acaba envolvendo o público na mais pura viagem emocionante, apesar de inconvenientes variações sutis de volume que de forma alguma foram culpa dos músicos, mas sim de quem estava controlando a coisa toda. No entanto não estragou o momento, na minha opinião, doente por Genesis como sou.

Depois veio The Lamb Lies Down On Broadway, ganhando vida com a exibição de imagens no palco, algo que se fosse possível na época, seria muito bem aproveitado em 1974, ao invés dos slides que pegavam fogo algumas vezes e estragavam um pouco as apresentações da turnê. A caótica In The Cage manteve o clima dantesco enquanto as suítes de Cinema Show e It foram muito bem vindas na sequência, mantendo o foco do público na essência progressiva do som do Genesis, culminando na bela Afterglow, de outro momento, mas que combinou perfeitamente, fechando o set.

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Vale destacar a homenagem que o vocalista Paulinho Vidal fez ao Phil Collins, entrando no palco acompanhado de uma bengala nesse momento e ajeitando se inicialmente numa cadeira, como o artista original faz hoje em dia em seus shows (Para quem não sabe, Phil Collins sofre consequências de seus antigos vícios com o álcool, mas continua sua carreira solo, ainda encantando a todos).  Emoção garantida que essa música sempre nos trás e que o Genesis Archives soube traduzir muito bem.

That’s All e Follow You Follow Me foram os hits obrigatórios da fase mais popular e que caíram muito bem para quebrar um pouco toda a seriedade e densidade das canções anteriores. Assim como a divertida A Trick of The Tail, onde o vocalista usou até chifres e rabo, numa clara alusão ao próprio álbum, primeiro sem Peter Gabriel, mas que ainda contava com Steve Hackett na guitarra.

Interessante ver como a banda constrói cada canção, um momento por vez, sem pressa, com toques pessoais e muito sentimento, tornando seu som um tanto artesanal, evidenciando a todo momento a paixão deles pela banda original.

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Na sua maneira, composta por pessoas mais experientes em sua maioria, o Genesis Archives não tem pressa e nos traz momentos de pura nostalgia e emoção, revivendo um clássico atrás do outro, cativando o público incessantemente.

Assim vieram Firth of Fifth (para mim um dos solos de guitarra mais bonitos do Rock Progressivo), Carpet Crawlers, A Trick of the Tail   e Dancing With The Moonlit Knight, numa versão mesclada com Musical Box (que só não ficou tão boa por causa de um falha no microfone na sequência final) e Supper’s Ready, na íntegra, que funcionou muito bem, em toda sua magnitude, com direito a adereços de flores e tal.

Mas se você ainda acha que foi ousada a apresentação de todo esse material, a coisa toda não parou por aí. Para valorizar ainda mais, em seguida veio The Knife, do mítico Trespass, segundo álbum da banda, que foi executada em toda sua fúria, rebeldia e peso, inesperadamente conduzindo o público a um passado ainda mais obscuro, simplesmente fantástico para os fãs mais “chiitas”.

E com tudo isso ainda não foi o fim, o bis veio com um baita solo de bateria de João Pedro Bitelli, introduzindo a espetacular Los Endos, fechando a noite em grande estilo, deixando um público satisfeito e empolgado que cercou a banda de gentilezas mais que merecidas depois do espetáculo, claro sendo muito bem recebido, pois os membros do Genesis Archives são muito acolhedores, simpáticos e cheios de bom humor.

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Um teatro lotado, dominado por fãs dos Genesis de todas as fases, uma galera conquistada nota a nota pelo outrora Afterglow, que hoje se sobressai como mais um grande nome dos tributos progressivos que realizam o sonho de muita gente, revivendo medalhões inesquecíveis.

Carlos Navarro e Denis Marum (guitarras), Carlos Jahara (baixo), João Pedro Bitelli (bateria), Paulinho Vidal (vocais) e Tiago Foz (teclados) nos trouxeram momentos de pura magia e simpatia, fazendo a noite valer a pena do começo ao fim, com classe, simplicidade, competência e principalmente talento e amor em viver o grande fenômeno da música progressiva que é o Genesis.

Presenciamos um show completo de uma banda que já havia nos dado uma ótima apresentação em agosto de 2017 na Avenida Paulista, um show mais curto, com menos produção, focado no álbum Seconds Out, comemorando a única vinda do Genesis ao Brasil em 1977, mas que já insinuava um grande potencial para explorar outras paragens do vasto material da banda.

Sem dúvida este espetáculo vai ficar na memória de quem teve a sorte de estar no Teatro UMC. Vale lembrar que eu já tinha visto esses caras tocarem coisas como The Knife numa remota apresentação em  17 de abril em 2009, ainda sob o antigo nome, e isso ficou na minha memória para sempre, pois foi magnífico.

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Abaixo eu separei alguns momentos da apresentação no link que leva ao nosso canal. Também recentemente publiquei Supper’s Ready na nossa página do Facebook, totalmente legendada em português, para quem não conhece saber do caos ideológico que essa canção nos trás e como ela se tornou atemporal, pois muito do que diz sua letra pode nos lembrar de fatos que ocorrem nos dias de hoje, inclusive no Brasil. Então clique nos links abaixo, curta e compartilhe esses momentos de pura viagem.

Supper’s Ready legendada em português:

https://www.facebook.com/roadrockblog/videos/597775470695767/

Quatro bons momentos do show:

https://www.youtube.com/watch?v=y-SmATiTUoQ&list=PLAPnhSg9QtjgZRdklYwnkHWBit9lzj4GJ&index=1

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Denis Marum (11) 99611 0500
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Marcos Falcão.

 

 

 

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